Empresa pode ser parte de “esquemas piramidais”, cita Google

Gustavo Bertoluci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
6 min de leitura

Uma empresa de marketing multinível que oferecia produtos cosméticos aos clientes, também trabalha com planos de investimentos em criptomoedas. De acordo com o Google Brasil, a empresa pode até ser parte dos “esquemas piramidais”, ao recorrer de decisão na justiça.

Chamada Moonway Cosméticos, a empresa teria entrado com ação na justiça contra o Google, para banir dois vídeos. Os vídeos, do canal Rei das Finanças, tiveram que ser removidos do YouTube, sob pena de multa diária ao Google.

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Ambos os vídeos denunciavam um suposto esquema de fraude com investimentos pela empresa Moonway. Apesar de ser focada no mercado de cosméticos, perfumaria, entre outros, a empresa utilizava um modelo de negócios suspeito, segundo o Rei das Finanças em suas análises.

Ao apontar censura, Google afirma que empresa pode ser supostos “esquemas piramidais”

O canal Rei das Finanças é conhecido no YouTube por divulgar supostos esquemas fraudulentos de pirâmide financeira. Com forte atuação nos últimos anos, o canal já teria divulgado inúmeros projetos que, com o tempo, se provaram inidôneos.

Contudo, essa forte atuação contra os possíveis esquemas, tem o custo da perseguição dos presidentes de pirâmides e seus divulgadores. Isso porque, alguns fazem ameaças ao fundador do canal, sendo que outros entram com processos na justiça para retirar o conteúdo da internet.

De fato, quando uma denúncia contra um esquema de pirâmide financeira cai na internet, o negócio fica prejudicado. Em uma decisão recente, o Google, dono do YouTube, conseguiu defender o canal Rei das Finanças da acusação feita pela BankOn, uma vez que o juiz concordou que retirar o material do ar seria uma censura.

Dessa vez, o Google não teve a mesma sorte contra a empresa Moonway Cosméticos LTDA. A empresa, que inclusive não tem mais site registrado no Brasil, pediu que dois vídeos contendo denúncias contra ela fossem retirados do YouTube. Caso o Google discordasse, teria que pagar multa diária de R$ 1 mil, até o limite de R$ 50 mil.

Na justiça paulista, em primeira instância, o juiz concordou com as alegações da empresa Moonway, e deu prazo de cinco dias para que o Google fizesse as remoções. Em segunda instância, o Google recorre da decisão.

Caso pode se enquadrar em censura, afirma defesa do Google

Além de ser condenado a retirar os vídeos do canal Rei das Finanças, sob pena de multa, o Google teve que repassar à justiça informações do dono do canal. Foram solicitados IP do usuário, assim como os dados cadastrais do dono do perfil.

Na última semana, o Google passou a recorrer da decisão em segunda instância, afirmando que o caso pode se enquadrar em censura. A defesa do Google se baseou em decisões do STF em sua narrativa, e na liberdade de expressão na Constituição brasileira.

Inconformada, sustenta a recorrente o equívoco da decisão. Explica que, respeitando o comando judicial, foram bloqueados os dois vídeos indicados do YouTube, também tendo sido fornecidos os dados cadastrais e registros eletrônicos capazes de identificar o usuário responsável pelas publicações em comento.

Argumenta que a remoção, nos moldes em que determinado pelo MM. Juízo a quo, além de violar os direitos à liberdade de expressão e de pensamento, disciplinados no art. 5º, incisos IV e VI, da Constituição da República, configura evidente censura prévia, o que é absolutamente vedado pelo Colendo STF, e, ainda, de quebra, veta a possibilidade de os usuários da plataforma – seja na condição de consumidor/parceiros ou não da empresa agravada – de manifestar suas impressões, críticas e opiniões acerca das atividades comerciais por ela desempenhadas, que encontra amparo no direito à liberdade de expressão.

Empresa de cosméticos pode trabalhar com operações de criptomoedas e oferece altos rendimentos

A Moonway, de acordo com a defesa do Google, poderia até ser parte de “esquemas piramidais”, que trabalha com criptomoedas. Além disso, apesar de ter no objeto social a finalidade de trabalhar com cosméticos, se apresenta como uma empresa de rendimentos em criptomoedas.

Refere que, ao que tudo indica, o site oficial da agravada não contém nenhuma informação acerca de seus ramos de atividade e produtos que comercializa e que, ao contrário das atividades constantes no objeto social da empresa, ela se apresenta com atuação no ramo de criptomoedas, conforme se observa do print de tela acostado aos autos

A defesa do Google agora pede na justiça a manutenção dos vídeos no YouTube, até que a questão seja melhor esclarecida. O processo 2128306-55.2020.8.26.0000 corre na segunda instância do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), e aguarda posição da Moonway sobre o caso.

“Vale dizer: não sendo possível verificar, em cognição não exauriente, a probabilidade do direito invocado, deve ser privilegiado o direito à liberdade de expressão, nos termos do quanto disposto no artigo 220 da Constituição Federal. Registrese, por oportuno, que nem mesmo é possível atestar, de plano, que a referida empresa Moonway Cosméticos LTDA não funciona pelos chamados “esquemas piramidais”, sendo prudente a manutenção dos vídeos na rede mundial de computadores até que a questão seja melhor esclarecida”, afirmou a defesa do Google

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