Ataques hackers no Pix têm afetado vendedores de bitcoin brasileiros

Gustavo Bertoluci
Gustavo Bertolucci
Graduado em Análise de Dados e BI, interessado em novas tecnologias, fintechs e criptomoedas. Autor no portal de notícias Livecoins desde 2018.
3 min de leitura

A nova onda de ataques hackers que assola instituições financeiras ligadas ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) tem afetado também o mercado de vendedores de bitcoin brasileiros, chamados de P2P.

Isso porque, as corretoras de criptomoedas e os P2Ps são uma dentre as várias rotas que hackers buscam para lavagem de dinheiro. A Carbono Oculto, uma operação recente mostrou que nem as empresas do mercado financeiro passaram impunes de terem uma utilização como meio de lavagem de dinheiro por criminosos.

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Além disso, hackers costumam utilizar as “contas de passagem” criadas em nomes de laranjas para movimentar valores. Empresas de fachada, joias, carros e imóveis também ocupam outras pontes da chamada lavagem de dinheiro.

Contudo, no caso dos vendedores de criptomoedas no Brasil, os hackers os procuram após passar o dinheiro por dentro do sistema financeiro. Ou seja, mesmo com o processo de Conheça seu cliente (KYC em inglês), os vendedores operam com medo de novos clientes.

“Sensação de que o Pix está comprometido”, diz P2P ouvido por reportagem

Desde julho de 2025, o Brasil começou a perceber as falhas no SPI com a invasão da C&M Software, uma empresa conectada do Banco Central que teve valores extraviados de alguns clientes.

Para um P2P de criptomoedas que conversou com a reportagem sob a condição de anonimato, há uma sensação entre operadores de bitcoin e criptomoedas que há um comprometimento mais grave no sistema do Pix.

O banco central realizou uma coletiva de imprensa na sexta-feira (5) e negou problemas maiores, mas restringiu movimentações em Pix para valores máximos de R$ 15 mil por transação.

Além disso, as novas regras do Bacen obriga que fintechs se tornem empresas reguladas ou encerrem suas atividades. Para o vendedor de bitcoin ouvido pela reportagem, os hackers estão correndo contra o tempo para roubar o máximo que puderem das possíveis brechas encontradas, mesmo com as novas regras do regulador.

“Recebi valores de uma pessoa verificada e solicitaram MED relacionando com fraude”, diz vendedor

Em conversa com a reportagem, outro P2P que prefere não se identificar apontou que passou por uma transação inconveniente com uma pessoa verificada. De acordo com ele, a transação chegou em sua conta após passar por mais de 10 pessoas, mas por ter relação com a fraude, entrou na mira do sistema MED do banco central.

“Os golpistas não estão para brincadeira e levam perigo para quem opera em qualquer mercado financeiro hoje“, disse o P2P.

Vale destacar que os P2Ps seguem reforçando suas medidas de proteção e compliance desde o ataque a C&M em julho.

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