Lições do filme “The Big Short – A grande aposta”

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O filme “A grande aposta” de 2015 é um clássico inspirado no livro homônimo de Michael Lewis, e retrata a quebra do sistema financeiro norte-americano em 2007/8. Instrumentos  fraudulentos eram vendidos como AAA, ou seja, de baixíssimo risco, porém em sua maioria composto de títulos imobiliários podres.

O final da história todos conhecem, a falência dos bancos Bear Stearns e Lehman Brothers, além do pacote de 900 bilhões de dólares para salvar o sistema financeiro. Olhando essas cifras atualmente os valores parecem irrisórios, mas na época, o dólar ainda valia alguma coisa.

Qual a “moral da história”?

Alguns fundos de investimento perceberam a mega-cagada que se formava, e apostaram no calote desses contratos imobiliários. Os bancos jogaram pesado manipulando as cotações desses títulos, mas através de insistência e insanidade financeira, este pequeno grupo de gestores saiu com lucros de 4 bilhões de dólares.

Do outro lado, tivemos os executivos de bancos recebendo bônus recordes, e para piorar, os governos descobriram que podem imprimir sem limites, comprando não só os títulos imobiliários podres, como debêntures de empresas, e até mesmo ações no mercado secundário. É literalmente a cobra comendo seu próprio rabo.

Como e quando acaba a festa?

Ao contrário do imaginário popular, essas dívidas de países não foram criadas para serem pagas. Os detentores dos títulos da dívida norte-americana, além dos bancos, fundos de investimento, e do próprio Federal Reserve, são outros países, reféns das maiores economias.

A Rússia anunciou recentemente que irá se desfazer dos investimentos em dólar, enquanto a China já havia iniciado a redução gradual de sua exposição. Veja bem, uma crise de confiança nos Treasuries não é saudável para ninguém, pois se existe dúvida da capacidade de pagamento de juros nos EUA, o que aconteceria com os títulos dos demais países?

Afinal, dívida é ruim?

Não existe uma única resposta, pois são diferentes correntes de pensamento econômico. Não importa, pois agora que o pacote de trilhões de dólares virou o “padrão”, pagar dívida é questão de injetar mais liquidez.

O problema é quando o mercado exige um desconto muito grande, ou prazo curto para pagamento. Isso certamente irá ocorrer primeiro em economias mais frágeis, antes de virar um problema para os EUA ou Europa. Por isso, o dólar se fortalece em crises.

Como apostar na “quebra” desse sistema?

Não vale a pena, pois como foi explicado, com a impressora ligada, a única certeza é a inflação. É possível que ocorra um crash generalizado quando os países começarem a subir juros, mas isso pode levar alguns anos.

Sua única saída é buscar ativos relativamente escassos e líquidos, e o Bitcoin é um forte candidato.

Por isso, devagar e sempre, acumule satoshis.

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Marcel Pechman
Marcel Pechman é trader e analista de criptomoedas desde 2017. Atuou como trader por 18 anos nos bancos UBS, Deutsche e Safra. Além de YouTuber em seu canal RadarBTC, foi reconhecido em diversas premiações como um dos maiores interlocutores do Bitcoin do país. Maximalista convicto, acredita na falência da moeda fiduciária, aquela emitida por governos.

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