Governo Bolsonaro fez propaganda em sites que ofertam investimentos ilegais, diz CPMI

No período analisado, o governo federal divulgava uma campanha sobre a Reforma da Previdência.

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Levantamento da CPMI das Fake News divulgado na noite de terça-feira (2) pelo jornal O Globo apontou que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgou cerca de 2 milhões de anúncios em 843 sites de natureza duvidosa.

Sete dos portais que receberam propaganda do executivo federal oferecem investimentos ilegais. Os nomes dos sites e empresas e os tipos de investimentos disponibilizados não foram citados na reportagem.

Ofertas ilegais, segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), são pirâmides financeiras, esquemas “ponzi”, mercado Forex e oferecimento de investimentos em criptomoedas sem autorização da autarquia, que é responsável por regular o mercado de capitais.

Um dos golpes recentes envolvendo o mercado Forex foi o promovido pela Unick Forex, que movimentou R$ 29 bilhões de forma ilegal. Já uma suposta pirâmide financeira de criptomoedas é a GenBit, que está sendo investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público por causa de um golpe de cerca de R$ 1 bilhão.

Anúncios foram feitos por meio de plataformas do Google

De acordo com o relatório, que foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), os anúncios foram feitos entre 6 de junho e 13 de julho de 2019 pela Secom (Secretária Especial de Comunicação Social da Presidência da República).

No período analisado, o governo federal divulgava uma campanha sobre a Reforma da Previdência.

Essas propagandas, ainda segundo o relatório da comissão, foram feitas por meio das plataformas AdSense e AdWords, do Google. Ambas são programas de publicidade que permitem a divulgação de anúncios em sites escolhidos ou no próprio buscador, por meio de links patrocinados.

Sites pornôs e de jogos de azar receberam anúncios

Além de sites que oferecem investimentos ilegais, o documento da CPMI apontou que o governo federal gastou verba pública com anúncios em quatro sites pornográficos e 12 portais focados em jogos de azar.

Outros 47 portais de fake news também receberam anúncios pagos com dinheiro do contribuinte. Alguns dos beneficiados foram os seguintes: “Sempre Questione”, “Jornal 21 Brasil”, “Jornal da Cidade Online”, “Diário do Brasil”, “Imprensa Viva”, “Gospel Prime”, “Diário do Centro do Mundo” e “Revista Fórum”.

Youtubers como o blogueiro Allan dos Santos, dono do canal “Terça Livre TV”, também figuram na lista do governo federal. Outros canais usados para promover o nome do presidente Bolsonaro, como o “Top Bolsonaro Wallpapers”, também foram citados.

Veiculação em sites que promovem presidente podem ferir a Constituição

De acordo com a colunista do UOL Constança Rezende, que também teve acesso ao relatório, os parlamentares da comissão disseram que divulgar publicidade em canais ou sites que promovem o nome de Bolsonaro pode ferir o § 1º do art. 37 da Constituição Federal.

Isso porque, diz o documento citado pela jornalista, ao promover o presidente com dinheiro público “abre-se a possibilidade de se interpretar tal fato como utilização da publicidade oficial para promoção pessoal, conduta vedada pela Carta Magna”.

Lucas Gabriel Marins
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
ichael Saylor, Paul Tudor Jones II, Stanley Druckenmiller

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