Um escândalo de corrupção interna abalou a confiança no sistema bancário tradicional norte-americano na terça-feira (3). Renat Abramov, de 36 anos, ex-gerente de relacionamento de uma agência do Bank of America no Brooklyn, Nova York, declarou-se culpado de conspiração para lavar mais de US$ 8 milhões (aprox. R$ 46 milhões) provenientes de fraudes no sistema de saúde.
O caso, revelado pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ), expõe como o sistema financeiro regulado serviu de porta de entrada para o crime organizado.
Abramov utilizou sua credencial de bancário para burlar controles internos, permitindo que uma Organização Criminosa Transnacional (TCO) drenasse verbas públicas e as convertesse em criptomoedas para ocultar o rastro do dinheiro.
Segundo o DOJ, esta é a primeira vez que a Unidade de Fraude em Saúde consegue condenar um funcionário de banco por conspirar ativamente na lavagem de dinheiro dessa natureza.
A prisão de Abramov é um desdobramento da massiva “Operação Gold Rush“, que desmantelou o que o governo chama de “a maior fraude de saúde da história”.
A organização criminosa à qual o bancário servia roubou a identidade de mais de um milhão de americanos — incluindo idosos e deficientes — e submeteu mais de US$ 10 bilhões em reivindicações fraudulentas ao Medicare.
Abramov, que possui dupla cidadania (EUA e Azerbaijão), agora enfrenta uma pena máxima de 20 anos de prisão. A sentença final será decidida por um juiz federal em 20 de abril de 2026.
Para o mercado, o caso reforça a tese de que o sistema bancário tradicional continua sendo o principal vetor de entrada para a lavagem de dinheiro em larga escala, enquanto as criptomoedas aparecem apenas como uma das ferramentas de saída em um ecossistema de crime financeiro complexo.
Após roubos em banco, crime organizado enviava valores para contas offshore para depois converter em criptomoedas em busca de dificultar confisco
Uma vez que o dinheiro sujo entrava no sistema bancário “limpo” com a ajuda de Abramov, a organização criminosa precisava movê-lo rápido.
Segundo a confissão, após os depósitos, os membros da TCO transferiam os fundos para contas offshore e, posteriormente, convertiam o capital em criptomoedas.
O uso de ativos virtuais na ponta final do esquema demonstra a sofisticação do grupo para dificultar o bloqueio e o confisco dos valores pelas autoridades americanas. Por fim, com investigação do FBI o caso histórico mostra como os crimes se infiltram em bancos, inclusive nas maiores instituições reguladas.
