PF deflagra operação contra pirâmide de criptomoedas e bloqueia R$ 100 milhões após promessas de rendimentos mensais

Agentes cumprem doze mandados de busca e apreensão em cinco estados contra esquema que prometia lucros de até 70% ao mês

Gustavo Bertoluci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
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A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (22) a Operação São Silvestre para desarticular grupos suspeitos de operar pirâmides financeiras com criptomoedas. Policiais cumprem doze mandados de busca e apreensão em cinco estados brasileiros, além de uma ordem de bloqueio patrimonial de até R$ 100 milhões.

Conforme o comunicado em Itajaí (SC), as plataformas digitais ofereciam supostas aplicações em ativos virtuais e operações automatizadas por robôs. Essas medidas judiciais partiram do 3º Juízo da Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina.

No estado catarinense, as equipes vasculham dois endereços em Blumenau e imóveis em Florianópolis, Pomerode, Indaial e Rio do Sul.

Diligências também ocorrem em Curitiba (PR), com dois mandados, além de Álvares Machado (SP), Belo Horizonte (MG), Recife (PE) e Jaboatão dos Guararapes (PE).

Diante das provas reunidas no inquérito, as autoridades indiciaram os envolvidos por associação criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro. Na mesma apuração, o grupo também responde por delitos contra o Sistema Financeiro Nacional e contra o mercado de capitais.

Investidores que guardam comprovantes dos depósitos realizados no esquema podem enviar a documentação para ajudar no trabalho policial. O recebimento dessas informações ocorre pelo correio eletrônico denunciapiramides.iji@pf.gov.br, canal aberto pela corporação para atender as vítimas.

Quais são as empresas investigadas?

A reportagem do Livecoins conversou com a Polícia Federal que não se manifestou, visto que não comenta sobre investigações em andamento.

Contudo, fontes indicam que as empresas investigadas são a F2 Trading, antiga FX Trading, que tinha como principal líder Philip Wook Han. A reportagem não encontrou a defesa dele, mas o espaço segue em aberto para manifestações.

Outra que prometia rendimentos mensais com bitcoin era a Wish Money, que também entrou na mira da Operação São Silvestre. Ainda há outras empresas investigadas que atuaram, mas a reportagem não conseguiu o nome das operações fraudulentas.

Esquema prometia lucros diários e fez mais de 10 mil vítimas

O bloqueio de até R$ 100 milhões determinado pela Justiça atinge as contas de quinze pessoas físicas e de treze empresas investigadas. O bloqueio de bens busca preservar o patrimônio encontrado para garantir uma futura reparação dos danos causados aos clientes.

Apurações da polícia indicam que o grupo captou dinheiro de moradores de vários estados do Brasil e do exterior entre 2018 e 2020.

Mais de 10 mil pessoas caíram nas fraudes durante o período de funcionamento dos sites, de acordo com a estimativa oficial.

Para atrair o público, os projetos anunciavam retornos incompatíveis com a realidade do mercado financeiro. As ofertas prometiam rendimentos que variavam de 2% a 3% ao dia ou entre 10% e 70% ao mês.

PF São Silvestre
(Crédito: PF /Operação São Silvestre)

O que diz o investigador blockchain Ceifador dos Golpistas?

Referência em investigar crimes no Brasil, Luiz Souza (o Ceifador de Golpistas), comentou sobre a operação com a reportagem do Livecoins. De acordo com ele, promessas de rentabilidade mensais são um dos primeiros sinais de risco.

“Promessas de rentabilidade de 2% a 3% ao dia são um sinal de alerta grave para qualquer investidor. Em muitos esquemas fraudulentos, os responsáveis utilizam plataformas digitais, supostos robôs de negociação e gráficos de lucros fictícios para conquistar a confiança das vítimas, estimular novos depósitos e, posteriormente, dificultar ou impedir os saques.

Segundo pesquisa da Global Anti-Scam Alliance (GASA), divulgada em 2025, 70% dos adultos brasileiros entrevistados relataram ter sido vítimas de pelo menos um golpe nos 12 meses anteriores à pesquisa. O levantamento também identificou fraudes de investimento entre as modalidades relatadas, embora os dados não representem exclusivamente pirâmides financeiras ou golpes com criptomoedas.

O uso de tecnologia, inteligência artificial e criptoativos não comprova a legitimidade de um investimento. Quando uma plataforma promete ganhos extraordinários, estabilidade absoluta e lucros elevados sem riscos proporcionais, o investidor precisa desconfiar. A promessa de dinheiro fácil pode ser justamente a ferramenta usada para atrair a vítima.”

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