Coinbase: “caso falirmos, suas criptomoedas serão nossas”

Com o barulho do público, causado por estas mudanças, o próprio fundador da Coinbase, Brian Armstrong, se posicionou em suas redes sociais. Tentando amenizar o caso, Armstrong afirma que os fundos dos clientes estão a salvo, como sempre estiveram.

Logo da Coinbase em celular, ao lado de criptomoedas Bitcoin e Ethereum.
Logo da Coinbase em celular, ao lado de criptomoedas Bitcoin e Ethereum.

A Coinbase, uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo, enviou um extenso documento, de 142 páginas, para a CVM americana nesta terça-feira (10). Neste relatório, chamado Formulário 10-Q, os olhos mais atentos perceberam uma grande mudança na política da empresa.

Tal mudança está relacionada aos fundos de seus usuários. Segundo a Coinbase, tais fundos não mais pertencerão a seus clientes (os legítimos donos destes valores) caso a exchange entre em processo de falência. Em outras palavras, estão afirmando que o “seu dinheiro não é seu”.

Com suas ações apresentando uma queda de 80% desde seu IPO em abril de 2021, esta mudança em seus termos pode afastar clientes e contribuir para que as mesmas continuem em queda. Afinal, quem terá coragem de deixar o seu dinheiro lá?

As chaves não são suas, as moedas não são suas

Uma das frases mais ecoantes entre os usuários de Bitcoin está relacionado ao controle de seu dinheiro. Not your keys, not your coins — as chaves não são suas, as moedas não são suas — é um lembrete para não manter saldo em exchanges, afinal tudo o que você tem, neste caso, é uma promessa de que será pago.

As mudanças na política da Coinbase tornam isso ainda pior. Afinal, enquanto clientes da Mt. Gox lutam há 8 anos para reaverem parte de seus fundos, os da Coinbase podem nem sequer ter esta chance caso o pior aconteça.

Em documento enviado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM — ou SEC) dos EUA, é possível encontrar a posição da Coinbase em como a mesma tratará os fundos dos usuários caso a empresa declare falência.

“Além disso, como os criptoativos mantidos sob custódia podem ser considerados propriedade de uma massa falida, em caso de falência, os criptoativos que mantemos sob custódia em nome de nossos clientes podem estar sujeitos a processos de falência e tais clientes podem ser tratados como nossos credores gerais.”

Formulário Q-10, enviado pela Coinbase à SEC.

Em outras palavras, os fundos dos usuários serão da empresa. Portanto, embora exchanges sejam o método mais fácil para comprar e vender criptomoedas, servem apenas para isso. Ou seja, caso você não seja um trader profissional, que precise deixar suas moedas em uma exchange, sempre saque as mesmas.

Fundador da Coinbase falou sobre o assunto

Com o barulho do público, causado por estas mudanças, o próprio fundador da Coinbase, Brian Armstrong, se posicionou em suas redes sociais. Tentando amenizar o caso, Armstrong afirma que os fundos dos clientes estão a salvo, como sempre estiveram.

Seguindo, o fundador da Coinbase afirma que a empresa não tem risco de ir a falência e afirmou que isso seria um “cisne negro”, ou seja, inesperado. Contudo, a história nos mostra que hacks em exchanges são muito comuns e que poucas conseguiram administrar perdas relacionadas, levando-as à falência.

“Essa divulgação faz sentido, pois essas proteções legais não foram testadas em tribunal especificamente para criptoativos, e é possível, embora improvável, que um tribunal decida considerar os ativos do cliente como parte da empresa em processos de falência, mesmo que prejudique os consumidores.”

Por fim, com ou sem esta cláusula, a recomendação é sempre manter seus fundos em exchanges pelo menor tempo possível. Afinal, seus fundos não serão seus até você ter controle sobre eles e, além disso, a concentração de fundos é um grande alvo para hackers.

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Henrique Kalashnikov
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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