Brasileiro começa Bitcoin Beach em praia famosa do Nordeste

Conheça o experimento chamado "Bitcoin Beach Brasil", nos moldes de El Salvador.

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Moeda Bitcoin parcialmente enterrada na areia da praia
Moeda Bitcoin parcialmente enterrada na areia da praia

Um brasileiro arretado começou um movimento em uma praia do Nordeste chamado Bitcoin Beach, nos moldes daquele que foi feito em El Salvador.

Muito se fala sobre o processo de aceitar Bitcoin em El Salvador, que hoje é uma moeda de curso legal após a aprovação do Congresso Federal de um projeto enviado pelo presidente daquele país. É diferente ver um governante impor uma moeda de curso forçado para uso da população, mas que foi criada para ser livre.

No entanto, o que pouca gente sabe é que o movimento em El Salvador não começou pelo presidente Nayib Bukele, mas sim pela população e em uma praia remota, chamada El Zonte.

Esse movimento de adoção do Bitcoin no litoral do pequeno país da América Central ganhou repercussão internacional e acabou sendo apelidado de Bitcoin Beach, sendo o embrião para que a moeda digital fosse amplamente aceita como meio de pagamento em El Salvador.

Como a moeda digital é de uso comum naquela região, as pessoas acabaram nem notando muito a diferença da aprovação da lei no país, visto que eles já utilizavam a tecnologia independente dos governos, assim como o Bitcoin nasceu para ser feito.

No Brasil, o músico Fernando Motolese acabou sentindo a necessidade de criar um projeto experimental do “Bitcoin Beach”, escolhendo a famosa praia Jijoca de Jericoacoara, no Ceará, um dos principais pontos turísticos do Nordeste, a 300 quilômetros da capital Fortaleza.

O que é o experimento Bitcoin Beach, criado por um brasileiro na praia de Jericoacoara?

Segundo o idealizador do projeto, ainda em fase experimental, o Bitcoin Beach Brasil será um movimento de ampla adoção de Bitcoin pelo comércio em Jericoacoara, assim como foi aquele feito em El Zonte.

Pelo Instagram da iniciativa, é possível ver que toda a infraestrutura do projeto foi idealizada por Fernando Motolese, fã do Bitcoin. Ele montou um computador para abrigar o node completo do Bitcoin, garantindo mais segurança para a rede da moeda e para suas transações.

Além disso, ele irá rodar um node da Lightning Network, que é a rede relâmpago de pagamentos do Bitcoin, que permite pagamentos em frações de segundos, da forma que El Salvador tem adotado também.

“Acreditamos que se uma economia local for criada com o apoio do Bitcoin, novas oportunidades se abrirão para os membros da comunidade.”

Porque Jericoacoara?

Fernando Motolese conversou com o Livecoins e contou mais sobre a sua experiência com o Bitcoin, do qual é entusiasta há mais de quatro anos. Com 38 anos, o empresário de São Paulo é músico e produtor audiovisual.

Ele disse para a reportagem que apesar de ter contato com o mercado há alguns anos, em maio de 2021 ele mergulhou na tecnologia. Morador de Jericoacoara desde fevereiro de 2020, ele logo criou uma relação de amizade com comerciantes locais, dos quais ajuda a resolver problemas em computadores, se tornando o “amigo nerd”, diz ele.

Contudo, tudo mudou quando ele viu que El Salvador começou sua adoção em uma praia, com a população fazendo suas transações com a moeda digital e criando uma rede que hoje já ganhou o mundo.

“Percebi que Jericoacoara era o ambiente ideal para a gente replicar o experimento, as pessoas aqui são muito abertas. Inclusive, a Elo fez um trabalho aqui em 2017 que conectou toda a população, então a maioria das pessoas aceita PIX, cartão de crédito, com um ambiente muito propício aqui”.

Ele lembra que pessoas extremamente carentes de El Salvador viram realmente o que era o dinheiro, mas ele pode sentir isso também em Jericoacoara. Muitos acompanharam a alta do Bitcoin, entenderam conceitos monetários, fazendo explodir o interesse na moeda digital nas pessoas.

Na visão do entusiasta do Bitcoin, as pessoas estão cada vez mais sendo seduzidas pela tecnologia.

O que aconteceu com o turismo da região durante a pandemia?

Durante a pandemia, a cidade ficou fechada e Motolese se dedicou a conhecer profundamente as pessoas locais. Ele lembra que estreitar os laços com a população local pode ter sido fundamental para que elas se interessassem pelo experimento Bitcoin Beach do qual ele tem se dedicado.

“Isso ajudou demais quando eu tive a ideia de replicar a ideia da Bitcoin Beach aqui em Jericoacoara. Então o que eu fiz? Comecei a falar com alguns donos de estabelecimentos, pessoas que conheço, artesãos, artistas de rua, basicamente as pessoas que o Bitcoin foi projetado para elas, os sem banco, desbancarizados”.

Artistas de rua e comércios de Jericoacoara estão passando a aceitar mais o Bitcoin, com uso da carteira BlueWallet, de código aberto e permite transações pela rede Lightning Network.

Ele lembra que além de ajudar as pessoas a instalar a carteira nos celulares, Fernando ainda mostra como que funciona as transações ao vivo para os novos usuários. Em sua visão, o experimento tem chamado muito a atenção dos empresários locais, que estão procurando ele.

Tudo começou com oito comércios, a padaria, barraca da feira hippie, uma empresa de turismo, e a ideia da Bitcoin Beach Brasil está se espalhando no local. Ele lembrou que de 8 de setembro de 2021 até o momento, ele coordenou uma equipe com mais três pessoas na comunidade para instalar 80 carteiras, com várias ativações no comércio.

Quem quiser ir para Jericoacoara e se hospedar em algum hotel, ele lembra que o serviço Bitrefill.com permite a compra de créditos com Bitcoin no site Hotels.com, mas que no futuro os hotéis aceitarão a moeda diretamente em seus estabelecimentos.

Em seu plano, ele pretende montar uma rede de suporte entre os lojistas da região, assim como a Hope House em El Zonte. Além disso, ele pretende lançar um site para a iniciativa em breve, além de criar uma música tema para Jericoacoara, que pode ser o paraíso das criptomoedas no Brasil.

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Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
Bitcoin em alta. Imagem: ShutterStock

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