Diretor pega R$ 270 milhões da Netflix, não entrega série e gasta tudo em ações e criptomoedas

“Obrigado e que Deus abençoe as criptomoedas”, disse o diretor ao suporte da Kraken.

Se você estava buscando por uma boa série de ficção cientifica na Netflix, mas não encontrou, a culpa pode ser de Carl Rinsch. Conhecido por dirigir o filme 47 Ronins, estrelado por Keanu Reeves, Rinsch captou US$ 55 milhões (R$ 270 milhões) da Netflix para produzir uma série, mas nunca a entregou.

Embora cancelamentos sejam comuns nessa indústria, incluindo de filmes e séries já dados como prontos, o caso de Carl Rinsch beira o absurdo. Além de alegar que poderia prever quedas de raios e erupções vulcânicas, também há relatos de que o diretor maltratou sua equipe com gritos e xingamentos enquanto gravava sua série no Brasil.

Em relação ao dinheiro, Rinsch queimou boa parte no mercado de ações enquanto apostava na queda do S&P500, índice que reúne as 500 maiores empresas dos EUA, e na alta da Gilead Sciences, que na data estava testando remédios.

No entanto, como em um roteiro de filme, o diretor conseguiu recuperar a quantia perdida ao investir em criptomoedas. Após comprar US$ 4 milhões em Dogecoin (DOGE), Rinsch lucrou US$ 23 milhões em poucos meses durante a corrida de touros de 2021.

Esses US$ 27 milhões (US$ 132 milhões) poderiam ter sido usados para o término de sua série, mas tiveram outro destino. Com os lucros, o diretor comprou seis carros de luxo, um relógio de R$ 1,9 milhão, além de móveis de ponta e roupas de grife.

A série de Carl Rinsch que você provavelmente nunca verá na Netflix

Em um primeiro momento, a série se chamava “The Organic Intelligence” (A Inteligência Orgânica, em tradução livre), uma ficção cientifica sobre humanos artificiais. Os problemas já eram aparentes no início, conforme uma atriz acabou no hospital com hipotermia após gravar sem calças na neve.

Mesmo assim, Carl Rinsch captou dinheiro da produtora 30West e de Keanu Reeves, conseguindo assim gravar seis episódios curtos para vender usa ideia para grandes estúdios. Dentre os interessados estavam Amazon, Apple, HBO, Hulu, Netflix e YouTube, todos em um frenesi por conteúdos originais.

Prometendo cláusulas incomuns à Rinsch, como o corte final ao diretor e a promessa de que ele estaria no comando das possíveis temporadas seguintes, a Netflix venceu seus concorrentes. O acordo também envolveu uma soma de US$ 61,2 milhões, parte dela usada para pagar pelos direitos da obra.

A série foi então renomeada para “Conquest” (Conquista, em tradução literal), podendo ser outro sucesso da Netflix ao lado de Narcos, Black Mirror, Stranger Things e House of Cards.

“É ambientado em um futuro distópico em São Paulo, que serve de abrigo para refugiados”, aponta a descrição da série Conquest no IMDb. No elenco está a brasileira Bruna Marquezine.

Série Conquest do diretor Carl Rinsch no IMDb. Reprodução.
Série Conquest do diretor Carl Rinsch no IMDb. Reprodução.

No entanto, a série nunca ficou pronta. Durante as gravações no Brasil, Rinsch foi acusado de maltratar sua equipe com gritos, xingamentos e irritação excessiva. Já em Budapeste, capital da Hungria, o diretor teria passado dias sem dormir, afirmando que sua esposa estava planejando assassiná-lo.

Em suma, seu casamento estava no fim, sua sanidade também. Além de relatar que podia prever quedas de raios e erupções de vulcões, o diretor também afirmava ter encontrado uma maneira de mapear “o sinal de um vírus que emana de dentro da Terra”.

Diretor não entregou série para Netflix e usou dinheiro para investir em ações e criptomoedas

A Netflix despejou US$ 44,3 milhões para o diretor Carl Rinsch. Os planos eram que Conquest tivesse 13 episódios em sua primeira temporada, totalizando 120 minutos. No entanto, o diretor não entregou um único episódio para a Netflix.

Mesmo sem apresentar resultados, Rinsch pediu mais dinheiro para a Netflix, que concordou em bancá-lo em outros US$ 11 milhões. A soma agora chegava a US$ 55 milhões (R$ 270 milhões).

Segundo dados bancários, o diretor transferiu US$ 10,5 milhões para sua conta de corretagem pessoal na Charles Schwab, onde começou a realizar apostas no mercado financeiro.

Enquanto o mundo vivia uma crise de saúde, Rinsch apostou que ações da Gilead Sciences, que estava criando um remédio contra a Covid-19, iriam subir. Por outro lado, também apostou que o S&P500, índice que reúne as 500 maiores empresas dos EUA, continuaria caindo. O diretor errou suas previsões e perdeu US$ 5,9 milhões em semanas.

Rinsch então pegou os milhões que lhe restaram e depositou na corretora de criptomoedas Kraken, comprando tudo em Dogecoin (DOGE). Em uma reviravolta de sua história, seus investimentos saíram de US$ 4 milhões para US$ 27 milhões durante a alta das criptomoedas em 2021.

“Obrigado e que Deus abençoe as criptomoedas”, disse o diretor ao suporte da Kraken.

Mesmo quase triplicando o dinheiro fornecido pela Netflix, Rinsch não entregou nenhum episódio à empresa. Com parte do dinheiro, o diretor comprou 5 Rolls-Royces, uma Ferrari, um relógio de quase R$ 2 milhões da marca Vacheron Constantin, móveis para sua casa e também renovou seu guarda-roupa.

No processo de separação, Rinsch afirma que os itens de luxo são da sua série, e não dele. No entanto, em sua disputa com a Netflix o diretor afirma que, por contrato, o dinheiro é seu. Indo além, também afirma que a empresa lhe deve US$ 14 milhões de vários outros pagamentos.

As informações são do The New York Times.

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Henrique HK
Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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