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Criador do primeiro ETF de Bitcoin do Brasil publica paper que prova: ouro de bancos centrais não escapa do dólar — e aponta Bitcoin como a verdadeira saída

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João Paulo Mayall — empresário, pioneiro do Bitcoin no Brasil e fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, o QBTC11 — acaba de publicar seu terceiro paper acadêmico no SSRN. E a tese é uma bomba.

O paper, intitulado “The Paradox of Gold Reserves: How Foreign Central Banks’ Gold Holdings Create Indirect Exposure to U.S. Treasuries”, defende que a corrida dos bancos centrais pelo ouro, longe de ser uma fuga do dólar, na verdade cria exposição indireta aos títulos do Tesouro americano por sete canais distintos.

“Todo mundo chama a compra de ouro de ‘de-dolarização’. Mas quando você olha a infraestrutura — quem precifica, onde negocia, quem custodia, o que move o preço — o ouro não sai do sistema dólar. Ele gira dentro dele”, afirmou J. P. Mayall ao Livecoins.

Quem é J. P. Mayall

Para quem não acompanha, João Paulo Mayall é um dos nomes mais relevantes do ecossistema Bitcoin no Brasil e tem projeção internacional crescente.

Como cofundador da QR Capital, Mayall foi responsável pelo lançamento do QBTC11, o primeiro ETF 100% de Bitcoin da América Latina, além dos ETFs QETH11 (Ethereum), QDFI11 (DeFi) e QSOL11 (Solana). Atuou como COO, CMO e CEO da BlockTrends, a edtech da QR que criou o CCA®, primeira certificação de criptoativos da América Latina em parceria com ANCORD e FGV.

Em junho de 2025, como o Livecoins noticiou, Mayall concluiu a venda de sua participação na QR Capital em uma reestruturação acionária que transferiu o controle da holding para investidores do mercado financeiro tradicional — seu quinto exit. Sua trajetória inclui a venda de uma empresa publicitária, do clube Orlando City e de iniciativas cripto como SingularityNET e Foxbit (via QR Capital), com três projetos superando R$ 1 bilhão em valuation.

No X (@jpmayall), suas análises de macroeconomia e dados on-chain são acompanhadas por milhares de pessoas, incluindo figuras como Nick Szabo, o criptógrafo criador do Bit Gold e forte candidato a ser Satoshi Nakamoto, e Saifedean Ammous, autor do The Bitcoin Standard, que vendeu mais de 1 milhão de cópias em 39 idiomas.

Os 7 canais que prendem o ouro ao dólar

O paper documenta sete mecanismos pelos quais as reservas de ouro criam exposição estrutural indireta aos Treasuries americanos:

  1. O efeito âncora das 8.133 toneladas de ouro dos EUA — o maior estoque soberano do mundo
  2. A COMEX controlando 74% da descoberta de preço global do ouro
  3. A denominação em dólar de mais de 90% das transações de ouro
  4. A custódia no Federal Reserve de Nova York, que guarda 6.331 toneladas para 36 bancos centrais estrangeiros
  5. A dependência de caminho de Bretton Woods
  6. O nexo ouro-yields — a correlação persistente com as taxas reais dos Treasuries
  7. A substituição por stablecoins — quando bancos centrais vendem Treasuries, a Tether e a Circle entram comprando

“A Tether sozinha é o 17º maior detentor de títulos do Tesouro americano. Quando a China vende, a Tether compra. O sistema se autocorrige”, explicou Mayall.

O dado que ninguém comenta: +33% em holdings estrangeiras

Uma das contribuições mais impactantes do paper é a análise dos dados do Treasury International Capital (TIC). Enquanto a narrativa global foca na China reduzindo US$ 396 bilhões em Treasuries, os dados mostram que o total de holdings estrangeiras de Treasuries subiu 33% (+US$ 2.328 bilhões) entre janeiro de 2020 e novembro de 2025.

15 países aumentaram suas posições. Apenas 4 reduziram.

“Todo mundo foca na China vendendo. Ninguém fala dos quinze países que compraram mais do que a China vendeu”, disse Mayall.

Bitcoin: a porta que o ouro nunca abriu

Em talvez a contribuição mais provocativa do paper, J. P. Mayall aplica o framework dos 7 canais ao Bitcoin — e mostra que ele resolve cada uma das dependências estruturais do ouro por design.

O paper inclui duas tabelas comparativas: uma que mapeia cada canal do ouro contra o Bitcoin, e outra com 14 critérios (volatilidade, liquidez, resistência a confisco, portabilidade, settlement, etc.) onde o ouro ganha em 8 critérios tradicionais e o Bitcoin ganha em 6 — sendo que os 6 onde o Bitcoin vence são exatamente os que o paper identifica como as fraquezas estruturais do ouro.

“Se a tese está correta — que o ouro falha como saída do dólar porque sua infraestrutura é americana — então a pergunta lógica é: que ativo opera em infraestrutura que não pertence a ninguém? O Bitcoin é o único que atende esse critério hoje”, argumentou Mayall.

A frase que encerra o paper já está circulando: “Se o Bitcoin abrirá a porta que o ouro jamais abriu: eis a questão crucial da gestão de reservas no século XXI.”

O post de Mayall que atraiu o Bessent e a Lummis

Não é a primeira vez que Mayall provoca reações em Washington com suas teses sobre ouro e Bitcoin.

Em agosto de 2025, como o Livecoins noticiou, J. P. Mayall publicou no X uma proposta direta ao secretário do Tesouro americano Scott Bessent sugerindo que os EUA convertessem 13,88% de suas reservas de ouro em 1 milhão de bitcoins — resolvendo o problema da dívida pública sem custo ao contribuinte.

Um dia depois, Bessent foi à Fox Business dizer que os EUA “não iriam comprar Bitcoin”, mas acrescentou que estavam “explorando formas de aquisição de mais Bitcoin com orçamento neutro” — exatamente o que Mayall havia proposto. A senadora Cynthia Lummis, autora do BITCOIN Act que prevê a compra de 1 milhão de BTC, ecoou o argumento de Mayall: “Podemos reavaliar as reservas de ouro pelos preços de hoje e transferir o aumento no valor para construir a SBR.”

O novo paper formaliza academicamente essa tese — provando com dados que o ouro não é a saída que se imagina e que o Bitcoin é a alternativa lógica.

Saifedean Ammous reconheceu o trabalho de Mayall

O paper de ouro é o terceiro estudo publicado por Mayall no SSRN e faz parte de um programa de pesquisa que combina economia austríaca, Bitcoin e finanças internacionais.

Em 2025, Mayall publicou “Bitcoin as Validation of the Regression Theorem: An Austrian Synthesis with Szabo and Ammous”, que sintetiza as teorias monetárias de Menger, Mises e Hayek com o trabalho de Nick Szabo e Saifedean Ammous para provar que o Bitcoin valida as teorias clássicas de emergência monetária. O paper acumulou mais de 2.000 visualizações e 747 downloads no SSRN.

Saifedean Ammous — autor do The Bitcoin Standard, que vendeu mais de 1 milhão de cópias em 39 idiomas, e conselheiro econômico do governo de El Salvador — comentou publicamente na divulgação do paper no X, reconhecendo a síntese de suas ideias com o framework de Szabo. Uma validação significativa vinda do autor do livro mais influente sobre Bitcoin já escrito.

O debate com Nick Szabo

A relação intelectual de Mayall com Nick Szabo também é pública e documentada. Em novembro de 2025, como o Livecoins noticiou, os dois travaram um debate aberto no X sobre os riscos jurídicos que podem frear o Bitcoin.

Szabo, preocupado com a “superfície de ataque legal” das criptomoedas, argumentou que “anarcocapitalismo é um ideal maravilhosamente abstrato, mas as criptomoedas do mundo real não são trustless — elas são trust-minimized.” Mayall respondeu comparando a trajetória do Bitcoin com a legalização do cristianismo por Constantino.

O novo paper reflete diretamente o princípio mais famoso de Szabo — que “terceiros confiáveis são brechas de segurança” — aplicando-o aos sete canais de infraestrutura americana dos quais o ouro depende.

“A COMEX, o cofre do Fed em Nova York, o settlement em dólar — cada um é um terceiro confiável que as reservas de ouro não conseguem evitar. O Bitcoin foi desenhado para eliminar exatamente essas dependências”, disse Mayall.

Paper sobre inflação também causou impacto

Além dos papers sobre ouro e Bitcoin, Mayall é co-autor com Gerson de Souza Raimundo Júnior (PUC-Rio) de “Inflation: Unraveling the Impact of Monetary Expansion and Interest Rates”, que atingiu mais de 2.575 visualizações e 634 downloads. O paper, divulgado no X por Mayall, propõe uma nova métrica de medição de inflação com base na expansão da base monetária.

“Os três papers formam um programa de pesquisa coerente. O de inflação prova que a criação de moeda é o problema. O do teorema da regressão prova que Bitcoin é dinheiro legítimo. E o do ouro mostra que até o dinheiro mais duro do mundo não escapa da infraestrutura fiat. Juntos, eles mostram que Bitcoin não é ativo alternativo — é a evolução monetária lógica”, disse Mayall.

O que vem pela frente

Uma troca recente no X chamou atenção no ecossistema cripto: J.P. Mayall elogiou o trabalho da OKX Brasil sob liderança de Guilherme Sacamone (@GSacamone), em post de 9 de fevereiro de 2026 @jpmayall. Hong Fang (@hfangca), presidente global da OKX, respondeu:

“Glad to hear such feedback from an industry leader and an entrepreneur like @jpmayall in Brazil. Obrigada!” .

Além disso, Star Xu (@star_okx), fundador e CEO, seguiu Mayall – um sinal que alimenta rumores de parceria. Como jornalista, isso levanta especulações: Mayall estaria se aproximando da OKX para expandir na América Latina? Desde a saída da QR Capital, ele foca em pesquisas acadêmicas, análises e eventos. Questionado sobre próximos passos – fundar empresa, cargo executivo ou board, Mayall diz:

“Explorando opções: fundar algo novo ou parcerias com stake/opções de ações claras para compromisso de pelo menos 4 anos. Conversas com players nacionais e internacionais rolam, mas nada oficial. Busco projetos institucionais que usem regulação como vantagem competitiva.”

Com currículo de ETF pioneiro, exits bilionários e conexões globais, Mayall é nome quente. Essa interação com a OKX pode ser pista de algo maior? O mercado acompanha.

Os papers são gratuitos

📄 The Paradox of Gold Reserves (2026): https://ssrn.com/abstract=6325139

📄 Bitcoin as Validation of the Regression Theorem (2025): https://ssrn.com/abstract=5376225

📄 Inflation: Unraveling the Impact of Monetary Expansion (2025): https://ssrn.com/abstract=5370998

J. P. Mayall pode ser encontrado no X como @jpmayall.

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Henrique HK

Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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Henrique HK