Angelo Martino (41) se declarou culpado na segunda-feira (20) por abusar de seu cargo de negociador de ransomware para extorquir empresas americanas. Em um dos casos, por exemplo, ele teria repartido US$ 1,2 milhão em Bitcoin com outros dois suspeitos.
Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, Martino vazou informações confidenciais sobre a posição e estratégia das empresas sem conhecimento ou autorização delas, com o objetivo de aumentar o lucro dos hackers.
Além de ter diversos ativos confiscados pela justiça, sua sentença está marcada para o dia 9 de julho e sua pena máxima pode chegar a 20 anos de prisão.
EUA prendem negociador de ransomware que utilizava informações das empresas para maximizar lucro dos hackers
Angelo Martino estaria envolvido com os operadores da variante de ransomware BlackCat. Atuando como um negociador de ransomware, o acusado se aproveitava do cargo para maximizar o lucro dos hackers e ficar com uma parte do pagamento.
“Como ele admitiu em juízo, abusou de sua posição em uma empresa de resposta a incidentes cibernéticos para repassar informações confidenciais a integrantes do BlackCat, ajudando-os a maximizar os pagamentos de resgate de vítimas americanas.”
“Depois, foi além, juntando-se à conspiração para implantar ransomware e lucrar com a extorsão”, disse Jason A. Reding Quiñones, procurador dos EUA do Distrito Sul da Flórida.
Dados da Chainalysis apontam que esses golpes geraram perdas entre US$ 637 milhões e US$ 1,23 bilhão anualmente entre 2020 e 2025.

No relatório, a empresa de segurança destaca que os hackers começaram a utilizar ferramentas de Inteligência Artificial (IA) em negociações com as vítimas.
Já Martino teria lucrado milhões entre abril e novembro de 2023. Um dos exemplos citados é a divisão de US$ 1,2 milhão em Bitcoin entre três envolvidos.
Como resultado da operação, as autoridades apreenderam US$ 10 milhões em ativos do acusado, incluindo criptomoedas, veículos, um food truck e um barco de pesca de luxo.
Outros dois nomes citados no processo são de Ryan Goldberg e Kevin Martin, também envolvidos no esquema. A dupla já havia se declarado culpada em dezembro e a sentença de ambos está marcada para o dia 30 de abril.
“O FBI trabalha todos os dias para desmantelar o ecossistema de ransomware.”
“Martino forneceu aos operadores do ransomware BlackCat informações confidenciais para maximizar pagamentos de resgate. Ele também conspirou com outros residentes dos EUA para lançar ataques contra vítimas em todo o país. Sua confissão demonstra que, apesar de todos os aspectos internacionais do cibercrime, a ameaça também está aqui nos Estados Unidos. O FBI se orgulha da estreita colaboração com parceiros que levou a esse resultado”, disse Brett Leatherman, diretor-assistente da Divisão Cibernética do FBI.
