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BIS alerta para riscos das stablecoins e defende depósitos tokenizados como alternativa

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Pablo Hernández de Cos, gerente-geral do BIS, acredita que as stablecoins possuem muitos problemas para se tornarem o futuro do dinheiro. Como alternativa, o executivo aponta que depósitos tokenizados seriam uma melhor opção.

Suas falas foram ditas no Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole, evento em que Kevin Warsh, presidente do Fed, se mostrou preocupado com a inflação americana e Isabel Schnabel, membro do conselho do BCE, defendeu que o BCE adote a tecnologia blockchain.

Dirigente do BIS explica por que depósitos tokenizados são melhores que stablecoins

Iniciando sua fala, Pablo Hernández de Cos aponta que um sistema monetário eficaz precisa ter unicidade, interoperabilidade e integridade. Ou seja, permitir que diferentes formas do mesmo dinheiro tenham o mesmo valor, funcionem em sistemas diferentes e, por fim, estejam sujeitas a controles contra atividades ilícitas.

O executivo acredita que as stablecoins tenham problemas nesses três pontos.

Como exemplo, cita um exemplo em que uma pessoa possui USDT, mas outra só aceita USDC. Portanto, ele teria que recorrer ao mercado secundário para trocar USDT por USDC, perdendo parte do valor de seu dinheiro por diversos motivos.

Seguindo, de Cos aponta que uma mesma stablecoin pode ser emitida em duas redes, gerando um problema parecido ao anterior.

Finalizando, também afirma que as stablecoins funcionam em redes com pseudoanonimato, dificultando a aplicação de regras de prevenção à lavagem de dinheiro e combate ao financiamento do terrorismo.

Quanto aos depósitos tokenizados, o gerente-geral do BIS afirma que eles não teriam esses problemas, já que seria mais fácil transferir o dinheiro de um banco para outro, principalmente com um Banco Central também adotando essa solução. Além disso, também nota que seria mais fácil fiscalizar essas contas e transações.

Analisando como seria uma adoção em grande escala das stablecoins, de Cos cita outros problemas ligados às reservas que dão lastro a essas moedas.

“Diante dos atuais desenvolvimentos regulatórios, três tipos de ativos de reserva estão em foco: depósitos bancários de atacado, títulos públicos de curto prazo e reservas no banco central. Essas escolhas afetam o financiamento dos bancos e, por meio dele, a concessão de crédito e a estabilidade financeira. Se as reservas das stablecoins fossem mantidas predominantemente como depósitos bancários de atacado, o financiamento de varejo daria lugar a passivos de atacado mais concentrados e mais sensíveis às taxas. Isso elevaria os custos marginais de financiamento dos bancos e, consequentemente, apertaria as condições de crédito. Se as reservas fossem mantidas principalmente em títulos públicos de curto prazo, poderia surgir um efeito adicional à medida que os bancos vendessem títulos aos emissores de stablecoins, reduzindo seus ativos líquidos de alta qualidade. Se, em comparação, as reservas fossem mantidas em grande parte no banco central, a expansão das stablecoins drenaria reservas do banco central do setor bancário.”

Na sua visão, os depósitos tokenizados poderiam fazer com que os recursos permanecessem dentro do sistema bancário, não apenas reduzindo o risco de desintermediação, mas também apoiando a resiliência.

BIS afirma que ambas as soluções podem coexistir

Embora as falas de Pablo Hernández de Cos pudessem parecer um ataque às stablecoins, o executivo afirma que elas poderiam continuar existindo ao lado dos depósitos tokenizados.

“Os depósitos tokenizados deveriam responder pela maior parte dos pagamentos cotidianos e da liquidação no atacado, dentro de limites prudenciais e com liquidação em dinheiro do banco central. As stablecoins poderiam desempenhar funções especializadas, por exemplo, em pools de empréstimos descentralizados. Mas deveriam fazê-lo sob regimes robustos e transparentes que garantam o resgate pelo valor nominal quando utilizadas para pagamentos. Alternativamente, poderiam ser tratadas explicitamente como produtos de investimento, com regras apropriadas de conduta e divulgação.”

Seguindo, de Cos nota que o BIS já abordou esse tema em seu relatório anual publicado em junho, no qual eles falam sobre os riscos das stablecoins e recomendam supervisão.

Por fim, o gerente-geral do BIS reconhece que a tokenização oferece ganhos reais, como programabilidade, liquidação atômica e operações 24/7, mas que é preciso implementar essa tecnologia de forma correta.

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Henrique HK

Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

Autor:
Henrique HK