Em ebook gratuito, escritor Yuval Harari critica políticos que minam ciência

Confiança na ciência deve existir porque cientistas, médicos e enfermeiros vêm reunindo informações e estudando meios de entender o mecanismo dos vírus desde o século passado, disse escritor.

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Historiador Yuval Noah Harari, autor do bestseller "Sapiens: Uma História da Humanidade". Imagem: Reprodução/YouTube.

Para amenizar a crise econômica e social causada pela pandemia do coronavírus, autoridades deveriam confiar na ciência. É o que defende o historiador Yuval Noah Harari – autor do bestseller Sapiens: Uma Breve História da Humanidade – em um novo ebook distribuído gratuitamente na Amazon.

Entretanto, segundo o escritor, políticos irresponsáveis no mundo todo vêm minando a confiança nos fatos científicos. Por causa disso, escreveu o escritor, “hoje a humanidade enfrenta uma crise aguda, não apenas devido ao coronavírus, mas também devido à falta de confiança entre os seres humanos.”

Ciência é baseada em séculos de pesquisa

Harari escreveu que a confiança na ciência deve existir porque cientistas, médicos e enfermeiros vêm reunindo informações e estudando meios de entender o mecanismo dos vírus desde o século passado.

Nos dias de hoje, disse o escritor, é possível saber como surgem novas doenças e como funciona o “maquinário” por trás dos vírus. A genética inclusive permite, escreveu, que cientistas olhem o próprio “manual de instruções” dos patógenos, algo impossível de se imaginar nos séculos passados.

“Depois que os cientistas entenderam o que causa as epidemias, ficou muito mais fácil combatê-las. Vacinas, antibióticos, higiene aprimorada e uma infraestrutura médica muito melhor permitiram que a humanidade ganhasse vantagem sobre seus predadores invisíveis”, disse.

Globalização não é responsável pela disseminação do coronavírus

No livro, Yuval também abordou o fato de muitas pessoas jogarem a culpa pela proliferação do coronavírus na globalização. Alguns acabam usando esse discurso para defender leis anti-imigração e fomentar o nacionalismo exacerbado.

Segundo ele, apontar o dedo para a globalização não faz sentido algum, pois outras epidemias se espalharam de forma mais rápida pelo mundo – no passado – antes da facilidade de locomoção proporcionada pelo “boom” dos meios de transporte.

A Peste Negra, no século XIV, por exemplo, se disseminou pela Ásia e pela Europa Ocidental e matou 75 milhões de pessoas. A varíola, um século antes, matou um terço da população da América Central. E a gripe espanhola infectou meio bilhão de pessoas e fez mais vítimas fatais em um ano do que a 1ª Guerra Mundial fez em quatro anos.

Harari reforçou sua posição “pró-ciência” e disse que, embora o povo medieval nunca tenha descoberto o que causou a Peste Negra, os cientistas de hoje em dia levaram apenas duas semanas para identificar o novo coronavírus, sequenciar seu genoma e desenvolver um teste confiável para identificar pessoas infectadas.

Confiança e cooperação são essenciais

No ebook, o escritor também falou sobre a importância do compartilhamento de informações entre as nações. Ele disse que essa cooperação, somada aos avanços científicos, é essencial para combater o vírus em um mundo globalizado, que permite que um microorganismo possa sair da Europa e chegar ao México em menos de 24 horas.

“Deveríamos esperar viver em um inferno infeccioso, com uma praga mortal após outra. No entanto, a incidência e o impacto das epidemias diminuíram drasticamente. Isso ocorreu porque a melhor defesa que os humanos têm contra patógenos não é o isolamento, mas sim a a informação.”

Ele também disse que, nesse momento de crise, a desunião e a desconfiança entre os seres humanos – geradas por discursos anticiência – são a maior arma do vírus. “Quando os humanos brigam – os vírus dobram. Por outro lado, se a epidemia resultar em uma cooperação global mais estreita, será uma vitória não apenas contra o coronavírus, mas contra todos os patógenos futuros”.

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Lucas Gabriel Marins
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
Divulgação/Goldman Sachs

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