“‘Rei do Bitcoin’ não tinha dinheiro nem para gasolina”, diz depoimento de preso em operação da PF

Esposa de Cláudio foi solta.

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Claudio Oliveira, controlador do Grupo Bitcoin Banco. Imagem/Divulgação
Claudio Oliveira, controlador do Grupo Bitcoin Banco. Imagem/Divulgação

As investigações da Polícia Federal que levaram à prisão do “Rei do Bitcoin” continuam revelando mais detalhes sobre os esquemas do Bitcoin Banco, do funcionamento da empresa e até mesmo do comportamento de Cláudio Oliveira, o CEO do grupo. Um dos apreendidos afirmou durante depoimento que Oliveira era a “evolução do estelionatário”, mas que ao mesmo tempo pedia dinheiro emprestado para colocar gasolina no carro. 

De acordo com o RPC Curitiba, Rodrigo Martinelli Laport, que foi preso durante a operação da PF, falou sobre a sua relação com o “Rei do Bitcoin”, afirmando que sempre emprestava dinheiro e bens para o CEO do Grupo Bitcoin Banco (GBB). Após o depoimento, Rodrigo foi autorizado a ser liberado pela polícia.

“Eu achei que ele era o estelionatário 2.0, mas pedia dinheiro emprestado para gasolina”

Rodrigo disse que não tinha nenhum conhecimento sobre as irregularidades nas empresas de Cláudio e era apenas um credor, acreditando que o GBB seria uma ótima oportunidade de investimento.

De acordo com Rodrigo, ele acreditava que Claudio era um tipo diferente de estelionatário “escondendo um bolo maior”, segundo o seu depoimento ele desconfiava que ele tinha bens guardados e usava os que tinha declarado como fachada.

“Qual o sinal que você vê que é um estelionato? Quando acontece realmente, o cara some, não tem nada no nome dele. Você vai ver o cara não tem conta, apartamento, carro, não tem nada. E no caso dele tinha casa, um monte de coisa na declaração, os carros. Então, eu achei teoricamente que o cara era a evolução do estelionatário, o estelionatário 2.0, que ele deixa umas migalhas para disfarçar de um bolo maior que está com ele.”

No entanto, Rodrigo começou a notar que o comportamento de Oliveira era estranho em relação a dinheiro, sempre pedindo emprestado porque não tinha nem o suficiente para botar gasolina no carro.

“Só que com o tempo, a gente foi vendo que não era isso, porque não era possível o cara com um bolo maior guardado e pedindo R$ 100 emprestado porque não tinha dinheiro para botar gasolina”.

Esposa de Cláudio foi solta

Outras pessoas presas durante a operação foram Lucinara Oliveira, esposa de Cláudio, e Cibele Golo, uma funcionária do GBB que teve um relacionamento com ele.

De acordo com o seu depoimento, Lucinara é apenas casada no papel com o empresário, mas que, de fato, não têm nenhum relacionamento afetivo com ele.

Ela disse que começou a tentar ajudar a empresa a resolver seus problemas quando tudo começou. Ela afirma que Cláudio tentou fazer diferentes acordos e conseguir manter a empresa funcionando.

“Ele trabalhou muito, lutou muito, correu muito atrás, tentou de todo jeito, tentou fazer um acordo com os clientes. Eu não sei quando que finalizaram os acordos, mas acredito que não deu certo. Mas eu sei que ele tentou na Justiça, ele tentou pagar. Isso era o que ele me dizia”.

Já segundo as investigações, Cibele recebeu diferentes presentes de Cláudio, incluindo uma pulseira de quase R$ 50 mil que ela usou durante o depoimento. Cibele mantém a mesma versão que Cláudio conta sobre o começo dos problemas no GBB, com clientes com saldo duplicado (algo que não foi comprovado até o momento).

“Tinha muitas questões técnicas, tinha muito problema, saldo duplicado, tinha clientes com valores maiores, tinha muita gente sacando. Foi na época que foi acionada a Polícia Federal, daí começou a dar problema no banco, começou a dar problema de pagamento, não conseguia pagar ninguém.”

A justiça autorizou que Lucinara Oliveira fosse liberada, já Cibele continua em prisão preventiva, com a polícia pedindo prorrogação do período.

Declaração de falência das empresas do Grupo Bitcoin Banco

Além dos depoimentos, outra atualização importante no caso foi que 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba decretou, na última quarta-feira (7), a mudança de recuperação judicial para falência das empresas que compõe o Grupo Bitcoin Banco.

Agora o GBB tem 5 dias para apresentar documentos com a relação de todos os credores que foram prejudicados.

Estima-se que o número pode chegar a até 7 mil clientes. Além disso, a Vara de Falências e Recuperação Judicial também pediu que a Justiça Federal entregue uma relação com todos os bens aprendidos pela operação realizada no começo da semana para que eles possam ser usados para ressarcir os credores durante o processo de falência. 

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Matheus Henrique
Fã do Bitcoin e defensor de um futuro descentralizado. Cursou Ciência da Computação, formado em Técnico de Computação e nunca deixou de acompanhar as novas tecnologias disponíveis no mercado. Interessado no Bitcoin, na blockchain e nos avanços da descentralização e seus casos de uso.

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