Randstorm: Falha em carteiras de Bitcoin coloca R$ 12,4 bilhões em risco

Henrique HK
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Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de...
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Chamada Randstorm, uma nova vulnerabilidade foi divulgada nesta terça-feira (14) pela Unciphered. Em suma, a falha afeta carteiras antigas de Bitcoin, criadas entre 2011 e 2015, deixando até R$ 12,4 bilhões em Bitcoin em risco.

“Uma tempestade está chegando à blockchain”, escreve a Unciphered. “Uma tempestade grande o suficiente para ter nome próprio. Randstorm. Por razões que ficarão claras em breve, os antigos investidores de criptomoedas podem precisar procurar abrigo.”

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“Se você usou alguma das primeiras plataformas de blockchain (particularmente entre os anos 2011 – 2015), você pode ter sido afetado.”

Em suma, a vulnerabilidade está ligada ao BitcoinJS, uma biblioteca usada por diversos softwares para a geração de carteiras. Dentre os nomes mais famosos entre os possíveis afetados estão a Blockchain.info (atualmente Blockchain.com), BitAddress, Bitgo, GreenAddress e CoinKite.

“O BitcoinJS foi usado por muitos projetos no início de 2010. Abaixo está uma lista não exaustiva de projetos que usaram BitcoinJS e seus estados atuais.”

Carteiras possivelmente afetadas pela vulnerabilidade Randstorm. Fonte: Unciphered.
Carteiras possivelmente afetadas pela vulnerabilidade Randstorm. Fonte: Unciphered.

“Nem todos os projetos mencionados acima foram afetados”, comenta a Unciphered, notando que cada carteira pode ter sido exposta por um tempo diferente à vulnerabilidade.

Vulnerabilidade Randstorm foi encontrada por acidente

Toda a história começa com Nick Sullivan, um investidor que perdeu a senha de uma carteira com cerca de R$ 500.000 em Bitcoin e decidiu contratar uma equipe de especialistas para recuperar a quantia.

Segundo relatos publicados pelo The Washington Post, os especialistas não conseguiram recuperar a quantia, mas descobriram uma vulnerabilidade de até R$ 12,4 bilhões em outras carteiras de Bitcoin.

Em uma página especial, a equipe da Unciphered destaca que está trabalhando na vulnerabilidade há 22 meses (quase dois anos). Como destaque, a empresa de segurança nota que quanto mais antiga a carteira, mais fácil de ser invadida.

“Temos coordenado a divulgação com diversas entidades e, como resultado, milhões de investidores foram alertados.”

“Em janeiro de 2022, a Unciphered estava realizando um trabalho para um cliente que estava bloqueado em uma carteira Bitcoin da Blockchain.com. Ao examinar esta carteira e os caminhos para recuperação, isso nos levou a (re)descobrir um problema potencial nas carteiras geradas pelo BitcoinJS (e projetos derivados) entre 2011 – 2015”, conta a Unciphered.

“Isso afeta potencialmente milhões de carteiras de criptomoedas que foram geradas entre 2011 e 2015. O valor dos ativos ainda nessas carteiras é considerável. A Unciphered envolveu as partes afetadas e vem trabalhando há mais de um ano para remediar o problema. Não fomos, no entanto, os primeiros a perceber isso.”

Ainda em 2015, relatos apontavam que navegadores não conseguiram gerar números aleatórios fortes, levando ao abandono do BitcoinJS. Mais tarde, em 2018, outros especialistas apontaram para a vulnerabilidade, mas não faziam ideia de seu tamanho.

Para resumir a vulnerabilidade aos leigos, a equipe publicou um desenho. Enquanto no topo está “toda a infraestrutura digital moderna”, tudo isso está sendo sustentado apenas por “um projeto criado por uma pessoa aleatória de Nebraska que está mantendo  o projeto sem apoio desde 2003”.

Charge ilustra que grandes projetos tem usado soluções fracas em sua base. Fonte: Reprodução.
Charge ilustra que grandes projetos tem usado soluções fracas em sua base. Fonte: Reprodução.

Outra curiosidade é o nome do criador do BitcoinJS, Stefan Thomas. No mês passado, o programador ficou famoso por outra história: ter perdido a senha de uma carteira com R$ 1,2 bilhão em Bitcoin, mas estar recusando ajuda para recuperar a quantia.

“Eu estava obcecado em garantir que não cometeria nenhum erro em meu próprio código”, disse Thomas ao The Washington Post. “Sinto muito por qualquer pessoa afetada por esse bug.”

O que fazer se você achar que foi afetado pelo Randstorm?

Em outra página dedicada, a Unciphered destaca que hoje cerca de 1,4 milhões de bitcoins estão em carteiras geradas com uma criptografia fraca. A quantia está avaliada em R$ 248 bilhões. A estimativa conservadora joga o número para 35.000 a 70.000 bitcoins expostos, embora menor, a quantia é equivalente a valores entre R$ 6,2 bilhões a R$ 12,4 bilhões.

“Se estimarmos de forma conservadora que apenas 3 a 5% das carteiras geradas durante esse período foram afetadas, o valor atual das moedas em risco está entre 1,2 a 2,1 bilhões de dólares (assumindo 1 BTC = US$ 30.000).”

Continuando seu texto, a empresa de segurança afirma que a matemática do Bitcoin está “mais segura que nunca”. No entanto, nota que antigos investidores devem mover suas economias para novas carteiras caso estejam preocupados com a vulnerabilidade em questão.

“Se você criou uma carteira que acredita estar afetada por esta vulnerabilidade, sugerimos que você mova seus ativos para uma carteira gerada mais recentemente e criada por um software confiável.”

Em agosto desse ano, outra equipe encontrou outra falha em carteiras antigas (criadas entre 2014 e 2022). Chamada Milk Sad, a vulnerabilidade atingiu menos pessoas, mas também preocupou diversos investidores.

Quanto ao Randstorm, seu nome é uma mistura de Random (aleatório) e Storm (tempestade), focando nos problemas da baixa aleatoriedade durante a criação de algumas carteiras. Abaixo estão três links com mais informações sobre a falha.

Anúncio da falha: https://www.unciphered.com/blog/disclosure-of-vulnerable-bitcoin-wallet-library
Explicações técnicas: https://www.unciphered.com/blog/randstorm-you-cant-patch-a-house-of-cards
Perguntas frequentes: https://www.unciphered.com/randstorm

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