Ele perdeu R$ 18 mil em corretora falsa que tem nome semelhante à empresa brasileira

Além de perder a grana, o investidor começou a ser ameaçado pelos supostos golpistas da Foxbit-trade

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Golpe usando Bitcoin
Golpe usando imagem do Bitcoin

Em abril deste ano, Antônio (nome fictício) deixou a empresa que trabalhava e recebeu R$ 18 mil na rescisão. Para fugir da poupança, que tem rendido apenas 0,12% ao mês, ele decidiu investir em um produto financeiro diferente.

Como não entende nada de finanças, Antônio recorreu ao Google. Nas pesquisas, ele leu sobre bitcoin e encontrou uma suposta exchange de criptomoedas chamada Foxbit-trade. Apesar do nome, o negócio não tem relação alguma com a Foxbit, que é uma das maiores corretoras de ativos digitais do Brasil.

foxbit-trade
FoxbitTrade

Depois dos primeiros contatos com a suposta exchange, Antônio depositou o dinheiro da rescisão. Ele caiu em um golpe e perdeu tudo. Além de não conseguir recuperar o montante, ele ainda começou a receber ameaças dos supostos golpistas.

O caso foi parar na Justiça de São Paulo. Um boletim de ocorrência também foi registrado.

Exchange falsa prometeu 300% de lucro

De acordo com a petição do caso, que a reportagem do Livecoins teve acesso, Antônio contatou a Foxbit-trade por meio da página de contato da suposta empresa falsa.

No site do negócio – disponível apenas em inglês – a corretora afirma que sua sede fica na Califórnia (EUA). Consulta no Whois aponta que o domínio foi registrado no final do ano passado. Não há informações sobre os proprietários.

exchange falsa

Depois que Antônio informou seus dados e enviou uma mensagem por meio do website, uma mulher chamada Stella Moralles – aparentemente um perfil fake – entrou em contato com ele.

Via WhatsApp, ela pediu para ele depositar R$ 18 mil em uma conta bancária de uma terceira pessoa, residente no Rio Grande do Sul. Ele questionou por qual motivo o dinheiro deveria ser enviado para uma pessoa física. Stella então informou que a conta pertencia a uma “vendedora confiável de bitcoins”.

No total, Antônio fez sete depósitos para a representante da suposta exchange. A promessa feita a ele foi que esse valor triplicaria em poucos meses.

Exchange falsa pediu R$ 1,2 mil para liberar dinheiro; ameças foram feitas

Em maio, Antônio tentou fazer a primeira retirada. Foi nesse momento que ele percebeu que havia caído em um golpe. Isso porque a tal da Stella disse que só liberaria o dinheiro se uma taxa de R$ 1,2 mil fosse paga. Ele não quis fazer o pagamento. Além disso, disse que iria processar o negócio.

Depois de dizer que entraria na Justiça, Antônio passou a receber algumas ameaças, tanto da tal Stella como da terceira pessoa que recebeu os depósitos.

“Então, se você me deixa com tanta raiva, eu vou te rastrear para onde quer que você esteja agora, você saberá que não estou brincando”, disse Stella, de acordo com trechos da petição inicial do caso.

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Ação contra suposta corretora corre na Justiça de São Paulo

Em junho, Antônio entrou com uma ação de indenização por danos materiais e morais contra a Foxbit-trade. A tal da Stella Moralles e a terceira pessoa física que recebeu os depósitos também foram citadas no processo.

No final de agosto, a juíza responsável pelo caso pediu para Antônio informar se a Foxbit-trade tem endereço no Brasil. Caso não, a única que responderá pelo suposto golpe é a “vendedora confiável de bitcoins”, que mora no Rio Grande do Sul.

Desconfie de rendimentos altos

Nos últimos anos, o Brasil foi inundado de casos de golpes associados a pirâmides financeiras. Por isso, especialistas recomendam que investidores desconfiem de empresas que prometem rendimentos gigantescos e não disponibilizam muitas informações sobre produtos.

Importante lembrar também que nenhuma exchange séria de criptomoedas promete retornos mensais, conforme disse o diretor da Accripto, Diego Martins, em entrevista realizada no início deste ano. “Uma corretora confiável não promete rentabilidade fixa e não especula com bitcoin”.

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Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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