MP processa Binary Bit (atual Fênix Global) e solicita passaporte dos sócios

A empresa prometia lucro de 300% em até 20 dias; estimativa é que a dívida da suposta pirâmide financeira seja de R$ 80 milhões.

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O Ministério Público da Bahia ajuizou uma ação civil pública contra a Fênix Global, antiga Binary Bit. A empresa, que deve cerca de R$ 80 milhões para quase 30 mil clientes, é suspeita de prática de pirâmide financeira.

Conforme o processo, o órgão também determinou que os sócios do suposto esquema fraudulento – que prometia até 300% de lucro em 20 dias – entreguem seus passaportes.

São eles: Marcos Antônio Monteiro, José Ricardo Pereira Lima Filho (conhecido como Ricardo Toro) e Israel Marcos Silveira Soares.

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“Recebemos uma denúncia de um homem que investiu o valor de R$ 2 mil e não estava conseguindo realizar saques dos rendimentos, nem mesmo resgatar o valor, daí instauramos procedimento para investigar o caso”, disse a promotora de Justiça Joseane Suzart, autora da ação civil pública, em release enviado à imprensa.

Além do MP da Bahia, o Ministério Público de São Paulo também investiga a empresa.

Binary Bit deve suspender movimentação financeira, determina MP

Na ação civil pública, o MP da Bahia requereu que a empresa e seus sócios suspendam qualquer negócio jurídico que dependa de autorização da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Além disso, determinou que a Binay Bit pare de ofertar ao público contratos de investimento coletivo sobre operações de arbitragem e interrompa a realização de movimentações com dinheiro investido por consumidores.

Solicitou também, conforme notícia publicada no site do MP da Bahia, que a empresa pare com a oferta enganosa associada a bitcoins e com a promessa de ganhos inalcançáveis, sob pena de cometer infração penal.

Decisão de processar Binary Bit foi baseada em ofício da CVM

O MP decidiu ajuizar uma ação civil pública depois de receber ofício enviado pela CVM. Conforme o documento da autarquia, que regula o mercado de capitais, a Binary Bit tem indícios de ser um esquema fraudulento.

De acordo com o órgão, a empresa pode ser “uma pirâmide financeira considerando a exigência de pagamento inicial sem uma clara e identificável contrapartida em produtos ou serviços; a promessa de retorno financeiro extraordinário; a ênfase no aumento de ganhos com o recrutamento de novos participantes; a falta de informação sobre os riscos inerentes e a pouca informação sobre a empresa”.

Passaportes de sócios da Binary Bit devem ser retidos para evitar fuga

Sobre a solicitação dos passaportes, o MP da Bahia informou que a medida visa evitar a fuga dos sócios para o exterior. De acordo com o órgão, a prática é comum entre pessoas associadas a pirâmides financeiras.

Apesar do pedido do MP, dois dos três fundadores da Binary Bit podem estar em Portugal. A informação foi repassada por Toro em entrevista realizada no início deste ano.

Por causa dos problemas no pagamento, no final do ano passado a casa de Toro chegou a ser cercada por investidores.

Binary Bit parou de pagar, mudou de nome, captou novos recursos e pode ter dado novo golpe

A Binary Bit deixou de pagar seus investidores no final do ano passado. Com a justificativa de arrecadar dinheiro para pagar clientes, Toro lançou a Fênix Global.

Ricardo Toro, sócio da Binary Bit. Reprodução/YouTube

Para migrar de uma empresa para outra, Toro cobrou US$ 27,50 (R$ 146, na cotação de hoje) dos clientes. No total, 6,6 mil pessoas aderiram ao sistema, o que gerou R$ 736 mil, segundo reportou o Livecoins no começo do ano.

Em janeiro, no entanto, a suposta pirâmide financeira deixou de pagar de novo. “Na verdade, a empresa pegou o dinheiro captado com as taxas de adesão e pagou algumas pessoas próximas que estavam fazendo ameaças”, disse, na época, um cliente que pediu para não ter o nome revelado.

Sócio ostenta nas redes sociais

Enquanto Toro ficou no Brasil, captou dinheiro de forma irregular e pode ter dado um novo golpe, outro fundador do suposto esquema fraudulento virou “blogueirinho” nas redes sociais.

Em posts no Instagram, Marcos Monteiro começou a publicar fotos em Paris, na França, com frases de motivação. Além disso, passou a publicar no YouTube vídeos em que aparece dirigindo carros de luxo.

“Tenho 25 anos e já tive 20 carros, graças a Deus”, disse Monteiro em um dos vídeos.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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