Líder de pirâmide com Bitcoin é solto e volta a aplicar golpes prometendo lucros

Izaltino Medina Filho foi preso em março passado, após enganar, pelo menos, 2.500 clientes. Ele foi solto e voltou a chamar investidores pelo Twitter

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Mesmo depois de ter sido preso e indiciado pela Polícia Civil, o dono da pirâmide financeira “Medina Bank“, Izaltino Medina Filho, de 60 anos, continua prometendo investimentos com lucros exorbitantes.

Pelo Twitter, ele fez uma postagem, no último dia 23 de julho, e chamou quem tem dinheiro parado no banco, caderneta ou em aplicação financeira para investir com ele. “Adquirindo cédulas e moedas antigas, o cliente receberá 18% de lucro anual ou 1,5% por mês”, prometeu o piramideiro na rede social.

O dono da pirâmide garantiu que o investimento era 100% seguro e disse que todas as moedas usadas nos investimentos são verdadeiras e foram emitidas pela Casa da Moeda do Brasil.

A postagem diz ainda que os pagamentos podem ser feitos em espécie, dólar, bitcoin, PIX ou dividido em 12 vezes no cartão de crédito. “Pagamos 18% de cashback anual”, escreveu.

Medina Bank publicação
Medina Bank publicação

Pelo Twitter, várias vítimas reagiram a postagem: “Devolva meu dinheiro, graças a você meu nome foi jogado na lama, pois confiei em ti e tirei os limites dos cartões de crédito. Nunca recebi nem um mísero centavo, até esses dias acreditava em você, mas agora vejo o golpista que você é, não tem coragem de falar com os clientes ?”, disse um cliente.

“Sou do Paraná até onde sei sou o único investidor do Medina Bank aqui do Paraná, rezo para receber meu dinheiro e tirar meu nome da lama em que foi colocado”, disse outro.

O perfil do dono da “Medina Bank” já foi apagado da rede social. A Polícia Civil está em uma segunda fase das investigações contra a pirâmide financeira para apurar esse e outros golpes.

Piramideiro foi preso em março e solto dias depois

Izaltino Medina e o filho dele André Ramos Medina, de 39 anos, foram presos pela Polícia Civil em março deste ano, mas foram soltos dias depois para responder o processo em liberdade.

Os dois e outras cinco pessoas foram indiciadas pelos crimes de organização criminosa formada para prática de crime de pirâmide financeira, lavagem de dinheiro, crimes contra a ordem tributária, consumidor e Comissão de Valores Mobiliários.

Mesmo após o indiciamento, as investigações continuam

De acordo com a delegada Monah Zein, “cerca de 400 boletins de ocorrência que totalizaram valor próximo a R$ 16 milhões (apenas de aportes das vítimas) evidenciaram o esquema de pirâmide financeira articulado pela organização criminosa, que chegou a cooptar em média 2.500 pessoas”.

Na época do crime, a delegada contou que os suspeitos diziam às vítimas que o investimento era em bitcoins, mas eles não conseguiram comprovar para a polícia nenhum investimento feito na moeda.

“No primeiro mês a pessoa recebia o lucro de 15%, por que o dono ia usando dinheiro de alguns investidores para pagarem os outros e pegava parte do investimento para ele. Fato é que a pirâmide ia afunilando e chegou um momento em que eles não tinham mais o dinheiro para pagar as vítimas. Há dois meses nenhum investidor era pago”, contou a delegada em março.

Suspeitos tinham vida de luxo

O dono da pirâmide e o filho dele foram presos em uma casa de luxo no bairro Paquetá, em Belo Horizonte. O aluguel mensal do imóvel custava R$ 18 mil. A dupla também tinha cinco carros de luxo, um deles no valor de R$ 250 mil.

No início do ano, o líder da pirâmide foi vítima do coronavírus e, sem convênio, gastou R$ 500 mil em tratamento particular no Hospital Mater Dei, unidade de saúde de alto padrão em Belo Horizonte.

A Polícia Civil explicou que os suspeitos já montaram a pirâmide sabendo que ela iria quebrar. Dessa forma eles conseguiram tirar lucros exorbitantes com o golpe.

Empresa se apresentava como banco virtual, mas não tinha registro

A “Medina Bank” se apresentava às vítimas como um banco virtual e tinha até sede em Belo Horizonte, no entanto não havia nenhum registro formal da empresa.

O esquema funcionava com a contratação de funcionários que recebiam R$ 100 para entregarem panfletos com propaganda de investimentos em bitcoins nas ruas da cidade. O dono da pirâmide, Izaltino Medina, também vendia marmitas no Parque Municipal, em Belo Horizonte, e aproveitava da venda para chamar investidores para a pirâmide.

Em um perfil que tinha no Facebook, Izaltino Medina disse que queria comprar oito bancos. “Sr. Izaltino de Medina Filho! O homem que vendia marmitex no parque municipal de Belo Horizonte – MG, e hoje é um grande empresário, esteve morto lá no Hospital Mater Dei por 15 dias, com COVID-19, e voltou a vida, diariamente combatendo uma luta espiritual, para o Brasil inteiro conhecer, o tamanho da OBRA DO SENHOR DOS EXÉRCITOS que está sendo realizada para o povo Brasileiro através da sua vida!”.

A reportagem não conseguiu falar com os suspeitos ou com os advogados deles.

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Natália Oliveira
Jornalista desde 2011. Já atuou em grandes mídias de Minas Gerais. Tem interesse por tecnologia e economia.
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