Brasileiros foram a El Salvador acompanhar adoção do Bitcoin

História de dois brasileiros "malucos" que foram acompanhar a chegada do Bitcoin em El Salvador.

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Mão segurando Bitcoin com bandeira de El Salvador
Mão segurando Bitcoin com bandeira de El Salvador

O mundo parou para ver El Salvador começar a usar Bitcoin como moeda de curso legal no dia sete de setembro, e dois brasileiros foram até o local ver de perto essa realidade.

Após aprovar uma lei no congresso local, o presidente de El Salvador cumpriu com a promessa de tornar o Bitcoin uma moeda de curso legal. Tudo começou em junho, mas foi efetivado agora em setembro.

Coincidentemente, a lei Bitcoin de El Salvador chegou no dia da independência do Brasil, mas parte da população daquele país acabou indo às ruas para protestar.

Como foi a ida para El Salvador?

Sem muito planejamento prévio ou até expectativa, dois amigos resolveram experimentar a realidade de El Salvador e o Bitcoin repentinamente. Marcos Amaral e André Veloso então procuraram passagens para um dos menores países das Américas as pressas.

Fotógrafos, fundadores do canal no YouTube chamado BTREZE, os entusiastas dos investimentos contaram ao Livecoins como foi o processo, considerado por eles uma experiência para quando o Brasil também seguir um caminho similar.

BTreze em El Salvador
BTreze em El Salvador, Marcos Amaral (esquerda) e André Veloso (direita)/Divulgação

Após realizar uma escala na Colômbia e outra na Costa Rica, os amigos de profissão e entusiastas do Bitcoin chegaram até El Salvador. Eles contam que o turismo do país envolve mais o esporte surfe, visto que as praias locais atraem muitas pessoas.

Mas a visão do canal BTREZE era a de experimentar os primeiros dias de Bitcoin em El Salvador, com eles chegando no país no dia 5 de setembro, dois dias antes da lei entrar em vigor.

Empolgados com a nova realidade, eles já desceram no aeroporto de San Salvador e pediram um Uber. Ao conversar com o motorista se ele já aceitava o Bitcoin, eles se surpreenderam com a negativa, com o jovem condutor afirmando que estava com medo da moeda digital.

Isso porque, como a Lei Bitcoin foi imposta pelo governo em um prazo rápido e sem muitas explicações, o jovem explicou que há um receio entre a população que isso possa desencadear problemas diplomáticos e tirar de El Salvador o pouco que o país já tem. E esse acabou sendo o primeiro impacto dos brasileiros no primeiro local a aprovar a moeda digital no mundo.

Poucos lugares aceitavam Bitcoin antes da lei entrar em vigor

Desde a saída do Brasil, Marcos e André buscaram interagir com as pessoas sobre o assunto de Bitcoin. Mas poucos demonstraram conhecer sobre o assunto ou aceitar em seus negócios.

Eles pensavam que ao chegar em El Salvador a realidade seria diferente, com muitas empresas aceitando a moeda digital. No entanto, para surpresa dos amigos, no país da América Central muitos ainda não sabiam como manusear a moeda e como fariam para trabalhar com a nova tecnologia de pagamentos endossada pelo governo de Nayib Bukele, principalmente antes da lei entrar em vigor.

Assim, apesar de conversar com muitas pessoas, concederem entrevistas sobre o assunto para veículos locais de notícias, eles não conseguiram locais para gastar Bitcoin em seus dois primeiros dias no país.

Dia sete de setembro: Manifestações públicas contra o Bitcoin

Os amigos ainda mantinham a esperança que no dia sete de setembro a situação poderia melhorar, com mais empresas aderindo ao Bitcoin e trabalhando mais naturalmente com a tecnologia. Eles lembraram que até essa data eles perguntavam se os negócios aceitavam a moeda, mas a partir daí só perguntavam quanto a conta dera em BTC.

Ao acordar e se preparar para o dia mais esperado da viagem, eles receberam a informação do guia que eles haviam contratado que uma grande manifestação contra o Bitcoin estava sendo feita na capital. Eles lembram que muitas pessoas divulgaram que haviam poucos pessoas no local e até o governo fez questão de esconder essas manifestações.

Contudo, ao chegar no local, eles perceberam muitas pessoas com camisas anti-Bitcoin e com gritos de palavras de ordem, protestando pacificamente nas ruas da capital. Eles passaram a manhã do dia sete conversando com os manifestantes, que alegaram conduzir os protestos por desconfiança com a ação do governo, em sua maioria.

Manifestação anti-Bitcoin em El Salvador
Manifestação anti-Bitcoin em El Salvador/BTREZE

Nem tudo foi problema e dupla partiu para primeira compra com Bitcoin: duas pizzas

Apesar das manifestações contra o Bitcoin por parte da população contrária ao governo, as grandes redes de Fast Food, como McDonald’s, Pizza Hut e Starbucks começaram a aceitar a moeda já no dia sete de setembro.

Ao ver uma lista de negócios que já estavam aceitando Bitcoin, a dupla do BTREZE partiu para comprar sua primeira refeição com a moeda digital, que acabou sendo no Pizza Hut. Eles quiseram lembrar o caso de Lazlo, que comprou 2 Pizzas por 10 mil Bitcoins no início da história da moeda.

Assim, eles compraram duas pizzas em El Salvador e afirmam que pagaram 47 mil satoshis, ou seja, no futuro eles poderão contar que tiveram sua compra cara de pizza, um salgado que anualmente é parte da comunidade Bitcoin.

Foto com a capa do Diário Local de El Salvador dando destaque ao Bitcoin
Foto com a capa do Diário Local de El Salvador dando destaque ao Bitcoin/BTREZE

A dupla ainda fez mais compras com a moeda digital em seus passeios pelo país, como pagamento de uma cerveja, que era a vontade dos amigos quando chegaram em El Salvador.

Além disso, um dos hotéis que eles se hospedaram aceitou Bitcoin, sendo que o dono do estabelecimento deu uma valiosa lição para os brasileiros. Segundo eles, quando questionado se ele aceitava a moeda digital, o homem disse que prefere aceitar esse novo meio de pagamento a ter um quarto vazio, indicando que ele entende que o BTC é promissor para seus negócios.

Marcos e André ainda visitaram os famosos vulcões que serão utilizados para gerar energia renovável para minerar Bitcoin. Eles também conversaram com uma deputada da base governista que acredita que El Salvador poderá ter mais renda com a moeda digital.

Mas uma das partes mais interessantes de sua viagem foi a visita a El Zonte, onde fica a famosa praia Bitcoin Beach, que foi onde tudo começou. Eles se assustaram sobre a adoção de Bitcoin neste local, que já é totalmente natural para a população, até entre idosos.

Saque de Dólar em caixa eletrônico de Bitcoin

Para testar o sistema da Chivo, que é uma empresa que produz as carteiras e caixas eletrônicos de El Salvador, os brasileiros ainda visitaram um ATM da empresa, que impõe um limite mínimo de saque de US$ 20,00.

Segundo eles, o processo de enviar Bitcoin para o equipamento foi tranquilo e o saque foi processado em 20 minutos, mostrando que a conversão entre as moedas oficiais do país segue acontecendo, apesar de demorar algum tempo considerável de espera para conclusão.

BTreze próximo a ATM da Chivo, empresa que fabrica carteiras e caixas eletrônicos de Bitcoin em El Salvador
BTreze próximo a ATM da Chivo, empresa que fabrica carteiras e caixas eletrônicos de Bitcoin em El Salvador/Divulgação

Esse relato é apenas um resumo de uma grande experiência em que dois brasileiros tiveram entre os dias 5 e 12 de setembro, que voltaram com muitas histórias para contar.

Se eles recomendam a viagem para mais pessoas? Sim, eles recomendam que os interessados em acompanhar esse movimento de adoção vão ver El Salvador, e eles já até planejam a volta ao país em breve. Em sua visão, assim como as praias atraem turistas, é possível que o Bitcoin também leve pessoas para conhecer a realidade local.

André e Marcos ainda deverão publicar mais conteúdos em seu canal, mas a conversa na íntegra do BTREZE com o Livecoins pode ser vista no vídeo abaixo.

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Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
Bitcoin em alta. Imagem: ShutterStock

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