O Departamento de Justiça americano abriu um processo contra Michele Spagnuolo, um funcionário do Google. A denúncia afirma que o engenheiro de segurança teria utilizado informações privilegiadas para lucrar em apostas na Polymarket.
O texto aponta que Spagnuolo operava sob o apelido de AlphaRaccoon. As suspeitas começaram na própria comunidade após o usuário lucrar mais de US$ 1 milhão em um único dia de operações.
Na data, dezembro de 2025, o investidor apostou em um azarão sobre qual seria a pessoa mais buscada no Google daquele ano. Antes disso, ele também teria lucrado US$ 150.000 ao prever a data de lançamento do Gemini 3.0, IA do Google.
EUA processa engenheiro do Google por insider trading
Uma das principais críticas sobre mercados de previsões é que eles são injustos. Isso porque algumas pessoas têm mais informações que outras, permitindo uma vantagem injusta contra outros participantes.
Como exemplo, um militar americano lucrou R$ 2,3 milhões ao apostar na prisão de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, mas acabou sendo descoberto e pode pegar 60 anos de prisão.
Já nesta quarta-feira (27), os EUA processaram um engenheiro do Google sob acusações semelhantes.
“[…] anunciaram hoje a abertura de uma denúncia que acusa MICHELE SPAGNUOLO, também conhecido como “AlphaRaccoon”, engenheiro de software do Google, de fraude em commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro, decorrentes de um esquema para se apropriar indevidamente de informações confidenciais de seu empregador e usá-las para realizar uma série de negociações lucrativas relacionadas ao Google em uma plataforma de mercado de previsões.”
A denúncia afirma que Spagnuolo tinha acesso aos sistemas internos do Google devido ao seu cargo, incluindo dados confidenciais, e que estes foram utilizados para lucrar US$ 2,75 milhões com apostas na Polymarket entre 15 de outubro de 2025 até aproximadamente 4 de dezembro de 2025.
Spagnuolo mora na Suíça, mas já foi apresentado a um tribunal americano nesta quarta-feira (27).
Em seu LinkedIn, é possível ver que Spagnuolo trabalhava no Google há mais de 12 anos, estando há 4 anos e 7 meses na função de engenheiro de segurança da informação na empresa.

“As acusações de hoje reforçam uma mensagem de décadas: insiders corporativos não podem utilizar informações comerciais confidenciais para obter lucro em nossos mercados”, disse Jay Clayton, procurador dos EUA.
“Conforme alegado, Spagnuolo violou os deveres que devia ao seu empregador e utilizou informações comerciais confidenciais do Google para obter mais de US$ 1,2 milhão em lucros negociando na Polymarket. O uso de informação privilegiada compromete a integridade dos nossos mercados, e o povo americano quer que esse comportamento motivado pela ganância seja investigado e processado.”
Polymarket se diz orgulhosa da acusação
Embora a denúncia de insider trading possa servir como combustível para os críticos da Polymarket, a empresa transformou o anúncio em algo positivo ao destacar seus esforços para combater essa prática.
“Orgulhosos de anunciar que a infraestrutura de integridade de mercado da Polymarket identificou outro trader, que foi preso nesta manhã em Nova York por uso de informação privilegiada.”
“Com 2 de 2 prisões neste setor decorrentes de nossas comunicações às autoridades, a Polymarket se consolidou como líder em fiscalização. A negociação em blockchain é transparente, rastreável, e maus agentes deixam rastros”, escreveu a Polymarket.

A reviravolta acontece no mesmo dia em que o presidente americano Donald Trump sai em defesa de mercados de previsões. Sua justificativa é que os EUA devem se manter líderes nestes e em outros setores em ascensão.
