Sócio da Brasil Bitcoin diz que envolvimento com Danilo Dubaiano gerou racha na cúpula da corretora

Gustavo Bertoluci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
7 min de leitura

A tensão envolvendo a alta cúpula da Brasil Bitcoin ganha mais um episódio com Erick Crus (sócio com 40% das cotas da corretora que teve pedido de expulsão protocolado) indicando que a plataforma tem se envolvido com Danilo Dubaiano, foragido do Brasil por ter criado a pirâmide financeira D9 Club, uma das primeiras a lesar brasileiros com promessas de rendimentos atreladas ao Bitcoin.

De acordo com Crus, os administradores Jorge de Almeida Alves e Marco Vinicius Castellari conheceram Danilo Vunjão Santana Gouveia, o “Danilo Dubaiano”, em um evento em Dubai, voltado ao mercado de criptomoedas.

Na rede social Instagram, os administradores chegaram a publicar fotos e vídeos de sua participação no evento Token 2049 Dubai, em 2025. Durante a estadia no país, ele tiraram uma foto a bordo de um barco com Danilo Dubaiano, que segundo sócio, estreitou laços que Crus não concordava.

Encontro de Administradores da Brasil Bitcoin com Danilo Dubaiano em Dubai
Encontro de Administradores da Brasil Bitcoin com Danilo Dubaiano em Dubai (Fotos/Instagram).

De qualquer forma, o empresário que enfrenta uma possível expulsão ainda revelou que Dubaiano comprou parte da empresa ShielID como sócio majoritário, outro negócio que os sócios criaram e não vinculado com a Brasil Bitcoin e que Erick diz não ter participado até a venda, visto que antes se chamava B8Safe.

Contudo, quando Crus descobriu que pessoas ligadas a Dubaiano operavam na Brasil Bitcoin, pediu a exclusão dos investidores devido ao risco.

“Em novembro de 2025, operações de pessoas ligadas a Danilo na corretora foram levadas por escrito aos três sócios, com a recomendação de apuração interna e de comunicação às autoridades. Erick concordou na hora e pediu, por escrito, que qualquer pessoa ligada a Danilo fosse banida da operação. Os administradores não concordaram, e a comunicação não foi feita“, relata.

Com uma base de clientes estimada em 700 mil investidores, a corretora ainda conta com apoio de marketing do influencer Renato Cariani, com mais de 11 milhões de seguidores só no Instagram.

Renato Cariani é um dos que apoia em público a Brasil Bitcoin
Renato Cariani é um dos que apoia em público a Brasil Bitcoin (Foto/Instagram).

Bastidores: o acordo de fevereiro de 2026 envolveu troca de administrador e proibição de vínculo com empresa de apostas de Dubaiano

Em relato exclusivo ao Livecoins, o sócio Erick se manifestou via assessoria e revelou a existência de um acordo entre os empresários, firmado em fevereiro de 2026, quando eles prometeram não ter vínculos com Dubaiano. Este último é um dos donos da bet Gorillas Group, em um setor que entrou na mira do Governo Lula que mandou proibir todas as casas de apostas no Brasil.

“Em 9 de fevereiro de 2026, os três sócios assinaram um acordo de sócios. Erick deixou a administração, que passou a ser exercida com exclusividade por Jorge e Marco.

Em troca, os administradores assumiram regras escritas: proibição de qualquer negócio entre a Brasil Bitcoin e o grupo de apostas ligado a Danilo, segregação total entre a corretora e a empresa de validação de identidade dos administradores, prevalência das políticas de compliance e de prevenção à lavagem de dinheiro sobre qualquer interesse comercial, segregação do patrimônio dos clientes, unanimidade para dispor de bens da empresa e proibição de os administradores exercerem atividade concorrente. O acordo prevê que todas essas obrigações são irrevogáveis e sujeitas a execução específica“, diz release enviado para o Livecoins, que não obteve acesso ao acordo na íntegra.

Além disso, o comunicado enviado ao Livecoins cita que Crus informou aos administradores que o dono de uma empresa alvo da PF durante a Operação Narco Fluxo seguiu operando na corretora sem uma reavaliação de vínculo, mesmo após ele ser preso. Em abril de 2026, a polícia prendeu nesta operação os então suspeitos MCs Ryan SP, Poze do Rodo e o dono da página de fofocas Choquei, Raphael Sousa.

“Entre os fatos que Erick comunicou à Polícia Federal, em notícia-crime de 7 de outubro, está a continuidade, depois da operação, das operações na corretora de um cliente cujo apontado dono foi preso nela, sem que o relacionamento fosse reavaliado. Por dever de sigilo, o sócio não divulga dados de clientes: os detalhes estão com as autoridades“, diz a informação compartilhada com a reportagem.

O que diz Erick Crus?

“Nunca concordei com esses negócios. Quando o nome do Danilo apareceu, em novembro do ano passado, pedi por escrito que qualquer pessoa ligada a ele fosse banida da corretora. Em fevereiro, assinamos um acordo para separar a Brasil Bitcoin dessas conexões.

Oito meses depois, pedi apuração, e a resposta foi demitir o compliance, pautar a minha exclusão e passar o domínio da empresa para outra corretora dos administradores. Levei tudo às autoridades. A Brasil Bitcoin e os seus clientes não se confundem com os atos de quem a administra”, diz Erick Crus, sócio de 40% da Brasil Bitcoin, via assessoria.

O que diz a assessoria da Brasil Bitcoin?

A reportagem do Livecoins procurou a assessoria da Brasil Bitcoin para entender as acusações contra os outros sócios do negócio. Em nota, eles indicaram que não compactuam com atividades ilícitas e rejeita associações que coloquem em dúvida a integridade do negócio.

“A Brasil Bitcoin não compactua com atividades ilícitas e rejeita tentativas de associação que busquem colocar em dúvida a integridade da instituição e de seus administradores.

A instituição reafirma seu compromisso com o cumprimento da legislação e com as exigências regulatórias aplicáveis ao setor, no contexto da implementação da regulação pelo Banco Central.

Eventuais questionamentos sobre acusações de irregularidades serão tratados com seriedade, e os esclarecimentos cabíveis serão prestados às autoridades competentes, pelos canais apropriados e respeitando o sigilo legal das informações“, finalizou a nota completa enviada para a reportagem.