Ethereum e as exchanges descentralizadas

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Setembro foi um mês excepcional para as exchanges descentralizadas (DEX), que atingiram US$ 733 milhões de volume médio diário. Para efeito de comparação, a Coinbase, maior exchange dos EUA, faz metade deste número.

DEX é o fim das exchanges centralizadas?

Alguns vão dizer que as DEX vão “matar” as exchanges tradicionais, e isto dá segurança para a compra de Ethereum (ETH), a rede mais utilizada. Aí que mora o problema, pois primeiramente as DEX não competem diretamente, ao menos hoje, com as demais exchanges.

Em seguida, temos uma outra questão, que é a competição de outras criptomoedas por este mercado de finanças descentralizadas (DeFi). É inegável o potencial da Binance Chain, por trás da Binance Coin (BNB). Independente de ser ou não um “clone” da Ethereum, conta com a força da maior exchange do mundo em volume e número de clientes.

A prova disto? Enquanto o Ether (ETH) caiu 27% em setembro, BNB subiu 26,5%. Um dos motivos foi o lançamento do Protocolo Venus de DeFi na Binance Chain. 

Este mercado, no entanto, é liderado pela Uniswap, com 68% do volume, ou US$ 500 milhões por dia. Sem dúvida esses números são impressionantes, mas será mesmo comparável com o mercado tradicional?

Acima temos os dados mensais extraídos da Dune Analytics, onde é possível notar o crescimento vertiginoso dos últimos três meses.

Quem é o usuário das DEX?

Vamos começar pelas diferenças. No Uniswap não há taxa de corretagem, exceto a cobrança da taxa GAS da rede Ethereum para qualquer transação. Além disso, na exchange descentralizada não há entrada ou saída de dólares, euros, ienes, etc.

É verdade que o uso das stablecoins reduz essa necessidade da circulação de dinheiro não-digital, mas não atende a todos. Outra grande diferença é o livro de ofertas, já que a exchange DEX calcula um valor e o usuário decide se tem ou não interesse na troca.

Em suma, quem busca DEX:

  • não está buscando trocas envolvendo dinheiro fiduciário;
  • possui algum nível experiência para usar MetaMask;
  • provavelmente está realizando trades envolvendo DeFi, na maioria das vezes de forma automatizada.

Nem todos se beneficiam das DEX

Se pensarmos no cliente usual das exchanges tradicionais, é justamente o oposto. Não importa se estamos falando do novato, ou o trader mais experiente, que deixa alguma quantia parada na exchange justamente para aproveitar distorções.

O iniciante além de não ter ETH para pagar as taxas GAS necessárias para utilizar a DEX, não possui experiência ou segurança para usar o MetaMask. Já o usuário mais avançado busca um gráfico de cotações e livro de ofertas, algo que não é oferecido na DEX.

Em suma, não é razoável assumir que DEX vai matar as exchanges centralizadas no curto ou médio-prazo, e que necessariamente o Ethereum (ETH) irá reinar absoluto.

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Marcel Pechman
Marcel Pechman é trader e analista de criptomoedas desde 2017. Atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Além de YouTuber em seu canal RadarBTC, foi reconhecido em diversas premiações como um dos maiores interlocutores do Bitcoin do país. Maximalista convicto, acredita na falência da moeda fiduciária, aquela emitida por governos.
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