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FMI publica estudo sobre tokenização citando riscos e oportunidades

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou neste mês de abril um relatório de 23 páginas destacando as oportunidades e riscos da tokenização de ativos.

Em suma, a tokenização é uma forma de digitalizar ativos do mundo real, incluindo moedas, ouro, ações, títulos e outros. O caso mais notável, até o momento, são as stablecoins.

FMI afirma que tokenização é uma mudança estrutural no sistema financeiro

Iniciando o documento, o FMI destaca que a digitalização do dinheiro já acontece há anos, mas que esses sistemas são centralizados e as transferências passam por diversas instituições.

“A tokenização rompe com esse modelo ao incorporar a titularidade e a transferência diretamente no próprio ativo.”

Como consequência, isso permite a execução de contratos inteligentes sem interação humana, uso de um registro único e liquidações finais em poucos segundos.

“Em conjunto, essas características deslocam o centro do risco das instituições para a infraestrutura”, explica o FMI.

“O desafio de política pública é regular não apenas quem participa do sistema financeiro, mas como as transações são executadas no nível mais fundamental, ou seja, no próprio código.”

O primeiro exemplo citado pelo FMI é a tokenização do dinheiro, hoje feita por stablecoins, mas possivelmente por CBDCs (Moedas Digitais de Bancos Centrais) no futuro.

Na sequência, também são citados a tokenização nos setores bancário, acionista e de infraestrutura de mercados.

Relatório também aponta para riscos da tokenização

Enquanto o Bitcoin é visto como um ativo sem concorrentes, outras criptomoedas cujas redes abrigam tokens possuem uma forte concorrência. Com a popularização dos ativos tokenizados, a tendência é que surjam ainda mais projetos do tipo.

Uma das questões levantadas pelo relatório do FMI é a falta de interoperabilidade dessas redes.

“Se ativos de liquidação, pools de liquidez ou estruturas de colateral diferirem entre plataformas, a fragmentação pode prejudicar a conversão a par, reduzir a eficiência de compensação e complicar a gestão de crises.”

Ou seja, o que apareceu como uma solução para eliminar intermediários pode trazer de volta todo esse emaranhado de sistemas, agora com novos riscos.

Outro potencial problema levantado é a rapidez com que as crises podem tomar devido ao aumento da agilidade do mercado.

“Episódios de estresse em mercados tokenizados tendem a se desenrolar mais rapidamente do que em sistemas tradicionais, deixando menos espaço para intervenções discricionárias.”

“Do ponto de vista da estabilidade macroeconômica, os principais desafios são tamanho, concentração, interconectividade, correlação e falta de substituibilidade”, aponta o FMI.

Somado a isso, um mesmo token poderá ser utilizado em diferentes jurisdições, podendo gerar conflitos.

Para países com economias fracas, a adoção de uma stablecoin atrelada ao dólar e ao euro, por exemplo, poderia matar as moedas locais rapidamente.

Finalizando, o FMI cita cinco pontos para mitigar os riscos. Isso inclui a ancoragem em dinheiro seguro, a implementação de padrões globais, a garantia de segurança jurídica, a interoperabilidade e, por fim, a adaptação das gestões de crises.

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Henrique HK

Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de mais de 100 documentos sobre criptomoedas alternativas, também já teve uma pequena fazenda de mineração com mais de 50 placas de vídeo. Atualmente segue acompanhando as tendências do setor, usando seu conhecimento para entregar bons conteúdos aos leitores do Livecoins.

Autor:
Henrique HK