A OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA) anunciou nesta quarta-feira (1º) sanções contra dois brasileiros e quatro empresas (três do Brasil e uma de Portugal), citando vínculos com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Segundo a denúncia, os acusados teriam lavado mais de 30 milhões de dólares nos EUA e, posteriormente, usaram criptomoedas para transferir esses fundos para o Brasil.
O texto descreve o PCC como “a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”, apontando que hoje a facção também está presente em outros países como Reino Unido, Turquia e Japão.
“Nos EUA, a facção representa uma ameaça criminal real e crescente. Redes como a que foi alvo da ação de hoje envolvem-se no tráfico de drogas, contrabando de grandes quantias de dinheiro em espécie para cartéis e outras atividades ilícitas para gerar fontes de receita para o PCC.”
Seguindo, a OFAC também cita uma recente descoberta por autoridades brasileiras sobre uma operação de lavagem de dinheiro pelo PCC que utilizava uma rede de distribuição de eletrônicos chinesa e uma plataforma de e-commerce chinesa. Tal operação teria lavado US$ 190 milhões ao longo de sete meses.
Quem são os brasileiros sancionados pelos EUA?
Os alvos das sanções dos EUA são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
O Departamento de Justiça aponta que Shimada tem sido um elo fundamental entre os operadores do PCC da Flórida e traficantes de drogas estrangeiros. Anteriormente, em janeiro, o FBI prendeu seis membros do grupo no mesmo estado.
“Shimada e sua organização lavaram mais de 30 milhões de dólares em receitas ilícitas geradas em várias cidades dos EUA e arredores, utilizando criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome do PCC. Shimada também se envolveu em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.”
A denúncia nota que Shimada fechou a cumprir uma breve prisão domiciliar no Brasil em janeiro de 2025 porque uma de suas empresas, a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, teria sido usada para lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro.
Já Stefanie é apontada como uma “associada próxima e parente de Shimada”, tendo trabalhado como sua secretária e intermediária para retiradas de grandes volumes de dinheiro em espécie, contribuindo para as operações de lavagem de dinheiro.
Quatro empresas foram sancionadas pela OFAC
As empresas sancionadas pela OFAC são Victory Trading, Pixwave Soluções De Pagamentos Ltda (Pixwave) e Wave Construções Inteligentes Ltda (Wave), as três sediadas em São Paulo e ligadas a Shimada, bem como a Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda, localizada próxima a Lisboa, em Portugal.
Em detalhes, as autoridades americanas apontam que as duas primeiras são empresas de serviços financeiros, a terceira do ramo de construção e a última de transporte e armazenamento.
“Esta designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para enfrentar e reconhecer a crescente presença da geração de receitas ilícitas do PCC dentro de nossas fronteiras. Não se deve permitir que o crime organizado no Hemisfério Ocidental estabeleça operações em solo americano que contribuam para a criminalidade e a ilegalidade”, disse Gene Lange, que exerce as funções do subsecretário de Terrorismo e Inteligência Financeira.