Um relatório publicado pela Artemis nesta quinta-feira (15) revela que o volume de gastos em cartões de criptomoedas saltou de US$ 230 milhões mensais no início de 2023 para US$ 1,5 bilhão no final de 2025, representando um crescimento anual composto de 106%.
O texto também mostra a rivalidade entre Visa e Mastercard, cada uma com mais de 130 parcerias com outras empresas. No entanto, com a Visa dominando em termos de volume.
Dentre as criptomoedas preferidas dos usuários estão as stablecoins, representando 96% dos depósitos. Embora a USDC fique quase empatada com a USDT na Índia e Argentina, a moeda da Tether exerce uma forte dominância em outros países.
Mercado de cartões cripto aparece em forte ascensão
A atividade on-chain diminuiu muito no último ano, tanto no Bitcoin quanto em outras criptomoedas de primeira camada. Muitos apontam que isso se deve à chegada dos ETFs.
No entanto, os cartões de criptomoedas também podem ser responsáveis por essa escalabilidade off-chain.
Dados coletados pela Artemis mostram que o volume de pagamentos via cartões cripto era de somente US$ 230 milhões no início de 2023, mas em agosto de 2025 já estava em US$ 1,5 bilhão, quase empatando com transações P2P.
“Em base anualizada, o mercado já supera US$ 18 bilhões, rivalizando as transferências peer-to-peer com stablecoins (US$ 19 bilhões), que cresceram apenas 5% no mesmo período.”

Visa e Mastercard disputam setor
Citando um relatório de 2024 da Nilson Report, a Artemis nota que Visa e Mastercard controlam 70% do mercado de cartões, mas este número sobe para quase 100% nos cartões cripto.
As duas aparecem empatadas no número de parcerias com outras empresas do setor.

Por outro lado, a Visa domina 90% do volume de pagamentos.
A grande diferença, segundo o estudo, é que a Visa se concentrou mais em programas emergentes, como Rain, Reap e outros provedores de infraestrutura. Já a Mastercard focou mais em parcerias com grandes corretoras, como Revolut, Bybit e Gemini.
“A dominância da Visa sugere que capturar a camada de infraestrutura pode escalar de forma mais eficiente do que parcerias com corretoras.”

Tether domina mercado global, mas Circle compete em determinados países
A Tether domina o mercado de stablecoins em termos de valor de mercado e volume. No mundo dos cartões cripto, a história se repete.
Embora a Circle consiga ter 47,4% do mercado na Índia e 46,6% na Argentina com o USDC, a Tether domina todos outros países, incluindo no Brasil (em destaque na imagem abaixo).

Ainda falando sobre localizações, a Ether.fi aparece com uma forte presença no Brasil, superando os próprios EUA. Já a Kast mostra acessos mais equilibrados, com o Brasil ao lado de Nigéria, Arábia Saudita, EUA, Austrália, Egito, Paquistão e Coreia do Sul.
“Uma classe distinta de fintechs, especialmente na América Latina, EMEA e Sudeste Asiático, trata os cartões vinculados a cripto como infraestrutura para acesso a dólares digitais”, aponta a Artemis, citando problemas locais como inflação, controle de capital e outros.
“Nesses contextos, cartões atrelados a stablecoins resolvem uma necessidade estrutural do mercado. Eles permitem que usuários mantenham poupança em ativos atrelados ao dólar, contornem restrições cambiais locais e acessem comerciantes globais sem interagir com sistemas bancários domésticos instáveis.”

Por fim, o relatório também apresenta diferentes tipos fluxos de transação entre cartões de criptomoedas, bem como outros detalhes técnicos.