A CertiK, empresa de segurança do mercado cripto, publicou nesta sexta-feira (8) um relatório sobre ataques físicos contra investidores de criptomoedas. Como destaque, o texto aponta que muitas vezes os articuladores são estrangeiros, contratando completos amadores para realizar o serviço.
Entre janeiro e abril de 2026, a empresa diz ter registrado 34 casos do tipo pelo mundo. Em relação ao mesmo período do ano anterior, isso representa um aumento de 41%.
Dentre os principais motivos para o crescimento dos números estão a cultura de ostentação e o doxxing voluntário. No entanto, vazamentos de dados também são mencionados.
Criminosos estão recrutando amadores para sequestrar investidores, aponta relatório
A pesquisa da CertiK aponta que os grupos de sequestradores são geralmente formados por três a cinco indivíduos com idades entre 16 e 50 anos.
“Na maioria das vezes, são recrutados por aplicativos de mensagens como Telegram ou Snapchat por alguns milhares de dólares. Eles não se conhecem entre si e são totalmente amadores.”
Como exemplo, eles citam que a França prendeu 88 pessoas ligadas a estes casos.
“Os articuladores estão, com muita frequência, fora do país-alvo (Marrocos, Dubai, Europa Oriental etc.). Eles compram listas de dados, contratam coordenadores e recebem os fundos antes de lavá-los”, explica o relatório.

A empresa destaca três casos que aconteceram em 2026.
O primeiro deles foi de um empresário chinês de 38 anos, chamado Yong Wang, que foi encontrado enterrado com mãos e pés amarrados, além da boca tapada, após ser dado como desaparecido em Istambul, na Turquia. Dez suspeitos foram presos na China.
Na sequência aparece o sequestro de Nancy Guthrie (84), mãe da jornalista Savannah Guthrie, nos EUA. Na data, janeiro de 2026, os golpistas exigiam uma recompensa de US$ 6 milhões pela sua soltura.
Outro caso destacado aconteceu no Reino Unido, onde a vítima foi obrigada a transferir US$ 24 milhões em criptomoedas aos criminosos após ser ameaçada fisicamente.
Cultura de ostentação, doxxing voluntário e vazamento de dados explicam os sequestros
Dos 34 casos registrados em 2026, 28 deles aconteceram na Europa, sendo 24 na França. Tais dados são uma peça-chave do relatório.
“Todas as demais regiões registraram queda em termos absolutos no mesmo período: a América do Norte caiu de 9 incidentes para 3, a Ásia de 25 para 2 e o Oriente Médio de 2 para 1.”


Explicando essa falta de segurança na França, o texto aponta que isso se deve a uma convergência de fatores.
Um deles é a presença de empresas emblemáticas no país, incluindo Ledger e Binance, bem como de seus executivos. Outros motivos citados são casos de vazamento de dados, como o de uma funcionária da Receita Federal francesa acusada de repassar dados de investidores para organizações criminosas, bem como o vazamento da Waltio, empresa focada em declarações de imposto.
O último ponto mencionado é “uma cultura de ostentação e doxxing voluntário ainda profundamente enraizada na comunidade”.
Finalizando, o texto destaca que, enquanto a segurança digital aumenta, o elo mais fraco tende a se tornar físico.

