Artigo da revista Time: “não demonizem o Bitcoin”

"As autoridades culparão o extremismo em qualquer coisa que eles não possam controlar."

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Conforme as criptomoedas vão ficando cada vez mais famosas, os críticos passam a apontar qualidades como defeitos. Assim, tem aumentado a propagação de uma narrativa que aponta o Bitcoin como uma ferramenta de extremistas e que a moeda digital facilita crimes de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.

Na semana passada, por exemplo, vários artigos surgiram relatando que o Bitcoin foi usado para financiar alguns manifestantes que atacaram o Capitólio nos Estados Unidos. Nesse sentido, um artigo publicado por Alex Gladstein no site da revista Time faz um alerta para o aumento dessa narrativa.

Gladstein é diretor de estratégia da Fundação dos Direitos Humanos e em seu artigo de opinião publicado na Time ele aponta os sites The New York Times e Associated Press como alguns dos meios de comunicação que estão propagando a ideia de que o Bitcoin está sendo usado por “extremistas”. 

A nova secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, declarou que as criptomoedas são “uma preocupação particular” para o terrorismo e a lavagem de dinheiro. Com isso, segundo o artigo, diversas notícias saíram na mídia alertando sobre os perigos das chamadas “ferramentas que garantem privacidade”.

Na luta contra o extremismo, não demonizem ferramentas de privacidade como o Signal e o Bitcoin. Imagem: Time
Na luta contra o extremismo, não demonizem ferramentas de privacidade como o Signal e o Bitcoin. Imagem: Time

Críticas ao Facebook e Google

Gladstein acredita que os principais propagadores de conteúdo extremista continuam sendo plataformas corporativas centralizadas como Facebook e YouTube, e não plataformas de privacidade de código aberto.

Ele diz que a maioria dos americanos ainda não se deram conta da necessidade de privacidade financeira, apontando que os hábitos de consumo “dizem mais sobre você do que suas palavras.”

Para ele, em uma sociedade aberta, é fundamental que o cidadão possa comprar livros políticos, passar por procedimentos médicos e se comunicar entre grupos sem uma vigilância governamental.

O diretor da Fundação dos Direitos Humanos afirma que o dinheiro atualmente tem servido ao propósito de vigilância. A utilização do dinheiro de papel está em queda e representa menos de 30% das transações financeiras dos Estados Unidos. Os americanos passaram a utilizar dinheiro corporativo como Apple Pay ou Visa para quase tudo. 

Moeda digital de Banco Central (CBDC)

Ele afirma que em breve o dinheiro poderá ser substituído por Moedas Digitais do Banco Central (CBDC) e que esse dinheiro digital precisará atender a um número cada vez maior de leis de “combate à lavagem de dinheiro” e passará a ser uma ferramenta poderosa de vigilância.

O artigo destaca os protestos em Hong Kong, Rússia e Nigéria como exemplos para “entendermos porque os cidadãos precisam de privacidade financeira”, especialmente para defender a democracia.

Em Hong Kong, apontou Gladstein, os estudantes usaram dinheiro para comprar passagens de metrô para que não pudessem ser rastreados caso usassem o cartão de estudante para terem acesso ao transporte.

Já na Rússia e Nigéria, disse, os movimentos pró-democracia foram desestabilizados pela eficácia do governo em monitorar e congelar contas bancárias.

Como alternativa ao controle financeiro, existe o Bitcoin, e muitas pessoas podem recorrer ao ativo digital, contudo, essa utilização é vista como uma afronta e a moeda digital está sendo demonizada e criticada pela mídia.

Bitcoin é neutro

Nas palavras de Alex Gladstein, o “Bitcoin é neutro como dinheiro” e não pode ser relacionado entre o bem e o mal. As autoridades culparão o extremismo em qualquer coisa que eles não possam controlar.

Ele ainda afirma que a medida que vemos artigos demonizando ferramentas de proteção de identidade como o Signal e o Bitcoin, devemos pensar sobre o estado policial que espera que devemos recorrer à vigilância em massa para “combater o extremismo.”

Por fim ele reconhece que alguns criminosos usam o Bitcoin e as criptomoedas, mas eles também usam dólar, euro e real.

A maneira de combater o extremismo não é reprimindo a inovação e expandindo o estado de vigilância. Essas são as táticas dos tiranos. Conclui o artigo.

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Diego Marques
Começou em 2016 como um dos primeiros redatores do Guia do Bitcoin. Diego tem preferência por notícias que podem influenciar o preço das criptomoedas, mas também gosta de escrever curiosidades do cripto-universo.
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