Segundo dia de TokenNation discute privacidade e mercados preditivos

Regulação foi o assunto que dominou o debate nos palcos do evento

O encerramento da programação do TokenNation foi marcado pela discussão de temas urgentes para o mercado de tokenização de ativos. Ao longo dos painéis, os participantes defenderam que o amadurecimento do setor passa pela combinação entre educação, infraestrutura, regulação, segurança e usabilidade. 

O TokenNation aconteceu nos dias 1° e 2 de junho, no Pavilhão da Bienal de São Paulo e levou aos palcos grandes empresas como iFood, Google e Sebrae. O evento foi patrocinado pela BingX, Binance, Juntos por Cripto e Capitare.

“O TokenNation reuniu exatamente o perfil de público que queremos alcançar: profissionais e entusiastas que estão na vanguarda da Web3 e entendem para onde o setor está caminhando. Foi uma oportunidade valiosa para apresentarmos nossa nova orientação estratégica com foco em inteligência artificial. Saímos com uma leitura mais clara das tendências que estão moldando o mercado e do que os principais players estão construindo”, explica Denis Cavale, Business Development Manager na BingX.

Ganhe R$ 50 em Bitcoin direto na sua conta. Abra sua conta na Mynt e receba o cashback. Use o cupom:LIVE50 Mynt.com.br

Privacidade na indústria onchain

Entre os destaques da programação esteve o painel “Privacidade na indústria onchain”, com a participação de Rocelo Lopes (Rezolve AI), Amandita (Zcash Brasil), Daryl Akamine (Ledger) e Thiago Amaral (Barcellos Tucunduva Advogados). A conversa abordou os desafios de conciliar privacidade e transparência em um mercado cada vez mais observado por autoridades, empresas e usuários.

Thiago Amaral destacou que o custo regulatório para garantir privacidade é alto, mas necessário.

“O custo regulatório é alto para garantir a privacidade, mas é importante e necessário. Nosso papel é ensinar o regulador, que ainda não entende sobre a tecnologia. Culturalmente, para o brasileiro, a privacidade é mal vista. No Brasil, quem pede privacidade parece querer esconder a origem do dinheiro, o que não é verdade”, afirmou Thiago Amaral, sócio do Barcellos Tucunduva Advogados e professor da FGV/SP.

Para Amandita, os vazamentos recorrentes de dados mostram que a discussão sobre privacidade ainda está descontrolada.

Não é sobre esconder, é sobre proteger. Hoje em dia, perder seus ativos custodiados por terceiro é um risco que a autocustódia pode eliminar. Discordo que a vigilância de massa seja uma lenda. Pode ser que seja a justificativa, mas a vigilância da massa é muito forte e profunda no setor público e privado. Até que ponto vai nosso livre arbítrio? Os vazamentos de dados constantes mostram que a privacidade é um ponto sem regulação e está descontrolada. Compliance virou um sinônimo de vigilância”, discorreu Amandita, comunicadora e apresentadora no Zebra Talks.

Daryl Akamine também defendeu a importância da autocustódia.

A privacidade é diferente do anonimato. A privacidade pede por autocustódia. Sem suas chaves, não existe soberania sobre seus dados e todo o resto deixa de fazer sentido”, afirmou Daryl Akamine, country manager da Ledger no Brasil. 

Rocelo Lopes avaliou que projetos de privacidade tendem a enfrentar atritos com reguladores, mas ressaltou que a proteção do usuário segue sendo uma pauta central para o setor. 

Está no Brasil, precisa jogar conforme as regras do jogo. Apesar disso, eu não tenho que entregar a chave privada, e esse é o ponto crucial da privacidade. No Brasil, não tínhamos liberdade de movimentar nosso dinheiro livremente até o surgimento do Bitcoin”, afirmou Rocelo Lopes, Chief of Digital Currency Initiative na Rezolve AI.

Mercados preditivos em ano de Copa e eleição

O painel “Mercados preditivos em ano de Copa e eleição” discutiu os desafios regulatórios de uma categoria que vem ganhando espaço globalmente, mas que ainda enfrenta barreiras de compreensão e enquadramento no Brasil. A conversa reuniu Ricardo Vieira (Triad Markets) e Luiz Felipe (B3) no Palco TokenNation.

“O Brasil não tem arcabouço regulatório suficiente para o mercado preditivo. Ainda é preciso muita educação. O maior risco do mercado preditivo no Brasil hoje é a exportação dele para fora. É preciso construir nosso próprio ecossistema”, explicou o head de marketing da Triad Markets, Ricardo Vieira.

Luiz Felipe destacou que a regulação é necessária, mas precisa ser construída de forma positiva para que o Brasil não fique para trás.

“Grandes portais já usam o mercado preditivo para a apuração. Parece bet, mas não é. A regulação precisa acontecer, mas com um arcabouço regulatório positivo para não ficarmos para trás”, afirmou o diretor de relacionamento com cliente da B3, Luiz Felipe.

Adoção de cripto no mundo real

O painel “Adoção de cripto no mundo real” reuniu Francisco Carvalho (Blockchain Rio), Rafael Castaneda (Oxus Finance), Orlando Telles (On Crypto Research) e Lucas Amendola (Defiverso) para discutir como a blockchain está sendo integrada a produtos do mercado tradicional.

Durante o debate, Orlando Telles avaliou que as stablecoins deixaram de ser apenas uma ferramenta interna do ecossistema cripto e passaram a ser observadas por sua capacidade de gerar eficiência para outros mercados.

“Antes, as stablecoins serviam como ferramenta para facilitar nosso ecossistema. Hoje está institucionalizado, e a indústria está buscando extrair valor e gerar eficiência para outros mercados. Esse é o maior valor da tecnologia hoje: agregar valor e novos produtos para outros mercados”, afirmou o fundador da On Crypto Research, Orlando Telles.

Lucas Amendola destacou que a próxima fase do mercado deve ser marcada pelo avanço de infraestrutura e regulação.

“O mercado financeiro não está sendo substituído pelo mercado cripto, mas sim absorvido por ele. Por enquanto, stablecoins e RWA estão abrindo caminho, mas a tendência é ver mais infraestrutura de blockchain aplicada em produtos e serviços de outros mercados”, afirmou Lucas Amendola, CEO do Defiverso.

Já Rafael Castaneda comparou a trajetória de cripto à digitalização bancária impulsionada por fintechs como o Nubank.

“O Nubank não matou os grandes bancos, apenas consolidou seu lugar e mostrou que eles precisavam se digitalizar. É isso que vejo para cripto. Não estamos destruindo o sistema tradicional, estamos nos integrando a ele. Vai chegar um dia em que o usuário estará usando blockchain por meio de um cartão ou banco digital e não vai saber”, afirmou o COO da Oxus Finance, Rafael Castaneda.

Golpe em cripto: como especialistas seguem o rastro do dinheiro

No Palco Onchain, o painel “Golpe em cripto: como especialistas seguem o rastro do dinheiro” reuniu Mateus Nunes (Livecoins), Luiz Souza (Investigador independente) e o advogado Bellini Fonseca (Crystal Intelligence) para discutir como profissionais de investigação, compliance e segurança acompanham transações ilícitas envolvendo ativos digitais.

Luiz Souza, investigador especializado em rastros on chain, explicou que o rastreamento de transações em blockchain começou de forma mais manual, a partir de exploradores de blocos, e evoluiu com o surgimento de ferramentas.

“No início, o rastreio era feito por meio dos exploradores de blocos. A partir disso, novas ferramentas surgiram para auxiliar a mapear transações. Criminosos usam muitas ferramentas que misturam as transações, mas hoje as ferramentas identificam melhor esses padrões”, afirmou Luiz Souza.

O especialista também destacou que, apesar do uso de cripto por criminosos, a tecnologia muitas vezes facilita o rastreamento, especialmente em redes públicas e transparentes. 

“Os criminosos ainda usam criptomoedas por pura ignorância. É muito mais fácil de rastrear. Acredito que ainda usam esse meio pela facilidade no envio de remessas”, afirmou Souza.

Ao abordar os mecanismos mais usados em golpes, Luiz citou mixers, moedas privadas e falsas exchanges como pontos de atenção. Segundo ele, uma das principais estratégias de criminosos é criar senso de urgência para pressionar as vítimas a tomar decisões sem avaliar os riscos.

“O modus operandi dos golpistas é criar urgência. Soluções milagrosas sempre vêm com esse tom. É essencial parar, respirar e avaliar o assunto”, afirmou o investigador.

Para Bellini, “Existe uma necessidade grande de educação sobre como proceder frente a uma fraude. É necessário formar profissionais que saibam usar ferramentas de rastreio e auxiliar os que desejam entrar nesse mercado”, afirmou o Advisor Director LATAM da Crystal Intelligence.

O painel também discutiu o avanço de falsas exchanges, o uso de VASPs não reguladas e estruturas offshore, além da tendência de maior pressão sobre transações P2P. A leitura dos participantes foi de que o cerco regulatório deve aumentar, mas que a sofisticação dos crimes continuará exigindo atualização constante da indústria.

Para a indústria de compliance, o momento é excelente. O regulador tende a apertar cada vez mais. Apesar disso, o crime sempre evolui junto com as autoridades”, afirmou Bellini.

Sobre o TokenNation

O TokenNation Brasil é um ecossistema brasileiro de inovação digital e tokenização que conecta líderes de mercado, empresas, educadores, criadores e comunidades às transformações da nova economia.

Criada em 2022 como NFT Brasil e reposicionada oficialmente em 2025, a iniciativa integra blockchain, inteligência artificial, sustentabilidade, cultura digital e novos modelos de negócio. Sua proposta é traduzir tendências tecnológicas em aplicações práticas, decisões estratégicas e oportunidades reais de mercado.

Ganhe R$ 50 em Bitcoin direto na sua conta. Abra sua conta na Mynt e receba o cashback. Use o cupom:LIVE50 Mynt.com.br

👉Entre no nosso grupo do WhatsApp ou Telegram| Siga também no Facebook, Twitter, Instagram, YouTube e Google News.

Gustavo Bertolucci
Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

Últimas notícias