Olá, Bitcoin e Ethereum são as duas principais moedas, representando USD 156bi e USD 68bi respectivamente, somando e representando 52% do total do market share das criptomoedas.

Enquanto que a blockchain do Bitcoin é utilizada quase que exclusivamente para as operações com a moeda digital BTC, a blockchain Ethereum é uma plataforma mais complexa e até mesmo mais audaciosa, cujo objetivo é ser utilizada para a criação de contratos inteligentes, criação de outras moedas e tokenização de ativos.

Mas antes de avançarmos na análise das diferenças entre estas duas plataformas, é importante você entender que o uso de uma rede blockchain pode assumir diferentes arquiteturas, como mostra a figura em destaque deste artigo.

O exemplo mais claro de uma rede do quadrante 1 (pública e aberta) é a blockchain do Bitcoin: qualquer um pode baixar o Bitcoin Core, tornar-se um nó da rede, e ter acesso de leitura e escrita a todos os registros da blockchain. São caracteristicas específicas que se aplicam a essa realidade.

Por outro lado, para gerenciar uma cadeia de suprimentos de um grupo de empresas (caso do Walmart, por exemplo), ou um grupo de bancos que desejam utilizar a blockchain para acelerar as suas transações (caso do Consórcio R3), certamente os dados não serão públicos e nem todos terão o direito de escrita na base de dados distribuída, posicionando o projeto no quadrante 4.

E há projetos que se enquadram nas arquitetura dos quadrantes 2 e 3, intermediários, em que a leitura pode ser pública e a escrita restrita, ou vice-versa. O importante é entender dois aspectos sobre as diferentes aplicações de blockchain:

  • Nem todas as redes precisam ser públicas e abertas como a do Bitcoin
  • Há aplicações em que o anonimato característico do Bitcoin não se aplica, pois quando imaginamos uma blockchain entre bancos fica evidente que a identidade dos participantes das transações é fundamental

Vencida essa etapa, vamos analisar algumas diferentes entre a rede do Bitcoin e do Ethereum, o que pode ser visto na imagem a seguir.

Bitcoin é o próprio ativo e a moeda (BTC), e a sua rede blockchain é essencialmente utilizada para fins de transações com este ativo/moeda.

Ethereum é a plataforma, Ether (ETH) é a moeda. A plataforma Ethereum vai muito além da moeda, e pode ser utilizada para criação de contratos inteligentes, tokenização de ativos e outras moedas. Trata-se de um audacioso projeto e uma arquitetura mais complexa do que a rede Bitcoin, com potenciais aplicações não apenas no mundo financeiro, mas em uma infinidade de outros mercados.

Potenciais projetos em que a rede blockchain Ethereum pode ser utilizada:

Criação de tokens/moedas: a criação de novas moedas digitais é uma aplicação relativamente comum utilizando a blockchain Ethereum. Você pode criar tokens que representam uma nova moeda (“newcoin”), define as regras de mineração, e desenvolve o projeto de divulgação do por quê essa nova moeda é interessante para o mercado.

Geralmente estes tokens que representam moedas na rede Ethereum estão vinculados a um novo projeto, uma nova solução ou uma plataforma que “resolve um problema” real no mundo real. Dessa forma, quanto mais o projeto for interessante e viável, mais gente se interessa pelo token, mais ele tende a valer no mercado.

O projeto do Arcade City é um bom exemplo de aplicação dessa lógica de criação de moedas representadas por tokens.

Contratos inteligentes: a essência de um contrato inteligente é a criação de regras pré-definidas na blockchain do Ethereum que se auto-executam se determinados critérios se efetivarem. Neste tipo de aplicação, ao contrário do Bitcoin, não são transações anônimas, mas sim o uso da Blockchain de forma clara, transparente e identificando todas as partes envolvidas nestas transações.

A tecnologia aqui é a viabilizadora das operações e traz benefícios como a redução de custos de transação, agilidade, transparência e segurança. Os seguintes elementos fazem parte de um contrato inteligente na blockchain:

  • O objeto do contrato (o que)
  • Assinatura digital dos participantes do contrato (quem)
  • Termos do contrato (como)
  • Plataforma descentralizada, distribuída

Um contrato inteligente pode ser elaborado, por exemplo, entre partes integrantes de uma cadeia logística, de forma que à medida que os ativos circulam nessa cadeia e cada parte cumpre a sua etapa no processo, automaticamente os aspectos financeiros são executados (pagamentos, transferências, etc).

Aplicações de contratos inteligentes tem sido cada vez mais comuns em sistemas de votação, logística, leilões, seguros, compra/venda de imóveis, música, entre outros negócios.

 Tokenização de ativos: a tokenização significa transformar um ativo real em tokens digitais, permitindo que estes tokens sejam negociados (comprados/vendidos), ampliando a liquidez e o tamanho do mercado potencial para estes ativos. A melhor maneira para compreender essa lógica é utilizando um exemplo.

Considere como ativo um imóvel, que no nosso caso tem valor de mercado de R$ 1 milhão.

Agora imagine que este imóvel vai ser tokenizado e serão criados 20 tokens cada um equivalente a 5% do valor do imóvel. Dessa maneira, você poderia ser dono de uma parte do imóvel, ou por exemplo receber parte dos rendimentos de um aluguel, se for o caso.

Outros benefícios desse modelo:

  • Surge um mercado secundário de compra e venda destes tokens, que dão direito a um percentual da propriedade daquele ativo real, e estes tokens podem ser comprados/vendidos de forma muito mais simples do que qualquer negociação envolvendo o próprio ativo;
  • O mercado fica muito maior, pois os tokens podem ser comercializados tal como qualquer moeda digital, em qualquer parte do mundo, 24 horas por dia, ininterruptamente

Os potenciais usos da blockchain certamente serão muito discutidos nos próximos artigos. Fique atentos às nossas publicações.