
(Foto: Coordenação-Geral de Comunicação Social da PF)
O avanço das criptomoedas como ferramenta de lavagem de dinheiro para cartéis transnacionais acendeu o alerta máximo na Polícia Federal do Brasil. Nesta quarta-feira (18), o diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, subiu ao palco principal do congresso Febraban SEC, em São Paulo, para mandar um recado claro ao sistema bancário: combater o crime organizado de forma isolada, ignorando a complexidade da blockchain e dos criptoativos, é a “receita do fracasso”.
Participando do painel que debateu a percepção da segurança e dos delitos bancários, o chefe da PF ilustrou como a criminalidade moderna ignora fronteiras físicas e se apoia na tecnologia.
Rodrigues traçou um exemplo prático das rotas investigadas pela corporação: o entorpecente nasce na Colômbia, transita pelo Brasil, é despachado para a África e chega aos portos da Europa.
O pagamento por toda essa logística complexa, no entanto, muitas vezes é liquidado de forma rápida e silenciosa utilizando criptomoedas a partir da Ásia.
Para a Polícia Federal, a única forma de vencer essa guerra moderna é focar no sufocamento financeiro das grandes quadrilhas. “Sem o trabalho de descapitalização do crime organizado, não vamos conseguir avançar nesse enfrentamento“, cravou o diretor-geral para a plateia de banqueiros e especialistas em segurança cibernética.
Rodrigues pontuou que o país não precisa importar ou copiar modelos estrangeiros de repressão, mas sim reafirmar as competências de suas próprias instituições e intensificar a cooperação com o setor privado.
Segundo ele, os maiores desafios da atualidade envolvem lidar com o ecossistema de NFTs, a rede blockchain, o uso massivo de criptoativos e a quebra dos padrões intencionais de irrastreabilidade que os criminosos tentam impor.
O endurecimento das investigações financeiras faz parte de uma estratégia sólida da corporação, que atualmente ostenta uma taxa de resolução de inquéritos superior a 86%.
O diretor-geral atribuiu o sucesso a três pilares fundamentais da PF: a autonomia das equipes de investigação, a busca pela excelência da prova com base em evidências científicas e o rigor da responsabilidade institucional.
Além de Andrei, participaram do painel o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, o secretário-geral da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), Valdecy Urquiza e o secretário-geral da Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban), Giorgio Trettenero Castro.
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