Yao Qian (56), ex-diretor do instituto de moeda digital do Banco Popular da China, foi preso após receber uma propina de R$ 35,5 milhões em Ethereum. O caso foi divulgado no último domingo (11) durante um documentário exibido no país.
A escolhida da criptomoeda não parece ter sido ao acaso. Afinal, ainda em 2021, o mesmo executivo afirmou que o Yuan Digital e o Ethereum poderiam se integrar.
Além de sua passagem pelo Banco Central chinês, Qian posteriormente trabalhou para a Comissão de Valores Mobiliários do país.
China exibe documentário sobre funcionário corrupto que trabalhou no seu Banco Central
Atualmente a China é um dos países líderes na implementação de uma moeda digital estatal. Segundo o site CBDC Tracker, o Yuan Digital (e-CNY) já está em sua fase de testes.

No entanto, um documentário exibido no domingo (11) pela televisão chinesa denuncia um grande caso de corrupção envolvendo Yao Qian, ex-arquiteto de sua moeda digital.
As investigações começaram após uma quantia de 10 milhões de yuans (R$ 7,7 milhões) ser encontrada em uma conta laranja do executivo. A quantia foi usada em parte do pagamento de uma mansão de ¥ 20 milhões em Pequim, registrada no nome de um parente.
Outros ¥ 12 milhões estariam ligados a uma empresa que Qian ajudou por conta de sua posição no governo, também servindo de prova contra ele.
“Ele achava que, criando várias camadas, ficaria mais isolado. Mas, por outro lado, isso acaba gerando mais pessoas, mais provas e evidências ainda mais sólidas”, comentou Shi Changping, da Comissão de Inspeção Disciplinar e Supervisão de Shanwei.
Em relação às criptomoedas, o ex-arquiteto do Yuan Digital teria ajudado um empresário do setor em 2018 a lançar um projeto que captou 20.000 ethers (ETH). Desta quantia, Qian recebeu 2.000 ETH, hoje avaliados em R$ 35,5 milhões, como agradecimento.
“Sendo sincero, eu sabia que isso era algo feito às escondidas. Como você consegue fazer algo assim? É só que antes você achava que seria difícil haver provas”, comentou Qian.
Autoridades encontraram uma carteira de criptomoedas no escritório do executivo
Embora a China tenha banido as criptomoedas do país, as autoridades se mostraram muito bem treinadas.
“Numa busca, é essencial localizar duas coisas: primeiro, se há uma carteira de hardware; segundo, se existem anotações com palavras de recuperação aparentemente sem padrão. Isso é crucial”, comentou Cai Kunting, da Comissão de Inspeção Disciplinar e Supervisão de Shanwei.
Sabendo o que estavam à procura, os policiais encontraram uma carteira de hardware em uma gaveta no escritório de Qian. Recebidas em 2018, parte das criptomoedas foram convertidas para Yuan em 2021.
Outro chinês, chamado Jiang Guoqing, atuou como intermediário e também aparece no documentário focado no combate à corrupção.
“A influência do Yao Qian no setor era muito grande, por causa da posição que ele ocupava”, disse Guoqing.