Um exemplo promissor da aplicação da tecnologia das criptomoedas no Brasil, a blockchain, vem da mais recente iniciativa do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) em parceria com a startup Sollytch, focada no Agronegócio.
O projeto une inovação, rastreabilidade e segurança em uma plataforma voltada para o controle de substâncias químicas usadas na agricultura.
A proposta é ousada e estratégica. Construir um sistema digital que permita acompanhar em tempo real a trajetória de produtos químicos utilizados no agronegócio, com garantias de transparência, autenticidade e integridade das informações, características fundamentais da tecnologia blockchain.
Inmetro fecha parceria para implementar solução blockchain no Agronegócio
A blockchain nesse contexto funciona como uma ferramenta de confiança automática. Ao registrar cada etapa do ciclo de vida dos insumos agrícolas, desde sua origem até o uso final no campo, em um banco de dados distribuído e imutável, a plataforma elimina incertezas, reduz riscos de fraude e facilita a conformidade com padrões nacionais e internacionais.
Isso não apenas protege o consumidor e o meio ambiente, como também fortalece a reputação do agronegócio brasileiro em mercados altamente regulados
O projeto chamado “Rastreabilidade Química Inteligente na Era da Blockchain” conta com apoio técnico do Laboratório de Metrologia em Informática (Lainf) do Inmetro, que participou da elaboração e estruturação da proposta.
Segundo o pesquisador do Inmetro, Wilson S. Melo Jr., a colaboração reforça o papel da instituição na criação de soluções tecnológicas relevantes. “O Inmetro tem se posicionado cada vez mais como um agente estratégico no apoio à transformação digital da indústria“.
“Neste caso, contribuímos com o nosso conhecimento técnico para estruturar uma solução robusta e segura, que atenda às exigências de rastreabilidade e conformidade do agronegócio nacional“, afirmou o pesquisador em nota pública.
Solução leve
A Sollytch, responsável pela execução da tecnologia, busca entregar uma solução leve, portátil e ágil com capacidade de escalar para diferentes perfis de produtores e distribuidores.
O diferencial desta abordagem está no uso da blockchain como base de confiança sem intermediários, permitindo que produtores, fiscalizadores e consumidores tenham acesso a dados auditáveis, sem a necessidade de reconciliação manual ou checagens centralizadas.
Trata-se de um modelo que pode transformar a rastreabilidade química em um processo natural e contínuo ao invés de um esforço burocrático esporádico.
Além disso, a iniciativa sinaliza uma nova fase para a metrologia digital no Brasil, com o Inmetro atuando não só como regulador, mas também como agente ativo na validação e integração de tecnologias emergentes nos setores produtivos
Com parte dos recursos já assegurados via edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a expectativa é que nos próximos meses o projeto entregue uma plataforma funcional e pronta para ser testada em ambiente real.
Por fim, a novidade posiciona o país na vanguarda da rastreabilidade agrícola, além de demonstrar o potencial da blockchain como infraestrutura pública de confiança, aplicada a desafios concretos do campo à mesa