Facebook apoia o Real digital, mas segue de olho em stablecoins

Há alguns pontos que devem ser melhor esclarecidos.

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Yana Dumaresq, diretora do Facebook na América Latina em evento do Banco Central do Brasil
Yana Dumaresq, diretora do Facebook na América Latina em evento do Banco Central do Brasil/Reprodução

De acordo com a diretora do Facebook na América Latina, Yana Dumaresq, a rede social criada por Mark Zuckerberg apoia o Real digital no Brasil, apesar de algumas dúvidas sobre a nova moeda que está sendo planejada pelo Banco Central do Brasil.

Vale notar que o Facebook já atua no setor de pagamentos globais desde 2009, com uma experiência na área de pagamentos pela internet. No Brasil, a companhia já processa pagamentos com empresa legalizada no Brasil e atendendo às regulamentações locais, lembrou a diretora.

Dumaresq é ex-funcionária do governo brasileiro, com experiência nos Ministérios da Indústria e de Economia. Nesta quinta-feira (19), o 2.º Webinário sobre o Real Digital, com temas de Cidadania, segurança de dados, sigilo e rastreabilidade foi apresentado pelo BCB.

Diretora do Facebook lembrou que empresa apoia o Real digital, o CBDC brasileiro

Conforme Yana Dumaresq, o sistema financeiro tradicional impõe um alto custo para se manter. Além disso, várias pessoas seguem fora dos bancos no Brasil.

Com tudo isso em destaque, a diretora do Facebook na América Latina afirmou que o Real digital tem um grande potencial de melhorar o sistema financeiro, com uso de tecnologias. Ela lembrou que os desbancarizados, em sua maioria, possuem acesso a smartphones, o que pode representar uma oportunidade para as inovações.

Ela lembrou que o Facebook Financial espera trabalhar em conjunto com as regulamentações, com moedas digitais de alta qualidade e boas infraestruturas com carteiras digitais inclusivas.

Representando o Facebook no evento do Banco Central do Brasil, Yana lembrou que a rede social apoia a CBDC, considerando essa inovação muito importante. Mas ela ponderou que em conversas com o BCB, a companhia pede que a autarquia brasileira crie um sistema que dê suporte a interoperabilidade.

Mesmo assim, ela lembrou que a estratégia da empresa está ligada a todos os CBDCs de bancos centrais pelo mundo. Alguns poderão não atender as demandas do Facebook, o que pode atrapalhar para que a empresa dê suporte.

“A gente encoraja CBDCs, mas estamos de olho nas stablecoins”

A diretora do Facebook lembrou que apesar de apoiar o Real digital e outras CBDCs pelo mundo, a companhia observa com entusiasmo as criptomoedas estáveis, conhecidas popularmente como stablecoins.

Às duas maiores em valor de mercado hoje são a Tether (USDT) e USD Coin (USDC), emitidas por grandes empresas do mercado de criptomoedas.

Vale notar que para entrar na mira do Facebook, as stablecoins devem seguir a regulamentação e ter reservas financeiras sólidas no mercado. Dessa forma, a gigante empresa está acompanhando este setor atentamente.

“O X da questão aqui é nós estarmos imersos em um ecossistema regulatório transparente, proporcional, suficiente para endereçar os riscos neste setor. Mas do ponto de vista do mercado e de empresas como o Facebook é uma grande oportunidade que será perseguida”.

Deste evento apresentado pelo Banco Central do Brasil no seu YouTube oficial, participaram também a professora da PUCSP, Dora Kaufman e a Diretora de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Silvia Amelia Fonseca de Oliveira.

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Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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