Um antigo operador de node da rede Ethereum foi rastreado por agentes federais e convocado a depor como testemunha na Justiça dos Estados Unidos. Dylan Brodeur relatou no domingo (18) que sua participação serviu para destravar o julgamento do hacker acusado de roubar mais de US$ 50 milhões do protocolo Uranium Finance.
O chamado inesperado da promotoria ocorreu em setembro de 2026, três anos após o investidor desligar o equipamento que mantinha em um apartamento em Wall Street. Ele relatou seu caso no X, após viralizar a situação entre a comunidade cripto pelo caso inusitado.
“Temos motivos para acreditar que você, ou alguém da sua casa, pode ter operado um nó Ethereum entre 2021 e 2023. Você teria alguns minutos hoje para conversarmos sobre isso?”, dizia um e-mail enviado pelos federais.
A equipe de acusação precisava comprovar que pelo menos um computador instalado no Distrito Sul de Nova York processou as transações ilícitas entre 2021 e 2023.
Essa exigência atende a uma cláusula da Constituição norte-americana de 1787 sobre o foro competente, segundo a qual todo crime precisa ser julgado no local onde aconteceu.
Sem a presença física de um validador naquela região geográfica, o réu corria o risco de escapar da condenação por uma brecha processual.
Cruzamento de dados do Etherscan com operadora de internet revelou endereço
Para localizar a testemunha, os investigadores coletaram endereços de protocolo de internet (IP) de contas no explorador Etherscan que monitoravam recompensas de validação. Os peritos partiram da premissa de que o usuário dedicado a acompanhar o desempenho de um node específico também seria o dono da máquina.
Em seguida, a força-tarefa cruzou essa lista de acessos com os registros de clientes da empresa de telecomunicações Verizon na ilha de Manhattan. O rastreamento chegou ao e-mail do antigo colega de quarto de Brodeur, titular do contrato de banda larga da residência na época.
Na ocasião do contato oficial, o operador visitava a avó na Califórnia e preparava uma mudança para o Cazaquistão no intervalo de duas semanas. Diante da hesitação inicial do jovem em uma chamada de vídeo, o procurador federal avisou que emitiria uma intimação judicial caso não houvesse colaboração voluntária.
“Durante anos ouvi pessoas reclamarem sobre a falta de privacidade na internet, mas nunca antes meu rastro digital havia sido monitorado de forma tão explícita. Eu me senti ao mesmo tempo exposto e impressionado.” — Dylan Brodeur, ex-operador de node da rede Ethereum.
Segundo a análise do jovem, a aplicação de uma lei do século dezoito ao ecossistema de criptomoedas cria uma distorção curiosa no direito moderno. Como as transações em blockchain ocorrem em milhares de máquinas no mundo, qualquer mantenedor de node se torna testemunha ocular de todos os delitos daquela rede.
Por fim, ele disse que não conhecia nem o réu e nem o protocolo e foi dispensado após dez minutos, depois de passar um dia e meio no aguardo para prestar o esclarecimento.
“Para mim, o contraste entre criptomoedas e o tribunal era claro. O lema das criptomoedas é: “Não confie, verifique”. Havia muitas maneiras de verificar se eu havia executado aquele nó, mas o tribunal não precisava de nenhuma delas. Tudo o que eu precisava fazer era prestar juramento. O lema do tribunal poderia ser Não verifique, confie”, finalizou o ex-operador de node.