Domínio mundial do dólar está ameaçado por Moedas Digitais de Bancos Centrais, diz relatório do JP Morgan

"Não existe nenhum país com mais a perder do potencial disruptivo das moedas digitais do que os Estados Unidos."

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Recentemente a economia mundial vem voltando ainda mais a sua atenção para as Moedas Digitais de Banco Central, chamadas também de CBDC. Essas moedas, que são as digitalizações do dinheiro estatal, vêm assustando algumas jurisdições, principalmente o dólar.

Recentemente, o JP Morgan Chase lançou um relatório alertando sobre o risco que as CBDC oferecem à dominância do dólar.

O relatório, que foi divulgado pelo Bloomberg, aponta que o banco enxerga muitos riscos para a soberania mundial do dólar caso os projetos de moedas digitais continuem ganhando força.

Por enquanto, as CBDCs estão avançando com certa timidez. Em meio a atual pandemia, não são muitos os países que estão dispostos a tentar mexer com essa parte financeira, ainda muito nova.

No entanto, uma das principais moedas do mundo, o Euro, já teve testes iniciais realizados na França. Enquanto as moedas digitais de banco central poderiam impactar considerável muitas economias, JP Morgan avisa que elas também podem ser disruptivas para o dólar, a principal moeda do mundo.

O relatório foi elaborado através da opinião de analistas do banco, incluindo Josh Younger, chefe de estratégias derivativas e Michael feroli, chefe economista.

“Não existe nenhum país com mais a perder do potencial disruptivo das moedas digitais do que os Estados Unidos.

Isso está principalmente ligado a hegemonia do dólar.

Possuir a moeda global de reserva e troca para comodities, bens e serviços oferece muitas vantagens.”

Mesmo com a ameaça, o banco acredita que o dólar não será superado

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o dólar tem sido a moeda que influência todos os outros mercados.

No entanto, apesar do JP Morgan acreditar que essas novas moedas digitais podem ser disruptivas, elas não serão capazes de superar o dólar como a principal moeda mundial.

Enquanto as CBDC são muito promissoras, o soft power dos EUA é algo que nunca deve ser subestimado. Enquanto países como a China e a Venezuela correm contra o tempo para tentar diminuir o impacto do dólar ao utilizar moedas digitais, todos esses projetos ainda estão na sua infância.

Por isso muitos ainda apostam no Bitcoin como uma verdadeira arma contra a influência do dólar. A moeda já está por aí a mais de 10 anos.

Porém, mesmo com o dólar “não sendo substituído tão cedo” partes mais “frágeis” da dominância do dólar, como o sistema SWIFT, poderiam estar em risco. Como exemplo, o relatório apontou para a suspensão do acesso dos bancos iranianos ao SWIFT, o que pode ter ido contra os interesses da União Europeia.

Com isso, até mesmo países que não está opostos aos EUA, também teriam interesse em diminuir a soberania da moeda norte-americana.

Muitas instituições financeiras estão estudando ou desenvolvimento algum tipo de moeda digital fiduciária. Dados mostrando o interesse em moedas digitais por volume de pagamento e atividade econômica.

Para os analistas da instituição, a solução estaria então em um dólar digital para contrabalancear as “fraquezas” da moeda.

“Oferecer um sistema de pagamento internacional construído com base no dólar digital seria, principalmente se for desenhado para ser minimamente disruptivo para a estrutura financeira doméstica, um investimento modesto para proteger pontos principais para projetar poder na economia global.”

Ameaça pode ser muito maior e China pode liderar essa revolução

Claro, ao olharmos para todo o cenário das CBDCs e a sua relação como dólar, nenhum projeto se destaca mais do que o Yuan Digital. A moeda que está sendo desenvolvida pela China já está relativamente avançada e passando pela fase inicial de testes com o mercado varejista.

Como mostrado pela Forbes, Glen Goodman, autor financeiro e um veterano do mercado de ações que vem acompanhando o desenvolvimento das moedas digitais de bancos centrais, acredita eu a ameaça é muito maior do que o relatório da JP Morgan acredita.

“A ameaça para a dominância global do dólar é muito maior que o JP Morgan sugere (…) Depois de muitos anos de desenvolvimento, a China está bem perto de conseguir alcançar um yuan digital completamente operacional. Enquanto isso, os EUA não possuem um projeto em desenvolvimento. Quando os EUA derem a largada, pode ser que a China já tenha ganhado a corrida.”

Com as ameaças de Trump de recomeçar a guerra comercial contra China, o país asiático tem muito mais motivação para diminuir a influência do dólar em sua economia.

Atualmente, grande parcela do mercado acredita que a economia mundial está caminhando para uma digitalização cada vez mais ampla e, consequentemente, uma maior independência do dólar.

No entanto, também precisamos olhar para os claros casos de fracasso, como foi com o Petro Venezuelano.

Matheus Henrique
Matheus Henrique
Fã do Bitcoin e defensor de um futuro descentralizado. Cursou Ciência da Computação, formado em Técnico de Computação e nunca deixou de acompanhar as novas tecnologias disponíveis no mercado. Interessado no Bitcoin, na blockchain e nos avanços da descentralização e seus casos de uso.
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