“Perdi amigos porque vendi Bitcoin”, diz cypherpunk brasileiro

Desabafo de uma das maiores personalidades da comunidade brasileira de criptomoedas: "Não é permitido vender Bitcoin?"

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Avelino Morgati
Avelino Morgati

De acordo com Avelino Morganti, um cypherpunk brasileiro, a comunidade bitcoin reagiu mal a sua saída do mercado. Ele relatou que até perdeu amigos porque “vendeu” a moeda digital.

Nos últimos meses, o entusiasta das criptomoedas e ouro havia anunciado sua saída do mercado de Bitcoin. Em explicação, Avelino pontuou que o mercado estava cheio de desafios, inclusive relacionados a regulamentação.

Após sua “saída” do setor de criptomoedas, mercado que ele estava desde 2014, algumas pessoas se voltaram contra ele. Em comentários ao seu vídeo no YouTube, inclusive, muitos criticaram sua fala pública sobre o assunto.

O Livecoins conversou com Avelino para entender o caso e saber quais suas previsões sobre a economia global.

“Perdi amigos porque vendi Bitcoin”, relatou antigo membro da comunidade brasileira de criptomoedas

Ao conhecer o Bitcoin, muitos se apaixonam pela tecnologia revolucionária de pagamentos. Outros acabam tomando a moeda como uma religião, perseguindo aqueles que pensam diferente.

Esse foi o sentimento de Avelino Morganti ao sair do mercado de Bitcoin em pleno 2020. Em relação ao real brasileiro, o preço do Bitcoin já valorizou mais de 250%. Para os fãs da moeda digital, o movimento pode ser ainda maior nos próximos anos.

Para alguns envolvidos com o mercado, os riscos inerentes de trabalhar e empreender com Bitcoin não compensam mais. Um deles, Avelino Morganti, chegou ser vendedor de Bitcoin (P2P) no mercado, mas enfrentou muitos problemas.

Em conversa com o Livecoins ele declarou que o mercado hoje oferece muitos riscos e ele não saberia listar todos. Contudo, disse que alguns dos principais riscos em sua visão são de regulação, fiscal e civil.

Ele afirmou que vendeu todos os seus Bitcoins, não sendo mais um holder da moeda. No último mês, Avelino chegou a gravar uma live explicando os motivos que o levaram a abandonar o Bitcoin e apostar em outros itens de hedge.

Na última semana, contudo, Avelino desabafou em seu Twitter, ao dizer que nunca pensou que seria tão odiado por vender uma criptomoeda. Ele declarou ainda que até perdeu amigos por vender Bitcoin, uma situação até então inesperada. Ele terminou o desabafo lamentando que uma criptomoeda valeria mais que uma amizade.

“Não entenderam os motivos que eu vendi”

Para Avelino, a comunidade não entendeu sua saída do mercado, que foi por motivos pessoais. Com os riscos que citou anteriormente, ele acredita agora ter migrado realmente para um mercado antifrágil.

De qualquer forma, Avelino não se mostra arrependido da venda e aposta em itens para sobreviver. Para ele, o mundo atravessa uma dívida enorme, portanto, algo está errado na economia global.

“Eu acredito que uma bolha de 600 trilhões em derivativos, 222 trilhões em dívida pública só nos EUA, 89 trilhões em dívidas corporativas, juros negativos, etc, não termina bem.”, declarou Avelino ao Livecoins”

Além disso, ele entende que o Bitcoin e o ouro são ativos de liquidez alta. A prova disso seria o mês de março, quando os mercados desabaram e os ativos foram facilmente negociados. Mas ele resolveu fazer seu hedge contra a crise financeira em outros itens.

“O Bitcoin possui muita liquidez. A gente viu o que aconteceu com ele em março, com o ouro. A crise de 1929 demorou décadas para os mercados se recuperarem, teve gente passando fome. Eu resolvi fazer meu hedge em água, energia, comida e armas para me preparar para este cenário mais apocalíptico.”, declarou Morganti

Quais as recomendações de Avelino para quem viu seu vídeo sobre a saída do mercado de Bitcoin?

Questionado sobre quais as recomendações para as pessoas que lhe seguem, Avelino alerta para os riscos. De acordo com ele, as pessoas devem reavaliar os riscos a que estão expostas no mercado.

“Reverem os riscos. Todos os riscos. Não só quanto a exposição nas criptomoedas, mas em toda a vida (profissão, dia-a-dia, finanças). Estamos num cenário de euforia e muita gente perde a sanidade. O risco no mundo, de forma geral, nunca foi tão alto.”, declarou o ex-investidor de Bitcoin

Avelino hoje trabalha com um projeto ligado ao mercado de ouro. Para ele, no longo prazo, seu projeto deverá ser mais interessante e lucrativo que às criptomoedas.

“Eu estou abrindo uma joalheria/cunhagem de moedas, lâminas e barras. A joalheria tem uma boa margem de lucro e se beneficia de períodos de crescimento de mercado. A cunhagem de moedas, lâminas e barras se beneficia de períodos de crise. Mas a matéria-prima é a mesma e a infraestrutura também. Eu vou ganhar mais dinheiro no longo prazo assim (até porque num bear market de criptomoedas, que acredito que aconteça a cada 4 anos seguindo o ciclo do halving é um período menos favorável para ganhar dinheiro).”, diz Avelino

Avelino reforçou que agora está fora do mercado de criptomoedas, pois não quer exposição aos riscos.

“Verdadeiros amigos continuam comigo, “criptoteens” não entendem fundamentos”, diz Morganti

Se alguns dos “amigos” hoje não são mais parceiros de Avelino devido a sua venda de Bitcoin, ele afirma que amigos verdadeiros continuam em contato. Mesmo assim, há discordância de opiniões sobre o Bitcoin.

Avelino lembrou que hoje ele é um crítico do Bitcoin, por vezes até duro em seus argumentos. Para ele, sua compreensão da moeda hoje difere da de muitos, que por vezes nem estudaram os fundamentos da moeda, a quem classificou de “criptoteens”.

“Outro ponto é que comecei a criticar o Bitcoin nas minhas redes sociais em alguns aspectos de forma mais dura e penso que a comunidade de criptomoedas, pelo menos uma parte, as vezes não gosta de ser criticada. Existem muitos “criptoteens”, na falta de um termo melhor, que não estudaram Bitcoin como eu estudei, não entendem os riscos da forma que eu compreendo, não estavam expostos aos riscos de mercado, como eu estava.”, citou Avelino

Avelino lembrou que parte da comunidade é tóxica e nociva e não ajuda muito a iniciantes das criptomoedas a entender sobre a tecnologia. No entanto, Avelino acredita que com o tempo, os “criptoteens” darão valor a sua mensagem.

“Existe uma comunidade muito boa que até critica os metais preciosos, valorizo suas opiniões”, finalizou Morganti

Se alguns são críticos ferozes de Avelino Morganti hoje, outros continuam seus amigos.

“Existe também uma comunidade muito boa e coerente no mercado. Amigos com os quais eu ainda mantenho contato, apesar de ter opiniões diferentes hoje em dia. Diferente dos “criptoteens” que eu citei anteriormente, são pessoas mais esclarecidas dos riscos do mercado, mais esclarecidas em aspectos mais técnicos, regulatórios, fiscais. São pessoas que, na maioria das vezes, trabalham no mercado de criptomoedas e estão sempre se atualizando. 

Eu percebi que estes são os meus verdadeiros amigos e tenho aprendido muito com eles, pois eles têm críticas coerentes aos metais preciosos, que defendo e valorizo suas críticas, pois elas farão eu melhorar a qualidade dos meus produtos. Ao contrário dos “criptoteens”, essas pessoas fazem um excelente trabalho de produção de conteúdo, gerenciamento da comunidade e principalmente, investimento responsável, uso responsável. Sem esse viés maluco e tóxico que tomou conta comunidade de criptomoedas. Se tem uma coisa que aprendi ultimamente é que estes amigos verdadeiros são ainda mais escassos que ouro e bitcoin.”, finalizou Avelino

Todo o debate em torno da saída de Avelino começou após a publicação de um vídeo em seu canal do YouTube. Assista abaixo e tire suas próprias conclusões sobre o caso.

Comunidade já criou até página para analisar quanto Avelino perdeu por vender Bitcoin

Uma página no Twitter chamada “%BTC Desde que Avelino vendeu” já foi até criada por membros “anônimos” da comunidade. No último dia 2 de dezembro, a página lembrou que Avelino já perdeu 70% da recente alta do Bitcoin.

Além disso, foi utilizada na foto de perfil uma imagem de Avelino quando criança, com barras de ouro e uma imagem no computador de Peter Schiff, famoso defensor do ouro. A página jocosa cita que irá acompanhar a valorização do Bitcoin desde a venda de Avelino, em outubro de 2020.

Página meme de Avelino "perdi amigos porque vendi Bitcoin"
Página Meme da Venda de Bitcoin de Avelino/Twitter

Questionado se a página de humor que foi criada em sua “homenagem” o ofende, ele disse que não. Avelino declarou que até segue a página e que ele mesmo riu da criação. Ele citou que a página seria o seu “karma”.

“Eu achei muito engraçada. Já sigo. Estou na Internet há muito tempo, como é mostrado na foto. Ali eu tinha uns 6 ou 7 anos e usava Internet discada. No passado, eu criei memes de pessoas influentes como o Fernando Ulrich por discordar das opiniões dele a respeito da Nano, na época, Raiblocks que tinha subido muito de preço. Hoje vejo que ele estava completamente certo. Nessa época, quando o btc encostou os 20k dólares, ele avisou justamente os riscos de se investir aquela altura. Então isto é um pouco de karma que eu tinha pra colher. Eu não entendia os motivos dele. E essas pessoas não entendem os meus.”, declarou Avelino.

A história de Avelino é uma entre muitas, recentemente um investidor dos EUA relatou no reddit que também havia vendido todos seus bitcoins. Diferente da situação do brasileiro, a comunidade apoiou a decisão do vendedor e disse que a moeda digital já havia cumprido um objetivo na vida dele.

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Gustavo Bertoluccihttps://github.com/gusbertol
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.

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