Investidor assustado com Bitcoin
No dia 19 de agosto de 2025, um investidor anônimo sofreu uma perda devastadora de exatamente 783 bitcoins (BTC), equivalentes a cerca de US$ 91 milhões com o Bitcoin cotado em torno de US$ 116.000 por unidade.
O caso, revelado pelo renomado investigador de blockchain ZachXBT em uma postagem no X apenas dois dias depois, em 21 de agosto, expõe a vulnerabilidade cruel do ecossistema cripto a golpes de engenharia social.
Criminosos, se passando por representantes de suporte de uma exchange de criptomoedas e de uma fabricante de carteiras de hard wallets, manipularam a vítima para que revelasse sua frase-semente – a sequência de 12 ou 24 palavras que atua como chave-mestra para acessar e controlar a carteira inteira.
Em questão de minutos, os fundos foram transferidos em uma única transação para um endereço controlado pelos golpistas, e em seguida, fragmentados e canalizados para a Wasabi Wallet, uma ferramenta de privacidade que usa protocolos de mistura para ofuscar o rastro.
Coincidentemente, o roubo ocorreu no aniversário de um ano de outro golpe similar, que vitimou um credor da Genesis em US$ 243 milhões, destacando padrões recorrentes nessa tática criminosa.
Relatórios recentes indicam perdas já na casa dos bilhões em 2025 — por exemplo, estimativas publicadas até meados do ano apontam valores entre cerca de US$ 2,2 bilhões e US$ 2,5 bilhões — com forte contribuição de golpes de engenharia social e comprometimento de carteiras.
A participação exata da ‘engenharia social’ varia conforme a base de dados, mas a tendência é de alta com o avanço de deepfakes e vozes sintéticas.
Esse não é apenas mais um caso isolado; é um alerta urgente para todos os investidores, de novatos a baleias.
Entender e combater esses riscos é essencial. Nesse artigo, vamos dissecar o golpe, comparar a segurança cripto com a de bancos tradicionais e apresentar um sistema de blindagem em três níveis – Bronze, Prata e Ouro – para proteger seus ativos de forma escalável e prática.
Engenharia social não é um hack técnico sofisticado, como um vírus ou exploit de software; é uma manipulação psicológica que explora fraquezas humanas como confiança, urgência ou medo.
No caso desse investidor, os criminosos usaram comunicações falsas – provavelmente chamadas telefônicas ou mensagens que pareciam vir de fontes oficiais – para criar um cenário de “emergência”. Eles fingiram ser suporte técnico, alegando problemas na conta ou na hard wallet, e convenceram a vítima a fornecer credenciais e, pior, a frase-semente.
Para iniciantes: pense na frase-semente como a senha definitiva do seu cofre digital. Ela é gerada aleatoriamente e permite recriar toda a carteira, incluindo chaves privadas, em qualquer dispositivo compatível. Quem a tem ganha controle total, sem precisar de senhas adicionais.
Para usuários mais técnicos: a mnemônica segue o padrão BIP-39 e representa 128–256 bits de entropia (com checksum via SHA-256).
A mnemônica (com passphrase opcional) é expandida por PBKDF2-HMAC-SHA512 (2048 iterações) para um seed de 512 bits, a partir do qual são derivadas carteiras HD conforme BIP-32 (e caminhos como BIP-44).
De posse dessa mnemônica, golpistas podem assinar e transmitir transações rapidamente.
Após o roubo, os fundos foram “lavados” em etapas independentes: primeiro, divididos em porções menores via peeling chain (técnica que fragmenta UTXOs – Unspent Transaction Outputs – para dificultar rastreamento heurístico) e, em seguida, misturados na Wasabi Wallet por meio do protocolo CoinJoin, que agrega transações de múltiplos usuários para elevar o nível de anonimato (anonset) a centenas.
Esse processo torna o rastreamento probabilístico significativamente mais difícil. No entanto, existem casos documentados em que o reagrupamento de UTXOs ou o envio direto a exchanges com KYC permitiram a identificação parcial dos fluxos ilícitos por meio de heurísticas.
A parcela de fundos ilícitos enviados a mixers oscila por período; relatórios anteriores estimam que cerca de 8% das transações ilícitas em Bitcoin envolvem mixers como esse, com tendência de queda em 2023. Em todo caso, o uso de mixers dificulta a recuperação.
Históricos semelhantes incluem o roubo da Ronin Network em 2022 (US$ 600 milhões por chaves comprometidas). Com IA amplificando deepfakes, esses ataques estão evoluindo, tornando a prevenção não só técnica, mas comportamental.
Enquanto bancos tradicionais e instituições financeiras oferecem uma rede de segurança robusta, o mundo cripto transfere toda a responsabilidade para o usuário – e isso muda tudo. Aqui vai uma comparação clara para ilustrar os riscos:
Sendo assim, bancos agem como guardiões; no cripto, você é o guardião. Erros são permanentes, exigindo vigilância constante – mas com as estratégias certas, você pode mitigar riscos e desfrutar da liberdade descentralizada.
Proteger criptomoedas é como fortificar uma casa: comece com o básico e adicione camadas conforme o valor em jogo. Apresentamos três níveis de blindagem, adaptados a diferentes perfis – de iniciantes com pequenos investimentos a baleias com fortunas em risco.
Cada nível inclui recomendações práticas, explicando por que funcionam e como implementá-las, com foco em prevenção contra engenharia social e outros vetores.
Blindagem Bronze: Segurança Essencial – Para Todos os Usuários, sem Complicações Técnicas
Esse nível é o mínimo indispensável, ideal para quem está começando ou tem ativos moderados (até US$ 10.000). Foca em hábitos simples que bloqueiam 80% dos golpes comuns, sem exigir conhecimento avançado.
Com Bronze, você evita erros básicos como o da vítima, custando pouco tempo e dinheiro (uma carteira fria pode ser adquirida por preços a partir de R$ 1500 ).
Blindagem Prata: Proteção Avançada – Para Usuários Intermediários com Monitoramento Ativo
Indicado para quem tem investimentos médios (US$ 10.000 a US$ 100.000) e quer controle extra. Adiciona monitoramento e redundâncias, elevando a defesa contra ataques direcionados.
Prata adiciona proatividade, custando mais esforço mas reduzindo riscos em 90% para usuários moderados.
Blindagem Ouro: Proteção Máxima – Para Investidores de Alto Risco com Ferramentas Profissionais
Para baleias ou quem lida com valores acima de US$ 100.000, onde perdas seriam catastróficas. Inclui técnicas de ponta para defesa contra ameaças avançadas, incluindo IA e ataques estatais.
Ouro exige expertise ou consultoria, mas oferece defesa quase impenetrável, ideal para grandes portfólios.
O roubo de US$ 91 milhões não é só uma manchete chocante; é um lembrete visceral de que, no universo das criptomoedas, você é o banco – com toda a liberdade e risco que isso implica.
Diferente das instituições financeiras tradicionais, onde erros podem ser revertidos por reguladores ou seguros, aqui as consequências são definitivas. Mas com conhecimento e ação, você pode virar o jogo.
Escolha seu nível de blindagem – Bronze para o essencial, Prata para o avançado ou Ouro para o máximo – baseado no tamanho do seu investimento e tolerância a riscos. O segredo?
Torne a segurança um hábito diário: verifique tudo, eduque-se continuamente aqui no Livecoins e lembre-se: a melhor defesa é a prevenção. Não espere o próximo golpe; blinde seus ativos hoje e preserve sua confiança no futuro descentralizado das finanças. Fique atento, invista com sabedoria e proteja o que é seu!
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