Especialista Andrey Nousi comenta queda do Bitcoin

Cenário de taxas de juros mais altas afeta a cotação dos ativos.

Andrey Nousi
Andrey Nousi

Principal criptomoeda do mundo, o bitcoin atingiu o valor recorde de US$ 69 mil em novembro do ano passado. Contudo, em 2022, o jogo virou. Desde a marca histórica, o ativo acumula perdas superiores a 50% – atualmente, a cotação gira em torno de US$ 30 mil.

A queda drástica assustou muitos investidores. Ainda que o mercado de criptomoedas seja marcado por forte oscilação, o especialista Andrey Nousi aponta que a recente desvalorização do bitcoin é o estopim de uma nova era para ativos deste tipo.

“Como ponto de partida, é importante entender que, assim como outros ativos financeiros, o bitcoin e as demais criptomoedas são afetadas por condições macroeconômicas”, destaca Nousi.

Acontece que, em razão da pressão inflacionária mundial, diversos bancos centrais estão elevando as taxas de juros para conter a alta dos preços.

O Federal Reserve (Fed), a autoridade monetária dos Estados Unidos, por exemplo, elevou os juros para o intervalo entre 0,75% e 1% ao ano recentemente – e a perspectiva é de que as taxas continuem subindo, uma vez que a inflação acumulada em 12 meses supera 8% na economia norte-americana. O mesmo movimento é visto em outros países, como Inglaterra e Brasil.

“Uma consequência dos juros mais altos é a valorização dos títulos públicos. Com isso, muitos investidores deixam ativos de maior risco, como as criptomoedas, e investem em papéis considerados mais seguros”, explica o especialista, também CEO da Nousi Finance.

Criado em 2009, o bitcoin se desenvolveu na década passada, em um contexto de taxas de juros baixas. A perspectiva para os próximos anos, contudo, é de que os juros permanecem em patamares mais elevados.

“Acabou a época de ganhar dinheiro fácil com criptomoedas”, sintetiza Nousi. “Em 2021, qualquer planejamento envolvendo cripto trazia retornos atrativos facilmente. Já não é mais assim”, acrescenta.

De acordo com o especialista, o novo cenário exige que o investidor tenha mais conhecimento sobre o mercado. Desse modo, recomenda que os entusiastas busquem se especializar no segmento.

“O bitcoin está sendo regulado no Brasil, assim como em outros países. Isso também afeta o mercado e, consequentemente, a cotação do ativo”, pontua.

De todo modo, Nousi indica que a desvalorização da criptomoeda também traz oportunidades.

“A baixa é um bom momento para entrar no mercado, sobretudo no que mais deu rentabilidade nos últimos anos”, sugere.

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