
Michael Saylor, fundador da Strategy. Fonte: Redes sociais/Reprodução.
Michael Saylor, fundador da Strategy, publicou neste sábado (19) um longo texto em suas redes sociais sobre o Clarity Act. O projeto que visa trazer clareza regulatória para o mercado de criptomoedas acabou travado no Senado americano nesta semana por falta de votos favoráveis.
Em resumo, Saylor defende que a melhor proteção do mercado não é uma lei, mas sim uma ampla adoção.
“Nosso caminho mais seguro é criar produtos que encantem os clientes e disponibilizá-los amplamente. Custos menores, acesso mais fácil, serviços úteis e maior controle sobre o dinheiro dão às pessoas um interesse direto em preservar a inovação”, iniciou Saylor.
O bilionário também lembra que, após a trava do Clarity Act, SEC e CFTC publicaram novas regulações, abrindo caminho para o mercado cripto.
“Esse é justamente o ponto: oportunidades substanciais já existem sob a legislação atual. Podemos buscá-las sem aceitar as restrições adicionais do projeto, como preço pelo progresso.”
Citando exemplos da situação atual do mercado de criptomoedas, Michael Saylor lista ativos e empresas em atividade. Isso inclui a própria Strategy e sua ação preferencial STRC, mas também a corretora Coinbase, a Circle, emissora do USDC, e o próprio Bitcoin, cada um estabelecendo um papel nesse ecossistema.
Sua visão é que essas categorias se reforçam mutuamente e que desenvolvedores podem combinar essas capacidades para criar produtos mais úteis que seus componentes individuais.
“Os bancos devem participar desse futuro. Eles podem competir para oferecer custódia, pagamentos, distribuição e crédito com ativos digitais como garantia. Instituições estabelecidas e novos participantes devem conquistar clientes oferecendo produtos e serviços melhores. É assim que a inovação financeira melhora o sistema financeiro.”
Em relação ao Clarity Act, o bilionário aponta que nem tudo estava perfeito no projeto que, até então, é visto como uma ferramenta para impedir que futuros governos anti-cripto ataquem o mercado.
Como exemplo, nota que a lei proibiria empresas de pagar juros ou recompensas caso tivessem uma stablecoin. Além disso, o Tesouro americano poderia restringir certos programas de recompensas para proteger bancos.
Dado isso, o argumento central de Saylor é que a melhor proteção seria uma adoção em massa, já que só assim políticos não atacariam a indústria.
“Nenhuma lei elimina a política da regulamentação. Uma futura administração ainda tomaria decisões importantes de implementação e fiscalização. […] Imagine 50 milhões de eleitores americanos usando produtos financeiros digitais que melhorem suas vidas: pagamentos mais baratos, acesso conveniente ao Bitcoin, valores mobiliários úteis, produtos de renda transparentes e crédito em condições competitivas. Esses eleitores teriam algo concreto a defender. Retirar uma tecnologia desconhecida é politicamente diferente de retirar um serviço do qual milhões de pessoas dependem. Uma futura administração teria de explicar por que esses clientes deveriam perder benefícios dos quais já desfrutam.”
Atualmente, a Strategy mantém US$ 68,8 bilhões em Bitcoin em caixa, sendo a maior empresa de tesouraria de criptomoedas do mundo.