
Presidente do STF, (Foto: Antonio Augusto/STF)
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, colocou o uso de tecnologias digitais e criptomoedas no centro do debate sobre a segurança pública e a Justiça no Brasil.
A declaração ocorreu na segunda-feira (23), durante a abertura do encontro “Desafios do Poder Judiciário ante o Crime Organizado“, realizado na sede do CNJ.
Falando para magistrados e autoridades, Fachin defendeu que o combate às facções criminosas se tornou uma questão de Estado e exige a formação de um pacto interinstitucional.
Segundo ele, as estratégias públicas precisam ser coordenadas e ajustadas aos diferentes cenários regionais do país.
Ao detalhar a complexidade das ações criminosas modernas, o ministro apontou que o Judiciário lida hoje com estruturas altamente sofisticadas.
Fachin ressaltou que os processos atuais são marcados por hierarquias complexas e pelo uso intensivo de tecnologias digitais e criptoativos para a lavagem de dinheiro, além da corrupção de agentes públicos e intimidação de testemunhas.
Para enfrentar essa ameaça cibernética e financeira, o presidente do STF cobrou uma atuação judicial mais especializada.
Fachin defendeu o uso de técnicas avançadas de investigação digital e o fortalecimento do rastreio patrimonial para retirar o poder econômico das quadrilhas.
“Sem um Judiciário eficiente, a investigação não se completa, a condenação não se sustenta e a recuperação de ativos não se consolida“, afirmou o ministro, destacando que a indisponibilidade de bens é a ferramenta central para enfraquecer o crime.
Como uma das principais respostas institucionais debatidas no encontro, Fachin destacou a possível criação da Rede Nacional de Magistrados com Competência Especializada em Organizações Criminosas. A inovação visa preparar e qualificar juízes para lidar com o alto nível técnico exigido por essas investigações.
O evento também trouxe à tona os dados do Painel Nacional do Crime Organizado, desenvolvido pelo CNJ, que revelam a urgência do tema:
O ministro encerrou alertando sobre a situação do sistema prisional. Para Fachin, a falta de separação entre condenados e as falhas de comunicação nos presídios criaram o ambiente perfeito para a expansão das facções, tornando a execução correta da pena um passo essencial para frear o crime organizado.
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