‘Aprecie com moderação’: como gestoras de fundos de criptomoedas no Brasil veem valorização do bitcoin

Fundos registram expansão de até 188% em cotistas e surfam na alta da cotação da criptomoeda, mas é preciso lidar com as correções.

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A grande valorização recente experimentada pelo bitcoin — apesar da correção ocorrida nesta semana — novamente fez o mercado financeiro olhar mais profundamente para o potencial de retorno no investimento em criptomoedas. E as gestoras que operam fundos com esses ativos também comemoram o atual cenário, mas sem deixar de recomendar moderação a seus clientes.

No Brasil, as gestoras Hashdex, Vitreo, QR Asset e BLP oferecem opções que contemplam desde opções mais conservadoras até as mais agressivas, com fundos baseados 100% em cripto. Estes, no entanto, são restritos a investidores mais qualificados — e que possuem sangue frio e estômago para lidar com as oscilações típicas da criptomoeda.

Embora o mercado de criptoativos ainda careça de uma regulamentação de fato no Brasil, os fundos dessas gestoras contam com a chancela da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Ou seja, eles aparecem como uma alternativa simples e acessível para que investidores que pouco ou nada ainda conhecem de criptomoedas possam aproveitar um pouco dessa valorização.

“Do ponto de vista de segurança e de controle e de facilidade, é muito mais simples”, comenta George Wachsmann, sócio e chefe de gestão da Vitreo.

Alguns desses fundos podem ser acessados tanto diretamente junto às gestoras quanto por meio de plataformas de investimento oferecidas por outras instituições financeiras, das gigantes Empiricus e XP a corretoras de bancos e fintechs.

Altas de até 188%

Uma noção do tamanho do interesse em torno desses fundos pode ser medida pelo número de cotistas obtidos pela Hashdex no fundo Discovery, o mais conservador e acessível dos ofertados pela gestora a contar com criptomoedas em sua composição. Com investimento inicial de R$ 500, o produto é voltado para todos os perfis de investidores e tem 20% da composição exposta a criptoativos e 80% em títulos de renda fixa, atendendo ao que determina as normas da CVM.

Desde o começo de janeiro até a última sexta-feira (26), o Discovery teve um aumento de 154% em número de cotistas, de acordo com dados informados pela gestora à CVM — de 14.785 para 37.554. O fundo conta atualmente com cerca de R$ 251 milhões de patrimônio líquido e acumula rentabilidade de 51,33% desde o início da captação e de 45,48% nos últimos 12 meses. Esses números tendem a subir, uma vez que o fundo agora também está acessível para clientes da PagInvest, do PagSeguro.

“Todos os nossos fundos tiveram aumento expressivo na procura, especialmente em 2021. Esse movimento foi potencializado pelo fato de muitos investidores reajustarem suas carteiras no início do ano”, aponta João Marco Cunha, gestor de portfólio da Hashdex.

Outros fundos da Hashdex também se beneficiaram do atual momento. O Explorer teve uma expansão de 188,4% no número de cotistas, enquanto o Voyager cresceu 121,4% — sendo ambos restritos a investidores mais qualificados.

A tendência é verificada ainda em fundos de outras gestoras, como a Vitreo, que registrou expansão de 126,8% em um de seus fundos de cripto. Ainda que em menor escala, fundos geridos pela BLP e QR Asset também cresceram.

‘Aprecie com moderação’

Comum em propagandas de bebida alcoólica, o slogan ‘”aprecie com moderação” também encontraria aplicação quanto aos fundos que envolvem criptomoedas. Isso porque, apesar do desempenho animador, o ativo é conhecido ainda pela alta volatilidade em sua cotação.

A última semana, aliás, serviu como um bom exemplo desse comportamento. O bitcoin chegou ao patamar de US$ 58 mil (algo perto de R$ 320 mil), no domingo e passou por uma forte correção desde então. Na noite de sexta-feira (26) a criptomoeda apresentava um valor na casa dos US$ 47 mil (cerca de R$ 268 mil).

Wachsmann recorda que esses percalços são normais na história do bitcoin. “O investidor tem que estar pronto para isso, ter estômago, paciência e sobretudo investir uma parcela pequena do seu patrimônio nisso. A gente sugere algo entre 1% e 5%. É a pimenta do seu portfólio”, explica.

Dosar bem esse tempero para evitar dissabores também é a dica dada por Cunha para os investidores da Hashdex. “Nós sempre pregamos a cautela e o investimento consciente. Inclusive, no exato dia em que o bitcoin atingiu a marca dos US$ 40 mil, nós enviamos uma carta aos nossos cotistas e parceiros reiterando esses valores, orientando a conter a euforia e a manter o portfólio balanceado”, recorda.

Orientação semelhante vem de Fernando Carvalho, fundador e CEO da QR Capital, que é a holding controladora da QR Asset Management. “Sempre buscamos explicar que é um ativo de muita volatilidade, o que, muitas vezes, é associado a risco. É uma alocação com apenas um pequeno percentual da carteira e um viés de longo prazo”.

Otimismo futuro

Apesar da recomendação de moderação, os representantes dos fundos que falaram ao Livecoins não disfarçam o otimismo com o desempenho do bitcoin e de outras criptomoedas em uma visão de médio e longo prazo.

“Nossa visão é que a tese de criptoativos está sendo provada e comprovada ao longo do tempo e se ela se provar de fato correta, a gente estaria só no começo de uma trajetória bem longa e construtiva”, estima Wachsmann.

Alguns nomes do mercado de cripto veem semelhanças do cenário atual com o que ocorreu entre 2017 e 2018, quando uma forte valorização seguiu-se por um longo período de baixas. Para Daniel Coquieri, especialista no setor de criptomoedas, o mercado atual está bem mais maduro do que naquela época e menos especulativo.

“Talvez a única semelhança seja a subida. Hoje temos fundos regulados, que permitem que investidores do varejo e institucionais possam se expor ao ativo, grandes empresas habilitando seus serviços para que as pessoas possam se expor a esses ativos, serviços de custódia, regulamentações mais claras. Você tem um cenário muito mais promissor como negócio. 2017 foi muito mais especulativo”.

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Rodrigo Borges Delfimhttps://canalmynews.com.br/
Jornalista formado pela PUC-SP, começou a carreira jornalística no portal UOL, na antiga área de Novas Mídias e Inovação. Passou também pela Folha de S.Paulo, onde atuou principalmente na editoria de Política (Caderno Poder). Colaborou com o Portal do Bitcoin em maio de 2018.

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