ETF de Finanças Descentralizadas, herói ou vilão?

Pode até ser interessante comprar tokens de DeFi e efetivamente participar do ecossistema, mas isso é bem diferente de comprar um ETF na bolsa de valores.

O ETF, ou fundo listado em bolsa de valores, é um instrumento que nasceu para facilitar a vida do investidor. Embora negocie como uma ação de empresa normal, este fundo pode conter, por exemplo, cotas de uma aplicação de renda fixa.

Existem outros usos para o ETF, como a “cesta” de ações, ou investimentos em outros países, de difícil acesso ao pequeno investidor.

Dessa forma, mesmo os fundos de investimento antes restritos a ações de empresa conseguem exposição a outras classes de ativos.

Qual o problema do ETF de Finanças Descentralizadas  (DeFi)?

Quando falamos em DeFi, ou finanças descentralizadas, usualmente estamos nos referindo aos tokens de governança dos projetos. Nesse sentido, a exchange descentralizada (DEX) Uniswap está ligada ao criptoativo UNI, enquanto a stablecoin DAI é gerida pela organização autônoma MakerDAO, do token MKR.

Isso nos traz 2 grandes problemas quando o investimento ocorre de forma indireta, através do ETF:

Governança

Na teoria, a principal função desses tokens é o voto nas decisões de desenvolvimento, taxas e funcionalidades dos respectivos aplicativos descentralizados.

Se você não é dono da chave-privada do respectivo endereço, abre mão desse direito. Portanto, se um grupo de grandes investidores decidir penalizar aqueles que não participam de votações, ou criar regras prejudiciais para os demais, você fica de mãos atadas.

Staking, ou remuneração

Staking é a remuneração obtida ao depositar seus tokens nas cooperativas (pools) de liquidez das aplicações DeFi. Não há como participar dessas aplicações com as moedas “presas” no fundo ETF.

Além disso, é comum que esses projetos destinem moedas como incentivos, especialmente no início de vida, como premiação. Nesse caso, parte dos tokens da emissão inicial é “doada” para cestas (pools) em outras aplicações de DeFi. O objetivo é  aumentar artificialmente a taxa de retorno (APY), e assim garantir liquidez no mercado.

Vale a pena comprar o ETF de DeFi?

Pessoalmente, acredito que DeFi não é um bom setor para se investir na forma “passiva”, ou seja, comprar o token e deixar parado na carteira (wallet). Para burlar a regulação, os projetos só podem remunerar os investidores através das cestas (pools).

Desse modo, pode até ser interessante comprar tokens de DeFi e efetivamente participar do ecossistema, mas isso é bem diferente de comprar um ETF na bolsa de valores.

Outro fator regularmente esquecido são as brechas nesses aplicativos de finanças descentralizadas. Isso envolve falhas no código-fonte, ataques no oráculo, o provedor de dados externos, e hacks “inteligentes” envolvendo empréstimos instantâneos (flash loans) ou favorecimento na sequência de blocos minerados.

Portanto, se você quer ficar “sentadinho” em casa, porém deseja exposição às criptomoedas, e não pode comprá-las diretamente por questões regulatórias, é prudente focar somente no ETF de Bitcoin.

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Marcel Pechman
Marcel Pechman é trader e analista de criptomoedas desde 2017. Atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Além de YouTuber em seu canal RadarBTC, foi reconhecido em diversas premiações como um dos maiores interlocutores do Bitcoin do país. Maximalista convicto, acredita na falência da moeda fiduciária, aquela emitida por governos.

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