Por que os maximalistas de Bitcoin odeiam os ETFs

Para alguns, os ETFs de Bitcoin representam um afastamento lamentável dos ideais originais de Nakamoto. Para outros, é um passo prático e necessário para trazer o Bitcoin para o mainstream.

A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) aprovou a criação de fundos negociados em bolsa (ETFs) de bitcoin à vista. A decisão, anunciada em 10 de janeiro, representa um marco na história das criptomoedas, com muitos entusiastas de Bitcoin comemorando os novos produtos. No entanto, eles mesmos não chegarão nem perto de tais produtos.

Os ETFS de bitcoin serão emitidos por instituições financeiras de renome como BlackRock e Fidelity, oferecendo aos investidores um caminho mais acessível e familiar para entrar no mercado de bitcoin.

Ao contrário do investimento direto em bitcoin, que requer um certo nível de conhecimento técnico e disposição para gerenciar riscos de segurança, os ETFs permitem que os investidores comprem ações representativas do valor do bitcoin através de corretoras tradicionais, semelhante à compra de ações de empresas.

A comunidade de Bitcoin recebeu a notícia com entusiasmo, enxergando nela uma oportunidade de legitimar ainda mais a criptomoeda aos olhos dos investidores institucionais e do público em geral.

ETF não é Bitcoin

Muitos acreditam que essa nova avenida de investimento pode ampliar a demanda e, consequentemente, elevar o preço do bitcoin. No entanto, essa celebração vem acompanhada de uma cautela significativa.

A essência do Bitcoin, conforme descrito por seu criador enigmático, Satoshi Nakamoto, era ser um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer que operava fora do controle das instituições financeiras.

Os ETFs, no entanto, representam uma ironia em relação a esse ethos, uma vez que são produtos criados e gerenciados justamente por algumas das maiores instituições financeiras dos EUA.

Para analistas como Peter McCormack, apresentador do podcast “What Bitcoin Did”, os ETFs oferecem uma forma diluída da experiência do Bitcoin.

Os investidores ganham exposição ao potencial de valorização da criptomoeda, mas perdem a oportunidade de “possuir” Bitcoin no sentido mais puro delineado por Nakamoto, diz ele.

Isso levanta questões sobre a natureza da propriedade e controle em um mundo onde as criptomoedas estão se tornando cada vez mais institucionalizadas.

A chegada dos ETFs também pode levar a uma bifurcação conceitual do Bitcoin: de um lado, o Bitcoin como um ativo de investimento mainstream, representado pelos ETFs; e de outro, o Bitcoin “puro”, mantido e negociado diretamente pelos indivíduos que aderem aos princípios originais da criptomoeda.

Essa divisão reflete um compromisso calculado dentro da comunidade, onde alguns veem os ETFs como um mal necessário para fomentar a adoção generalizada, apesar de se afastarem da visão original de Nakamoto.

Pioneiros do Bitcoin como Max Keiser, que assessora o governo de El Salvador sobre políticas de Bitcoin, veem os ETFs como um “efeito mosquito”, espalhando a influência do Bitcoin de maneira mais ampla.

No entanto, essa facilidade de acesso vem com o custo de uma maior institucionalização e, possivelmente, regulamentação.

Marshall Beard, diretor de estratégia da Gemini, defende que os ETFs atendem a uma demanda de mercado, oferecendo um caminho mais acessível para aqueles que, até agora, hesitaram em adentrar o mundo das criptomoedas.

Isso indica um reconhecimento por parte das instituições financeiras da crescente importância do Bitcoin no cenário econômico global.

Brett Tejpaul, chefe de serviço institucional da Coinbase, omaior corretora dos EUA, sugere que a coexistência de diferentes formas de interação com o Bitcoin pode ser benéfica, permitindo que várias estratégias e preferências convivam harmoniosamente.

Bitcoin vs “Bitcoin”

Uma possível consequência desta bifurcação é a divergência nos preços do Bitcoin. Samson Mow, CEO da JAN3, uma empresa focada em tecnologia Bitcoin, especula que poderíamos ver uma discrepância entre o preço do Bitcoin mantido por instituições financeiras e o Bitcoin negociado diretamente entre indivíduos.

Ele prevê que os americanos podem preferir a conveniência dos ETFs, optando por incluí-los em seus planos de aposentadoria, em vez de lidar com a posse direta do Bitcoin. Isso poderia levar a um grande volume de Bitcoin sob custódia institucional, potencialmente sujeito a regulamentações mais estritas.

A mudança poderia ter implicações de longo alcance, tanto para o preço do Bitcoin como para o seu uso e percepção. O “Bitcoin institucional” poderia encontrar-se em um sistema fechado de negociação, enquanto o “Bitcoin livre” poderia ser negociado com um prêmio devido à sua disponibilidade limitada e à sua aderência aos princípios de liberdade e autonomia financeira.

A aprovação dos ETFs de Bitcoin nos EUA é um momento decisivo para a criptomoeda. Embora traga o potencial de uma adoção mais ampla e um aumento no valor do ativo, também levanta questões sobre a natureza e o futuro do Bitcoin.

Para alguns, representa um afastamento lamentável dos ideais originais de Nakamoto. Para outros, é um passo prático e necessário para trazer o Bitcoin para o mainstream.

O que é claro é que essa evolução do Bitcoin reflete a dinâmica em constante mudança do mundo das criptomoedas e a busca contínua pelo equilíbrio entre ideais descentralizados e a realidade do sistema financeiro tradicional.

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Vinicius Golveia
Vinicius Golveia
Formado em sistema da informação pela PUC-RJ e Pós-graduado em Jornalismo Digital. Conhece o Bitcoin desde 2014, atuando como desenvolvedor de blockchain em diversas empresas. Atualmente escreve para o Livecoins sobre assuntos de criptomoedas. Gosta de cultura POP / Geek. Se não estiver escrevendo notícias relevantes, provavelmente está assistindo alguma série.

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