Criptomoeda sustentável impulsiona projeto de reciclagem e aquece economia no interior paulista

Desenvolvida pela startup Ecochain, a criptomoeda sustentável recompensa os moradores que contribuem com a coleta seletiva de materiais recicláveis.

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(Foto: Pixabay)
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A 320 km de São Paulo, a cidade de Santa Cruz da Esperança chama a atenção por ser um dos menores municípios do Brasil. Mas não só por isso. Nos últimos meses, a cidade, que conta com uma população estimada em 2.124 habitantes, vem ganhando projeção por conta de um projeto de coleta seletiva que recompensa os moradores de um jeito diferente e disruptivo: por meio da criptomoeda ECOs.

De acordo com o Portal Draft, a iniciativa, desenvolvida pela startup Ecochain, é um aperfeiçoamento do projeto Moeda Verde, que desde de 2017 recompensa com um vale-compras os moradores que entregam materiais recicláveis, como alumínio e papelão, nos locais de coleta seletiva.

Na ideia original, todo o material recolhido pela população era revertido em uma “Moeda Verde”, similar as antigas notas de R$1, que permitia a compra de mercadorias no comércio da cidade. No entanto, o projeto acontecia de forma inteiramente analógica.

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Cupom original da “Moeda Verde”, utilizado para aquisição de mercadorias no comércio local.

A iniciativa do pequeno município chamou a atenção da startup, que enxergou o cenário ideal para aplicar um projeto piloto de sustentabilidade por meio da inovação blockchain, além de promover a inclusão social e geração de renda para os voluntários. Como explica Marcelo Miranda, um dos sócios da Ecochain:

“Quando soubemos do programa da Prefeitura de Santa Cruz da Esperança, pensamos que seria um case interessante para um piloto, caso a gente conseguisse trocar, para a tecnologia blockchain, algo que era feito com um pedaço de papel”.

Criptomoeda sustentável

 A criação da Ecochain é o resultado da junção de forças das empresas de solução e inovação tecnológica Ti2Ci e LF1, juntamente com a exchange FlowBTC. Ao unir as expertises de cada negócio, os sócios viram na blockchain um caminho para promover a inclusão social e resolver um problema antigo no país: o descarte inadequado do lixo.

De acordo com estudo realizado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, Abrelp, apenas em 2017, foram gerados 78,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Já o índice nacional de reciclagem não passa de 3,7%, segundo pesquisa do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana, Selurb, e reportada pela Revista Galileu.

No modelo da Ecochain, os moradores voluntários precisam cadastrar o nome e CPF no site da startup para ter direito a uma carteira digital, meio pelo qual receberá os créditos das coletas. Então, Os tokens ECOs podem ser verificados a partir de um dispositivo móvel ou por meio de um QR Code, que permite a troca da criptomoeda, por itens de cesta básica ou de materiais escolares, no comércio da região.

Expansão

O projeto piloto, que cadastrou 20 famílias e teve início em novembro de 2018, se encerra agora em maio, conforme explica a equipe da Ecochain. Após implementação e acompanhamento inicial, a startup passou o bastão das operações do dia a dia para a prefeitura.

A Ecochain estima que a coleta de resíduos sólidos domésticos do pequeno município possa alcançar até 2 toneladas por mês. E prevê, já para 2020, uma receita de R$ 4 milhões, gerada a partir das porcentagens pagas por resíduos coletados. De acordo com Marcelo, os sócios já investiram em torno de R$ 500 mil na startup, valor este que foi dividido entre as empresas que formam a joint venture.

Finalizada essa fase de testes em Santa Cruz da Esperança, a Ecochain planeja expandir o modelo para outras localidades no interior de São Paulo. Como revela Marcelo, 40 cidades já demonstraram interesse pela iniciativa, acrescentando que uma das vantagens da solução Ecochain para as prefeituras é o baixo custo operacional.

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Camila Marinho
Camila Marinho
Camila Marinho é jornalista, com passagem por jornais impressos e outros portais com foco em criptomoedas. Acredita que a tecnologia blockchain é como o fogo dado por Prometeu à humanidade. Cresceu sob o sol da Bahia e hoje vive no frenesi do centro de São Paulo.
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