Falência de corretoras de criptomoedas deixa influenciadores em apuros: “Vendi até minha cama”

"Vendi um pedaço de terra, até minha cama... tudo que comprei com o dinheiro que ganhei com cripto, para pagar as pessoas." - diz influenciador.

O continente africano foi um dos grandes alvos de marketing da FTX e outras empresas de criptomoedas. A instabilidade financeira de vários países atraiu investidores e, claro, muitos dispostos e fazer propaganda para essas companhias. Com o colapso do setor, muitos que promoveram a FTX ou outras corretoras que quebraram estão na mira dos investidores prejudicados.

Como mostrado pelo site Context, o estudante nigeriano Cosmas Elijah, de 22 anos, foi um grande apoiador e fez parte do marketing da exchange de criptomoedas AAX, chegando a ser um “embaixador” da corretora de Hong Kong.

Após o colapso da AAX, seu telefone não para de tocar, com investidores cobrando dele a responsabilidade por terem investido em uma corretora que acabou falindo, com alguns até mesmo o ameaçando.

“Sempre que olho para o meu telefone, há alguém ameaçando me machucar se eu não devolver o dinheiro”, disse Elijah, estudante da Universidade Ignatius Ajuru, no sul da Nigéria.

O medo das ameaças e a culpa de ter feito propaganda para a corretora que causou vários prejuízos fez com que ele usasse seu próprio dinheiro para tentar devolver um pouco para os prejudicados.

“Vendi um pedaço de terra, até minha cama… tudo que comprei com o dinheiro que ganhei com cripto, para pagar as pessoas. Ainda não é o suficiente”, disse ele à Context durante entrevista.

O uso de estudantes da Nigéria como garotos propagandas era comum, com a AAX solicitando que os seus “embaixadores” recrutassem 50 usuários para negociar US$ 250 semanalmente na plataforma.

A exchange recrutou quase 50 influenciadores na Nigéria no final de 2022, de acordo com documentos vistos pela Thomson Reuters Foundation. Após a falência da corretora, todos eles foram ignorados e deixados de lado, sem qualquer apoio.

FTX também contratava influenciadores na Nigéria

De acordo com as informações do Context, a FTX tinha uma estratégia bem similar ao da AAX, usando estudantes como embaixadores e pedindo que eles recrutassem outros. Os embaixadores da FTX receberam a tarefa de recrutar 20 usuários por mês para investir de US$ 50.000 a US$ 100.000 no total.

Com isso, os influenciadores ganhavam comissões a cada nova assinatura, o que motivava eles a irem atrás de outros investidores, um esquema similar ao de pirâmides financeiras.

“Sempre foi: ‘você deve conseguir 100 pessoas, você deve trazer estudantes, você deve indicar, você deve fazer com que tragam dinheiro'”, disse Mary, 22, que ingressou na FTX como embaixadora.

Da esperança das criptomoedas ao desespero

Diversos países da África possuem uma história complicada, explorados por seus colonizadores, muitos ainda não se recuperaram desses problemas. Sendo assim, o mercado de criptomoedas é visto como uma grande esperança para quem quer escapar do sistema financeiro tradicional.

“Conseguimos escapar de ter que procurar emprego, porque não há empregos.”, disse Yemi, uma das embaixadoras de exchanges na Nigéria.

Agora, esses que antes viam esperança de uma vida melhor, estão com medo de seus celulares, medo das pessoas que estão cobrando eles e tanto a FTX quanto a AAX não possuem planos para protegê-los de qualquer forma.

Peter Howson, professor da Northumbria University, disse que as exchanges estão aproveitando da situação do país para recrutar estudantes para fazerem o marketing delas e os deixando “em apuros” assim que algo dá errado.

“As corretoras estão recrutando estudantes de forma dissimulada para promover esquemas Ponzi nas comunidades mais pobres e vulneráveis ​​do mundo. Embaixadores são recrutados e são deixados em apuros.”, disse howson.

💰 $100 de bônus de boas vindas. Crie sua conta na maior corretora de criptomoedas do mundo e ganhe até 100 USDT em cashback. Acesse Binance.com

Entre no nosso grupo exclusivo do WhatsApp | Siga também no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

Matheus Henrique
Matheus Henrique
Fã do Bitcoin e defensor de um futuro descentralizado. Cursou Ciência da Computação, formado em Técnico de Computação e nunca deixou de acompanhar as novas tecnologias disponíveis no mercado. Interessado no Bitcoin, na blockchain e nos avanços da descentralização e seus casos de uso.

Últimas notícias