Advogado pede prisão de Rei do Bitcoin caso sumiço de R$ 350 milhões não seja explicado

Em nova reunião, realizada no final de abril, os representantes do Grupo Bitcoin Banco, em vez de explicarem o paradeiro dos bitcoins, apresentaram um novo sistema, denominado “Bitcoin Core”. Os supostos 7 mil bitcoins estavam nessa nova plataforma.

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Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O advogado Thiago Oliveira Rieli pediu nesta terça-feira (5) que a Justiça determine a prisão de Claudio Oliveira, presidente do Grupo Bitcoin Banco, caso o empresário não consiga provar a existência de “bitcoins autênticos” em poder da empresa.

O pedido foi feito porque no último relatório mensal de atividades da EXM Partners – que é a administradora judicial do grupo – foi apontado que Oliveira, conhecido como Rei do Bitcoin, “pulverizou” 7 mil bitcoins (cerca de R$ 350 milhões, na cotação de hoje) sem dar explicação alguma até agora.

Presidente do Grupo Bitcoin Banco, Claudio Oliveira, conhecido como “Rei do Bitcoin”. Foto/Divulgação.

Além da prisão, o advogado requereu que seja deferida busca e apreensão de todos os possíveis bitcoins custodiados no grupo e a apreensão do passaporte suíço de Oliveira. O empresário tem dupla cidadania.

A petição, que a reportagem do Livecoins teve acesso, foi encaminhada para a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de Curitiba (PR). O caso ainda não foi analisado.

O que diz o relatório da EXM, citado pelo advogado?

De acordo com o relatório da EXM –  divulgado no dia 2 de maio – no final do ano passado o Grupo Bitcoin Banco tinha cerca de 7 mil bitcoins disponíveis em sua wallet.

Uma nova consulta feita pela EXM no site blockchain.com, no entanto, mostrou que quase 100% desse montante foi transferido para outras 100 wallets, sem a devida explicação. Na carteira da empresa há apenas 0,000006 btc.

Por causa dessa transferência indevida, os administradores da EXM se reuniram com o Rei do Bitcoin e outros membros do grupo para tentar entender o que havia acontecido. Esses encontros ocorreram no início de abril.

Segundo o relatório, no entanto, apesar de diversas indagações sobre o motivo da transferência, “não foi obtida a esperada explicação/prestação de contas, mas tão somente a solicitação de novo prazo e nova reunião para tanto”.

Em nova reunião, realizada no final de abril, os representantes do Grupo Bitcoin Banco, em vez de explicarem o paradeiro dos bitcoins, apresentaram um novo sistema, denominado “Bitcoin Core”. Os supostos 7 mil bitcoins estavam nessa nova plataforma.

O problema é que a administradora judicial não conseguiu confirmar se as informações repassadas do “Bitcoin Core” refletem a realidade. Além disso, a EXM afirmou que também não foi liberado acesso ao histórico de movimentações de criptomoedas no novo sistema.

“Ao analisar o saldo apresentado em tela no sistema “Bitcoin Core”, foi possível que os representantes da EXM Partners constatassem que alguns valores não trasmitem a realidade, visto que a wallet que possui o montante de 5.000,99910936 BTC (conforme consulta pública em blockchain) está apresentada no referido sistema com o saldo de 5.000 BTC (omitindo 0,99910936 BTC). No tocante a isto, insta reiterar que, em que pese a insistência desta Administradora Judicial para conseguir acesso ao detalhamento das wallets no sistema “Bitcoin Core”, bem como o histórico da movimentação de criptomoedas – chaves que compõem o referido saldo – tais informações não foram fornecidas”.

O que diz o Grupo Bitcoin Banco?

O Grupo Bitcoin Banco informou, por meio de nota, que transferiu cerca de 7 mil bitcoins da chave principal para outras 100 chaves pulverizadas para proteger o ativo principal de seus credores de possíveis bloqueios judiciais.

A movimentação, segundo a empresa, ocorreu por causa da suspensão temporária da recuperação judicial no início deste ano. Vale lembrar que, no final de abril, a empresa negou que houve suspensão do processo de recuperação.

A empresa informou ainda que o histórico da movimentação de criptomoedas vai ser esclarecido e divulgado no próximo relatório da administração judicial.

Ex-diretor jurídico do GBB também pede apreensão de bitcoins

Além do advogado Thiago Oliveira Rieli, que representa 100 investidores lesados pela empresa de Claudio Oliveira, o ex-diretor jurídico do Grupo Bitcoin Banco, Ismair Couto, também enviou uma petição para a 1ª Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba (PR).

No documento, que o Livecoins teve acesso, Couto pediu para a Justiça determinar a busca e a apreensão dos bitcoins da empresa. Isso porque ele acredita que a empresa não pagará seus credores. Ele tem R$ 280 mil a receber do conglomerado por causa do trabalho que desempenhou como advogado.

“As transferências de bitcoins denunciadas pelo senhor AJ revela outro comportamento característico das recuperandas, praticado de forma reiterada e que acabou por consolidar uma dívida, com fortes indícios de que jamais será adimplida. Resta claro que fiscalizar a atividade empresarial das recuperandas exige do AJ conhecimentos que vão muito além daqueles prescritos na lei de regência”, disse Couto na petição.

Lucas Gabriel Marins
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
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