Autoridades sobre risco de calote na China: “Se preparem para o pior”

Entre os bancos estrangeiros que investiram em ações da Evergnrade estão o Credit Suisse, UBS e o HSBC. Todos estão, no momento, tentando acalmar os investidores sobre a situação.

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A crise que está afetando a gigante imobiliária da China, a Evergrande, com certeza terá ondulações em todo o setor financeiro mundial e até mesmo no mercado de criptomoedas. Com rumores apontando que a companhia está caminhando para inadimplência, o mercado está se preparando para o pior, com uma situação que lembra a crise dos EUA em 2008, o que pode ser agravado por já estarmos em uma crise financeira.

O mais preocupante da situação é a falta de informações concretas sobre as ações que o Governo estão tomando para evitar a crise. A recente decisão de Pequim é de não intervir diretamente na situação da Evergrande, deixando a empresa caminhar para inadimplência.

A Evergrande possui dívidas de mais de US$ 300 bilhões, o que representa cerca de 2% do PIB de toda a China, a segunda maior economia do mundo. Durante esta semana a empresa imobiliária deveria pagar US$ 83,5 milhões em juros acumulados e títulos de obrigação em outros países.

No entanto, parece que o pagamento não foi feito, o que levantou a possibilidade de que a Evergrande vai dar um grande calote. As ações da empresa já caíram em mais de 11% desde que as obrigações não foram pagas.

Os efeitos para o mercado, como é de imaginar, podem ser grandes. Segundo o Wall Street Journal as autoridades chinesas estão alertando os reguladores e autoridades locais para “se prepararem para uma possível tempestade.” 

Isso indica que o governo está preocupado com a possibilidade de uma onda de desempregos e enfraquecimento da economia caso a Evergrande acabe colapsando, algo realmente muito similar ao que aconteceu nos EUA na primeira década dos anos 2000.

Além disso, haverá também os investidores que perderam capital e até mesmo as entidades que compraram propriedades e podem não ter a demanda entregue.

Pagamento feito pela metade

Já como foi destacado pelo site Trustnodes, que por sua vez utilizou fontes locais, a situação da Evergrande não é de inadimplência completa. A empresa devia dois títulos de obrigação, um para o mercado financeiro chinês e um denominado em dólar para o mercado estrangeiro. Ela pagou a dívida chinesa de US$ 35.8 milhões e não pagou a denominada em dólar de US$ 83,5 milhões.

Com isso, observadores do mercado estão preocupados que a tática será cobrir o prejuízo interno enquanto joga o externo para os investidores que estão fora da China.

Muitos bancos possuem investimentos em ações da Evergrande, esses investimentos são usados para converter juros para os clientes que investem nesses bancos. O efeito cascata de contágio do que está acontecendo na China pode afetar muitos bancos fora do país asiático.

Entre os bancos estrangeiros que investiram em ações da Evergnrade estão o Credit Suisse, UBS e o HSBC. Todos estão, no momento, tentando acalmar os investidores sobre a situação.

Até mesmo grandes líderes financeiros estão tentando amenizar as preocupações, com Christine Lagarde, presidente do Banco Europeu, afirmando que os bancos da zona do euro não estavam muito expostos as ações da companhia. O presidente do FED dos EUA, Jerome Powell também tentou diminuir a preocupação de contágio.

Enquanto, tecnicamente, a empresa ainda não está inadimplente, já que tem mais 30 dias para realizar o pagamento, o medo criado no mercado não é algo que não terá efeitos. O simples fato da distinção entre dívidas externas e internas e a clara preferência por uma economia em relação a outra pode ser o suficiente para assustar investidores internacionais no país.

No momento a principal preocupação é que isso tudo cause um efeito domino que vai afetar o mercado fora da China, principalmente os EUA. E com as duas maiores economias do mundo sendo afetas pela suposta crise, o efeito dominó com certeza afetar todas as outras economias.

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Matheus Henrique
Fã do Bitcoin e defensor de um futuro descentralizado. Cursou Ciência da Computação, formado em Técnico de Computação e nunca deixou de acompanhar as novas tecnologias disponíveis no mercado. Interessado no Bitcoin, na blockchain e nos avanços da descentralização e seus casos de uso.
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