A Polícia Civil (PC) e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) avançaram nas investigações da Operação Vérnix na sexta-feira (29), quando o inquérito indiciou sete pessoas por suspeita de lavagem de dinheiro com uso de criptomoedas e associação criminosa.
Investigadores solicitaram o aumento do bloqueio de bens dos suspeitos aos juízes do caso. O pedido inclui a apreensão de carros e a custódia judicial de joias luxuosas.
A operação inicial ocorreu na quinta-feira (21) com a prisão da influenciadora digital Deolane Bezerra. Policiais cumpriram mandados de busca para desarticular um esquema milionário ligado a uma facção criminosa.
A investigação não revelou quanto foi o valor movimentado em cripto, nem como.
Operação Vérnix rastreia uso de criptomoedas por suspeitos
Agentes públicos relataram a descoberta de operações financeiras com criptoativos para esconder o rastro do capital. A tática de dispersão no ecossistema digital visava dificultar o trabalho das polícias na caça aos recursos desviados.
Os peritos identificaram a reestruturação de empresas de fachada durante as análises dos materiais confiscados. Deolane é investigada por vínculos com dezenas de cadastros de pessoas jurídicas em um único endereço para facilitar as fraudes.
Desta forma, o esquema movimentou cerca de R$ 327 milhões sem justificativas legais de faturamento. Os líderes da organização utilizavam a fama da investigada para dar aparência legal aos repasses.
O Tribunal de Justiça determinou o sequestro de 17 automóveis com valor superior a R$ 8 milhões. A ordem judicial atingiu quatro imóveis de luxo sob o nome dos integrantes do esquema.
Investigações revelam laços com cúpula de facção
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) aponta a influenciadora como peça central das fraudes. A mulher é alvo da investigação que apura se ela ajudava a lavar os ganhos do grupo liderado pelos irmãos Marco (Marcola) e Alejandro.
Eles já cumprem penas em um presídio de segurança máxima na capital federal. As apurações indicam a participação de sobrinhos dos detentos em transações feitas fora do país.
Tribunais do Brasil acionaram a corporação da Interpol para localizar três investigados em fuga. Os foragidos buscaram refúgio em países como Itália, Espanha e Bolívia nas semanas anteriores.
A Polícia Federal (PF) assumiu a coordenação destas buscas internacionais por meio de difusões vermelhas e a estratégia busca fechar o cerco contra o braço econômico do crime no exterior.
Bilhetes em presídio deram início às apurações policiais
O início de todo o trabalho remete ao ano de 2019 com a interceptação de recados de papel. Guardas de uma penitenciária paulista acharam ordens de ataques contra servidores do estado nas celas.
A partir desse ponto, os policiais mapearam uma rede logística focada em esconder dinheiro ilícito. Uma transportadora do interior de São Paulo servia de fachada para justificar a evolução do caixa.
Além disso, o celular de um alvo preso trouxe à tona as conversas com a criadora de conteúdo digital. Os registros atestaram a intimidade e o fluxo de transações atípicas entre as partes.
Líderes do MP destacaram a complexidade da estrutura de lavagem durante a coletiva de imprensa. Dirigentes do órgão reforçaram o foco de inibir a entrada de jovens em esquemas do crime.
Autoridades pediram o compartilhamento dos dados coletados para apurar supostos crimes de impostos em novas frentes. O trabalho de cruzamento de evidências continua em curso para frear o poder financeiro dos infratores.
