João Paulo Mayall, fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, publicou um estudo nas redes sociais sobre países aumentando as suas exposições ao ouro, o que é visto por muitos como uma fuga do dólar americano.
O executivo contesta essa narrativa apresentando dados. Como destaque, aponta que os EUA mantêm as maiores reservas de ouro do mundo e, quando contabilizada a custódia para terceiros, o total supera as reservas do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em 141%.
Além disso, também revela que diversos países possuem uma maior exposição à dívida americana do que ao metal, incluindo a China.
Mayall dá destaque para as principais movimentações de ouro nos últimos anos
Iniciando sua análise, J. P. Mayall mostra que bancos centrais detêm US$ 4 trilhões de ouro em suas reservas. Por outro lado, eles mantêm US$ 9,3 trilhões em títulos do Tesouro americano.
“Bancos centrais compraram mais de 1.000 toneladas de ouro por ano desde 2022 e a manchete diz que o mundo está fugindo do dólar. O balanço dos próprios países conta outra história – os Treasuries em mãos estrangeiras estão em $ 9,3 trilhões, perto da máxima histórica.”
Citando exemplos, o executivo nota que a França vendeu todas as suas barras de ouro que estavam no cofre do Fed em Nova York, totalizando 129 toneladas. No mesmo período, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, a exposição francesa aos títulos do Tesouro chegou a um recorde de US$ 395 bilhões.
Já a Índia repatriou 104 toneladas de ouro em seis meses, mantendo 77% das barras em Mumbai e Nagpur. No entanto, o ouro representa somente 16,7% das reservas estrangeiras do país, dominado por US$ 465 bilhões em títulos, majoritariamente americanos.
“Repatriou a fatia de 17% e manteve a de 79% dentro do sistema.”
Outro país que seguiu essa estratégia foi a Holanda, retirando 78 toneladas de ouro do Fed de Nova York, citando um “ambiente geopolítico volátil” ao movê-las para o Reino Unido. Mesmo assim, o executivo destaca que 18,5% das reservas holandesas seguem “no porão do Fed”.
Quanto à Turquia, Mayall destaca que o país foi o comprador mais agressivo da década, mas precisou vender cerca de 70 toneladas do metal em um único trimestre para segurar a desvalorização da sua moeda, a lira.
Outros países mencionados são Canadá e Alemanha.
Enquanto o primeiro vendeu todas as suas reservas de ouro até 2016, batendo um recorde de US$ 472 bilhões em títulos do Tesouro, o segundo ainda mantém 1.236 toneladas sob custódia do Fed, mesmo sendo o país que mais fala sobre repatriação dessas reservas.
“Quem realmente tem mais ouro que o Treasury (Alemanha, França, Itália) herdou o estoque de Bretton Woods. Quem comprou a narrativa da fuga recente segue atolado – Japão carrega 9x mais U.S. Treasuries que ouro, UK 21x, Brasil 9x.”
Por fim, o executivo cita a China, que, embora tenha passado uma década vendendo os títulos do Tesouro americano e 21 meses seguidos comprando ouro, ainda mantém o dobro de exposição à dívida americana em relação ao metal.
EUA fazem a custódia de 40% de todo o ouro do mundo, alerta Mayall
Finalizando o resumo sobre seu paper (The Paradox of Gold Reserves), J. P. Mayall destaca que “ninguém está saindo do dólar” e países só estão trocando de cadeira dentro dele.
“A narrativa do ouro BRICS contra o dólar tem um problema de aritmética. O bloco inteiro, já expandido pra 10 membros, soma ~6.000 toneladas – Rússia 2.336t, China 2.298t, Índia 880t, e o resto dividindo migalhas. Os EUA, sozinhos, guardam 8.133t, 41% mais que os 5 BRICS originais somados. Contando a custódia fica constrangedor – com as 6.331t que 36 bancos centrais deixam no porão do Fed de NY, o solo americano concentra 14.464 toneladas. 2,4x o bloco inteiro, ~40% de todo o ouro oficial do planeta. O BRICS compra ouro contra o dólar num mercado onde quem precifica, liquida e custodia é o dono do dólar.”
