EUA guardam 141% mais ouro que todo o bloco BRICS, mostra J. P. Mayall

Somando as 8.133 toneladas próprias e o ouro de 36 bancos centrais custodiado no porão do Fed de Nova York, o solo americano concentra 40% do ouro oficial do planeta, enquanto o bloco que promete a desdolarização soma 6.000 toneladas

João Paulo Mayall, fundador do primeiro ETF de Bitcoin da América Latina, publicou um estudo nas redes sociais sobre países aumentando as suas exposições ao ouro, o que é visto por muitos como uma fuga do dólar americano.

O executivo contesta essa narrativa apresentando dados. Como destaque, aponta que os EUA mantêm as maiores reservas de ouro do mundo e, quando contabilizada a custódia para terceiros, o total supera as reservas do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em 141%.

Além disso, também revela que diversos países possuem uma maior exposição à dívida americana do que ao metal, incluindo a China.

Mayall dá destaque para as principais movimentações de ouro nos últimos anos

Iniciando sua análise, J. P. Mayall mostra que bancos centrais detêm US$ 4 trilhões de ouro em suas reservas. Por outro lado, eles mantêm US$ 9,3 trilhões em títulos do Tesouro americano.

“Bancos centrais compraram mais de 1.000 toneladas de ouro por ano desde 2022 e a manchete diz que o mundo está fugindo do dólar. O balanço dos próprios países conta outra história – os Treasuries em mãos estrangeiras estão em $ 9,3 trilhões, perto da máxima histórica.”

Citando exemplos, o executivo nota que a França vendeu todas as suas barras de ouro que estavam no cofre do Fed em Nova York, totalizando 129 toneladas. No mesmo período, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, a exposição francesa aos títulos do Tesouro chegou a um recorde de US$ 395 bilhões.

Já a Índia repatriou 104 toneladas de ouro em seis meses, mantendo 77% das barras em Mumbai e Nagpur. No entanto, o ouro representa somente 16,7% das reservas estrangeiras do país, dominado por US$ 465 bilhões em títulos, majoritariamente americanos.

“Repatriou a fatia de 17% e manteve a de 79% dentro do sistema.”

Outro país que seguiu essa estratégia foi a Holanda, retirando 78 toneladas de ouro do Fed de Nova York, citando um “ambiente geopolítico volátil” ao movê-las para o Reino Unido. Mesmo assim, o executivo destaca que 18,5% das reservas holandesas seguem “no porão do Fed”.

Quanto à Turquia, Mayall destaca que o país foi o comprador mais agressivo da década, mas precisou vender cerca de 70 toneladas do metal em um único trimestre para segurar a desvalorização da sua moeda, a lira.

Outros países mencionados são Canadá e Alemanha.

Enquanto o primeiro vendeu todas as suas reservas de ouro até 2016, batendo um recorde de US$ 472 bilhões em títulos do Tesouro, o segundo ainda mantém 1.236 toneladas sob custódia do Fed, mesmo sendo o país que mais fala sobre repatriação dessas reservas.

“Quem realmente tem mais ouro que o Treasury (Alemanha, França, Itália) herdou o estoque de Bretton Woods. Quem comprou a narrativa da fuga recente segue atolado – Japão carrega 9x mais U.S. Treasuries que ouro, UK 21x, Brasil 9x.”

Por fim, o executivo cita a China, que, embora tenha passado uma década vendendo os títulos do Tesouro americano e 21 meses seguidos comprando ouro, ainda mantém o dobro de exposição à dívida americana em relação ao metal.

EUA fazem a custódia de 40% de todo o ouro do mundo, alerta Mayall

Finalizando o resumo sobre seu paper (The Paradox of Gold Reserves), J. P. Mayall destaca que “ninguém está saindo do dólar” e países só estão trocando de cadeira dentro dele.

“A narrativa do ouro BRICS contra o dólar tem um problema de aritmética. O bloco inteiro, já expandido pra 10 membros, soma ~6.000 toneladas – Rússia 2.336t, China 2.298t, Índia 880t, e o resto dividindo migalhas. Os EUA, sozinhos, guardam 8.133t, 41% mais que os 5 BRICS originais somados. Contando a custódia fica constrangedor – com as 6.331t que 36 bancos centrais deixam no porão do Fed de NY, o solo americano concentra 14.464 toneladas. 2,4x o bloco inteiro, ~40% de todo o ouro oficial do planeta. O BRICS compra ouro contra o dólar num mercado onde quem precifica, liquida e custodia é o dono do dólar.”

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Henrique HK
Henrique HKhttps://github.com/sabotag3x
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

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